A comunidade médica deu um importante passo na direção da prevenção ao câncer. Cientistas do Cleveland Clinic Learner Research Institute, nos Estados Unidos, realizaram um primeiro estudo não-clínico em ratas para avaliar a eficácia de uma possível vacina contra o câncer de mama.
Os animais receberam agentes potencializadores da neoplasia e, enquanto um grupo recebeu o placebo de controle, o outro recebeu o medicamento a-lactalbumina. O resultado foi satisfatório: nenhuma rata que recebeu a vacina desenvolveu a doença. O mastologista, Luis Gebrim, diretor do hospital Pérola Byington, de São Paulo, explica que esse foi o primeiro grande resultado na área imunológica preventiva: “a grande significância estatística encontrada poderá viabilizar o emprego da vacina em humanos”.
Ainda de acordo com o médico, o próximo passo da pesquisa é desenvolver antígenos compatíveis com o organismo humano, para que a vacina possa ser testada em mulheres com alto risco de câncer de mama. “Mulheres que já tiveram câncer numa das mamas poderão ser incluídas com intuito de prevenir o câncer na mama oposta”, exemplifica.
A empreitada, entretanto, não é fácil. “Vacinar o corpo contra o crescimento excessivo de células significa vacinar o paciente contra suas próprias células”, afirma Gebrim, que acrescenta que vírus causadores do câncer de mama já foram comprovados em ratos, mas não em humanos, o que dificulta ainda mais o estudo clínico.
Além de ser mais difícil, o ensaio com humanos também é mais lento. O diretor do hospital explica que a doença demora em média cinco anos para se desenvolver, e, diferentemente dos ratos, não é ético usar estimulantes da doença em mulheres. E, muito embora os animais não tenham apresentado reações adversas à vacina, ele explica que é possível haver, em mulheres mais jovens, alguma incompatibilidade entre aquelas que desejem engravidar e amamentar.
O mastologista é otimista e acredita que a vacina pode vir a ser eficaz em humanos, além de ser um precedente importante para facilitar a descoberta de outros tipos de câncer. Ele explica que, como existem dezenas de diferentes cânceres de mama, a vacina funcionará, a princípio, apenas para tratar de alguns, mas que é normal, nesse tipo de pesquisa, que um estudo que demorou décadas para ser realizado pode ser refeito para outras células, aumentando sua abrangência. E arrisca: “é possível prever que sua eficácia possa ser estendida a outros tipos de câncer como o de ovário, de intestino grosso e de próstata, pela semelhança entre os fatores estimuladores do câncer de mama”.