A telemedicina é um serviço reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e se destina à oferta de serviços ligados aos cuidados com a saúde, nos casos em que a distância física é um obstáculo. Consiste em profissionais especializados que, por meio de tecnologias de comunicação, auxiliam profissionais da área de saúde em determinados procedimentos, para evitar o deslocamento — muitas vezes, desnecessário — de pacientes até um centro com autonomia médica.
No Brasil, a telemedicina vem sendo praticada desde os anos 90, com pouca expressão. Os especialistas na área, entretanto, acreditam que, em um país de proporções continentais, o serviço seria de extrema utilidade e beneficiaria, principalmente, a população mais pobre, que utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS) e habita municípios mais afastados. É o que diz o ginecologista Paulo Naud, presidente do Instituto de Prevenção ao Câncer do Colo de Útero (Incolo), em Porto Alegre (RS).
O Instituto realiza cursos para capacitação de profissionais em telemedicina em diversas cidades do estado desde 2006, em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul. A grande inovação do serviço agora é o treinamento para a detecção de câncer de colo de útero, que começou em uma aula de teleconferência entre Porto Alegre e Macapá (AP). “Assistiram a aula cerca de 40 profissionais da área da saúde pública daquele estado, entre médicos e enfermeiros, onde foram abordados temas como: rastreamento e diagnóstico HPV, exame do papanicolau, obtenção de amostras para análise laboratorial, tratamento e prevenção, entre outros”, relata Naud.
O médico afirma que, em parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio Grande do Sul, o instituto já disponibiliza o serviço em sete cidades: Horizontina, Chiappeta, São João do Polêsine, Tapera, Teutônia, Cristal e Ibirubá. Todas no interior do estado. “Esta tecnologia dá a oportunidade para que profissionais de saúde dos municípios gaúchos sejam capacitados para realizar exames preventivos do câncer de colo do útero por meio de aulas online, além de poderem tirar informações e esclarecerem suas dúvidas durante os atendimentos”, complementa. O atendimento é feito em uma sala de teleconferências, com computadores equipados de caixas de som, webcam e software específico para fazer conferências online.
A telemedicina, porém, tem suas limitações. “Para exames de maior complexidade ou casos em que o paciente precise de procedimentos e tecnologias que não estão disponíveis em sua cidade, há a necessidade da busca de um centro onde este atendimento possa ser feito com a devida estrutura”, adverte o ginecologista. “A telemedicina é um suporte para profissionais, que, às vezes, possuem dúvidas em determinados procedimentos que podem ser tranquilamente sanados apenas com uma transmissão de informações online”, completa.
O médico afirma ainda que o Instituto tem planos de ampliar o serviço para outras cidades. Até o dia 29 de setembro, o Incolo recebe inscrições de municípios do Rio Grande do Sul que queiram contar com o serviço de telemedicina. Naud dá os detalhes: “Os critérios para concorrer são: possuir Programa de Atenção da Saúde da Mulher, contar com Programa de Saúde da Família, não possuir médicos especialistas domiciliados e ter baixa cobertura de coleta do exame preventivo”.