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Inverno exige do paciente com câncer mais cuidados


Alguns efeitos colaterais do tratamento oncológico já são amplamente conhecidos. Quando se fala em quimioterapia, por exemplo, estão associados os enjoos e vômitos. Porém, as temperaturas mais baixas de inverno também exigem do paciente maior atenção e alguns cuidados especiais, pois alguns tipos de quimioterápicos aumentam a sensibilidade ao frio. A recomendação é do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).

“A oxaliplatina, muito usada no tratamento do câncer de intestino, provoca essa sensibilidade. Orientamos que os pacientes evitem pegar em produtos e superfícies geladas”, comenta Maria Pilar, coordenadora da Oncologia Clínica do Icesp.

Para evitar desconfortos

 

O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira, ligado à Secretaria de Estado da Saúde e à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), preparou algumas dicas para ajudar a entender e evitar esses desconfortos para quem passa por tratamento oncológico.

Alguns tipos de quimioterápicos aumentam a sensibilidade ao frio, exigindo cuidado especial do paciente durante o inverno. Como consequência, pode-se sentir uma sensação de formigamento ou de choque, principalmente nas extremidades corporais, mãos e pés.

Adotar alguns cuidados simples pode ajudar o paciente a passar melhor pelo inverno, como agasalhar-se bem, usar luvas e meias para manter as mãos e pés aquecidos, usar tocas ou gorros de lã, principalmente se a quimioterapia provocou queda de cabelo, ampliar o consumo de bebidas quentes, como os chás, evitar a ingestão de líquidos gelados e reduzir o contato com objetos frios. Essas medidas ajudam a minimizar o desconforto.

“O mais importante é saber que essas alterações são comuns e reversíveis. Assim que o tratamento termina, os pacientes recuperam a sensibilidade”, informa Maria Pilar. A médica ainda esclarece que a estação não provoca piora da doença, mas desencadeia efeitos como a dor e, por isso, a importância de tomar tais medidas.

Hospital da USP possui técnica moderna para retirada de tumores de pele

Você sabe como cuidar do maior órgão do seu corpo para evitar ser atingido pelo câncer que tem a maior taxa de incidência entre os brasileiros? Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele é responsável por 25% dos casos de câncer no Brasil, muito frequentemente causados pela exposição excessiva ao sol. E embora a taxa de cura seja relativamente alta quando detectado precocemente, a cirurgia ainda é uma modalidade terapêutica com maior eficácia na grande maioria dos casos.

Pensando nisso, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), da Universidade de São Paulo (USP), implantou uma nova técnica cirúrgica para a remoção de tumores de pele, chamada de Cirurgia Micrográfica de Mohs, que permite uma análise mais precisa do tecido que está sendo retirado durante o procedimento cirúrgico, diminuindo as margens de segurança do tecido removido.

Técnica cirúrgica

A principal diferença entre a cirurgia de Mohs e a cirurgia tradicional é quanto à forma de avaliação das margens de segurança do tecido, ou seja, a pele que deve ser retirada além da lesão para que o especialista verifique a existência de eventuais ramificações do tumor que não são visíveis apenas no exame clínico.

Enquanto na cirurgia tradicional as margens são demarcadas a olho nu, e o tecido retirado pode exceder o necessário ou ser insuficiente para a remoção completa do tumor, “com eventuais prejuízos funcionais ou estéticos. Por outro lado, se retirado pouco tecido, corre-se um maior risco de permanecerem áreas ainda acometidas pela neoplasia, conforme explica o especialista na técnica e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Bruno Fantini; a cirurgia de Mohs é mais vantajosa.

Vantagens

No procedimento de Mohs é realizado um exame microscópico intraoperatório que permite analisar a totalidade das margens ao redor do tumor: “Utilizando a técnica de Mohs o cirurgião dermatológico tem condições de avaliar todo o tecido ao redor e abaixo do tumor. Essa técnica confere uma maior chance de detecção das ramificações não visíveis do tumor, aumentando assim a probabilidade de completa remoção da neoplasia”, explica Fantini.

Novos avanços no estudo da vacina contra HIV

Uma pesquisa brasileira, liderada pelo professor do Departamento de Clínica Médica e pesquisador do Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Edécio Cunha Neto, divulgada em fevereiro deste ano, mostra avanços na investigação pela vacina contra o vírus HIV. O estudo, que teve início em 2002, publicou as características funcionais de uma vacina pensada em gerar uma resposta imune das células alvo do vírus HIV.

Historicamente, cerca de 200 modelos de vacinas contra o vírus HIV já foram testados, porém até hoje não existe uma vacina que seja segura contra o vírus. “A vacina que estamos desenvolvendo é pensada em preencher as lacunas que as outras vacinas não preenchiam, dando uma resposta imune efetiva no paciente”, afirma o pesquisador.

Diferenciais da vacina

Uma vacina ideal contra o vírus HIV seria aquela que bloqueasse a própria infecção, gerando anticorpos que impedissem que o vírus entrasse na célula. Mas dada a característica mutável do vírus até hoje isso não foi desenvolvido. Os pesquisadores brasileiros seguiram uma linha alternativa, de gerar uma resposta imune no organismo, fortalecendo os linfócitos TCD 8 a matar as células infectadas pelos vírus. Além dos TCD 8, a vacina também atua nos linfócitos TCD 4+, que servem de apoio ao T CD8, aumentando seu poder defensivo.

Outro avanço na pesquisa brasileira foi criar uma vacina focada nos fragmentos fixos do vírus, que não sofrem mutação, ao invés da proteína inteira, buscando uma imunização mais eficaz. “Não fornecendo a proteína inteira, ressaltamos apenas algumas partes do vírus. Assim, quando ele entra em contato com o organismo vacinado, ele terá uma resposta a esses fragmentos”, explica Neto.

