Segundo trabalho divulgado no Journal of the National Cancer Institute, a vacinação na Holanda contra papilomavírus humano (HPV) não é custo efetiva, mesmo sob estimativas favoráveis que incluem proteção por toda a vida contra 70% de todos os cânceres cervicais, administração a todas as mulheres independentemente do risco de câncer cervical, e ausência de efeitos adversos.
Apesar de a vacina ser de somente 1 ciclo de 3 doses para obter uma proteção por toda a vida contra o HPV tipos 16/18, relacionados ao câncer cervical, a relação custo-efetividade é alta já que o país apresenta um declínio de incidência.
Nos paises industrializados, a mortalidade associada ao câncer cervical reduziu consideravelmente, como no caso da Holanda, devido à eficácia e disseminação dos programas de rastreamento. Entretanto, o câncer do colo uterino, do qual o vírus HPV é um dos principais causadores, é a segunda doença mais frequente em mulheres no mundo, com mais de 500 mil novos casos diagnosticados por ano. Além disso, mata cerca de 230 mil mulheres por ano, principalmente em países menos desenvolvidos. Destacando ainda que atinge adultas/jovens, com seu maior pico de incidência entre 45 e 49 anos.
A criação de uma vacina que reduza drasticamente o aparecimento da doença tem um efeito direto sobre toda esta situação, explica doutor José Clemente Linhares, oncologista do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP). “A vacina reduziria o sofrimento e a morte causada pela doença”.
Mesmo o HPV sendo o principal causador do câncer de colo de útero, há quem ache que a produção da vacina não compense o custo/benefício. Dr. Linhares esclarece que a questão do custo benefício tem que ser abordada no contexto de cada região ou país. “Nos países subdesenvolvidos o câncer do colo uterino é uma doença importante do ponto de vista de saúde pública, enquanto que na Holanda é uma doença rara. Vacinar uma população com grande incidência da doença certamente será custo efetiva, pois diminui o número de tratamentos e os custos com tratamentos sofisticados, isto sem contar a perda da vida humana e custos com tratamento paliativo para pacientes em sofrimento crônico”. Outro exemplo seria a vacina contra a febre amarela, “certamente é importante vacinar pessoas contra febre amarela nas regiões tropicais do Brasil e não existe justificativa para a vacinação dos Inuits (esquimós) no Canadá”, conclui.
A Prevenção do HPV
A melhor prevenção contra o vírus HPV é a educação sexual, que certamente, seria um meio muito eficaz de prevenção, assim como o uso de preservativos. Além disso, o tratamento das lesões diminui a propagação da doença. E, por último, mas não menos importante, a vacinação.
Tratamento
Em primeiro lugar é preciso deixar claro o conceito que a infecção pelo vírus do HPV não é uma doença incurável. Vários estudos mostram que após o correto tratamento das lesões, utilizando-se um método chamado PCR, não são detectados sinais da presença do vírus. O que pode eventualmente acontecer é uma reinfecção.
Os métodos de tratamento variam conforme o tipo de lesão por HPV (neoplasias intra epiteliais, verrugas etc), conforme a localização (vulva, vagina, colo uterino, pênis, boca, etc). Podem ser realizadas cauterizações , cirurgias, uso de substâncias químicas cáusticas e moduladores de imunidade.