A superbactéria, que vem infestando hospitais em todo o mundo e preocupa médicos e pesquisadores por ser resistente a antibióticos, parece estar com seus dias contados. Ou melhor, pintados. Pesquisadores do Instituto Politécnico Rensselaer, nos Estados Unidos, aliaram técnicas da nanotecnologia com uma enzima natural e descobriram como criar um nanorrevestimento que, misturado com tinta látex e em contato com a bactéria MRSA (Methicillin Resistant Staphylococcus aureus), conhecida como superbactéria, erradica o microrganismo.
Como funciona
O estudo fez testes com a enzima lisostafina combinada com técnicas de nanotecnologia e misturada em tinta látex comum. Na pesquisa, 100% da bactéria em solução foi erradicada quando entrou em contato com uma superfície que havia sido pintada com a tinta especial, misturada com o nanorrevestimento.
Esse revestimento demonstrou ser ainda atóxico e atuar especificamente contra a superbactéria. O coordenador da pesquisa, Jonathan Dordick, ressalta as vantagens dessa técnica: “A lisostafina é extremamente seletiva, ela não funciona contra outras bactérias e não é tóxica para as células humanas. Nós passamos um bom tempo demonstrando que a enzima não sai da tinta durante os experimentos, ou seja, não libera substâncias químicas no ambiente ao longo do tempo”.
Ressalvas
Embora o estudo de Dordick pareça avançar no caminho do combate das superbactérias, algumas ressalvas precisam ser feitas. Para Marta Fragoso, médica infectologista epidemiologista chefe do setor de Controle do Setor de Infecção Hospitalar do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e do Hospital Vita de Curitiba (PR), pesquisas como essa podem trazer dificuldades na conduta dos casos de infecções em geral, pois os profissionais de saúde tendem a subestimar a limpeza orgânica dos ambientes hospitalares.
A infectologista explica que a principal causa de transmissão de infecções nos hospitais se dá pela falta de rigor nos cuidados com a higiene pela própria equipe do hospital, que é composta não só por médicos, mas enfermeiros, psicólogos, equipe de higiene, pessoal de manutenção entre outros profissionais.
“Além da falta de rigor na higienização dos equipamentos e áreas do hospital, a própria equipe peca com os cuidados pessoais. É extremamente frequente a falta de higienização de mãos, um médico fazer um curativo num paciente e em outro sem lavar as mãos. Isso ocorre no mundo todo. Temo que com novas tecnologias que exterminem bactérias através de pinturas na parede ou equipamentos, os profissionais relaxem ainda mais nos cuidados com a assepsia”, complementa.