Perspectivas do estudo

Os resultados da pesquisa têm entusiasmado os pesquisadores. A estimativa é que até o final do ano sejam realizados testes da vacina em macacos e em uma espécie de camundongo geneticamente modificada. “Vamos realizar testes num camundongo que recebeu o sistema imune humano. Por conta disso, ele se infecta com HIV e se comporta como um paciente humano, com diminuição de TCD4+ e aumento do vírus, e vamos saber como vai reagir à vacina”, diz o pesquisador.

Já para o teste em humanos, pode ser que leve um pouco mais de tempo, devido ao seu alto custo. “O teste de eficácia, feito em humanos, só pode ser realizado após um resultado de proteção. Requer milhares de voluntários, um acompanhamento de vários anos e um investimento de centenas de milhares de dólares. Esses não são recursos que um pesquisador consiga pedir num CNPq”, conclui o professor.

Atuação do vírus

O vírus HIV atua principalmente nos linfócitos, em especial os linfócitos T CD4+, que são as células do sistema de defesa do corpo humanosistema imunológico. Nestas células, o vírus passa a fazer cópias de si mesmo e altera o DNA das células. Ao serem infectadas, essas células passam a funcionar com menos eficiência, enfraquecem. A habilidade do organismo de combater doenças diminui, ficando mais vulnerável ao aparecimento de doenças oportunistas.

Gel contra o câncer de pele

Um trabalho brasileiro promete mudar a forma de tratamento do tipo mais agressivo do câncer de pele: o melanoma maligno, que possui probabilidade de metástase superior a outras formas da doença. A novidade é fruto das pesquisas de Paula Aboud Barbugli e Antonio Claudio Tedesco, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCFRP), da Universidade de São Paulo (USP), que trabalharam para desenvolver um tratamento com menos efeitos colaterais do que os disponíveis atualmente – que consistem em cirurgias para remoção do tumor aliadas a altas doses de quimio e radioterapia.

A pesquisa realizada por Paula sob supervisão do professor Tedesco revelou que o uso da Terapia Fotodinâmica (FTD) elimina as células do melanoma maligno – foi usada uma formulação com ftalocianina de cloroalumínio irradiada com laser nas regiões atingidas pela doença. O resultado foi a indução da morte de mais de 90% das células malignas.

Tratamento menos agressivo

Paula conta que a terapia fotodinâmica age diretamente sobre a pele do paciente, sendo bem menos invasiva e resultando numa quantidade menor de efeitos colaterais. “O fármaco é administrado e após algumas horas ocorre a irradiação com luz laser somente no local do tumor. Esta técnica já vem demonstrando excelentes resultados clínicos no tratamento de tumores de pele do tipo não melanoma e agora comprovamos que a terapia também é capaz de surtir efeito em células de melanoma em fase avançada”, comemora a pesquisadora.

O próximo passo da pesquisa é realizar estudos pré-clínicos que viabilizem a implementação da técnica. Caso os resultados sejam positivos o fármaco poderá ser colocado à disposição da população como um novo remédio contra o câncer de pele na forma de um gel com aplicação local. “Será uma terapia localizada que não causará nenhum efeito colateral, como a radioterapia e a quimioterapia, e nenhum prejuízo estético oriundo de cirurgias”, afirma Paula.

Equipamento portátil para diagnóstico e tratamento de câncer

O físico Mardoqueu Martins da Costa desenvolveu um aparelho portátil para diagnosticar e tratar o câncer de pele por meio de fluorescência e padrões de luz que detectam alterações no epitélio dos pacientes. O equipamento foi elaborado em conjunto com a Escola de Engenharia (EESC) e pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com o autor da pesquisa, o tratamento contra o câncer diagnosticado poderá ser realizado em um dia. Por meio da luz ultravioleta e do ácido aminolevulínico (ALA), aplicado em forma de pomada na área com aparência doente, o tecido lesado tem seus componentes químicos alterados e o aparelho emite uma luz vermelha capaz de ativar o ácido realizando o tratamento.

Esse método evita a retirada cirúrgica de tecido, pois a luz vermelha emitida oxida e mata as células com câncer. “A intensidade da luz, o comprimento de onda emitido, a cor e o tempo de iluminação são decisivos para que o método funcione. Também é preciso especificar quais são os tipos de lesões em que o tratamento pode ser feito” completa Costa.

De acordo com Lincoln Fabricio, dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e chefe do serviço de dermatologia do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba (Huec), esse equipamento se utiliza de um método já conhecido na área, denominado terapia fotodinâmica. “Ele é útil em lesões superficiais ou quando a cirurgia está contraindicada por algum motivo maior. Assim, trata-se de mais uma opção no arsenal terapêutico já utilizado no nosso dia a dia” explica.

O equipamento ainda precisa ter seus resultados comprovados com mais estudos para conseguir aprovação dos órgãos reguladores de saúde. O dermatologista Carlos Augusto Silva Bastos, também membro efetivo da SBD, ressalta que essa terapia possui alto potencial estético. “Pela característica deste método em conferir grande especificidade de ação, com efeito destrutivo mais intenso nas células alteradas do que no tecido sadio, isto vai permitir que o resultado estético seja superior aos métodos convencionais, desde que seja feito nos estágios mais precoces” completa.

Além do câncer, estudos têm demonstrado bons resultados da terapia fotodinâmica em tratamento de onicomicoses, acne e rejuvenescimento.

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