Cientistas norte-americanos, do Instituto Médico Howard Hughes e da Universidade John Hopkins, encontraram uma solução para verificar se, após o tratamento, o câncer de um paciente se difundiu ou recuou. O teste pode revolucionar o tratamento da doença.
O exame proposto pelos médicos é capaz de identificar tumores no sangue. A descoberta, publicada na revista americana “Science Translational Medicine”, permite a personalização de tratamentos do câncer, oferecendo terapias mais agressivas para certos pacientes, enquanto poupa outros de quimioterapias e radioterapias desnecessárias.
Atualmente os médicos indicam para um paciente o melhor tratamento para o grupo de pacientes. Há o remédio A e B. Se o A é o eficiente para a maioria, este será o escolhido. O novo procedimento proposto pelos americanos poderá indicar a melhor medicação e a dosagem correta.
O autor do estudo, Bert Vogelstein, afirma que os testes genéticos utilizam recursos de ponta para sequenciar genomas inteiros, um procedimento que já foi demorado e custoso. A nova proposta está calcada na ideia de medicina personalizada, pois se trata de um exame que deve ser elaborado de acordo com as necessidades de cada paciente.
A pesquisa e os resultados
Para realizar o estudo, os pesquisadores passaram pelas seguintes etapas:
- Selecionaram seis conjuntos de tecido normal e canceroso de quatro pacientes com câncer colo-retal e dois com câncer de mama.
- Mapearam o código genético de cada uma das amostras.
- Procuraram nas amostras cancerígenas áreas do genoma em que havia cópias extras de DNA ou cromossomos fundidos.
- A partir desta análise, verificaram que houve, em média, nove rearranjos em cada amostra.
- Perceberam que estas alterações não estavam presentes no tecido normal recolhido.
- Identificaram o que seria a assinatura genética do tumor.
- Coletaram o sangue dos pacientes e procuraram vestígios de DNA liberados pelo tumor.
- A busca teve sucesso em dois pacientes com câncer colo-retal que logo foram submetidos à cirurgia para remoção do tumor.
- Após a intervenção, verificaram que o nível da assinatura genética dos tumores diminuiu, mas logo voltou aos índices normais.
- Os cientistas interpretaram esta mudança como um indício de que o câncer permanecia no sangue dos pacientes.
- Foi realizada uma nova cirurgia e uma rodada de quimioterapia no paciente e os níveis da assinatura genética do tumor foram novamente reduzidos.