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Extrato tópico de maconha para o tratamento do câncer de pele

Especialistas da empresa de biotecnologia Cannabis Science Inc., nos Estados Unidos, anunciaram, em abril de 2011, que a aplicação tópica do extrato de maconha é eficaz no tratamento do carcinoma basocelular, o câncer de pele que é diagnosticado através de uma lesão (ferida ou nódulo) com uma evolução lenta.

O uso e o efeito dos canabinoides no tratamento do câncer ainda geram controvérsias. Até hoje, nenhum ensaio clínico formal foi realizado para confirmar o potencial terapêutico de extratos da maconha para o tratamento de câncer. Entretanto, um número significativo de observações casuais sugere que as pessoas que sofrem de vários tipos de câncer parecem ter sido curadas pelo uso de uma substância conhecida como “Óleo de cânhamo Rick Simpson”.

De acordo com a Cannabis Science Inc., “todos os vertebrados – do momento da concepção até a morte – têm os sistemas do corpo regulados por endocanabinoides (compostos produzidos pelo corpo similares aos da maconha). Todos os seres vivos estão sujeitos a desequilíbrios bioquímicos comuns que estão por trás do envelhecimento e todas as doenças ligadas à idade, incluindo o câncer. Mais de 600 artigos revisados ​​mostram que vários tipos de câncer são mortos por canabinoides em cultura de tecidos e estudos com animais. Além disso, os canabinoides inibem os processos bioquímicos envolvidos na metástase”.

Pesquisa

Para estudar os efeitos do extrato da maconha, os especialistas da Cannabis Science Inc. realizaram um tratamento em uma paciente da Austrália, da região de Queensland, que apresenta as maiores taxas de incidência de câncer de pele do mundo. Antes do tratamento, ela passou por uma série de cirurgias para remover lesões causadas pelo carcinoma basocelular em seu rosto.

Mesmo assim, uma nova ferida apareceu na sua bochecha direita. A partir daí, ela tentou o tratamento com extrato de maconha. A substância foi aplicada diariamente até que o médico cirurgião constatasse que não havia mais necessidade de cirurgia. Entretanto, após este tratamento surgiu mais uma ferida no nariz da paciente, que também foi tratada com o extrato de maconha e desapareceu após dez dias de aplicação da substância.

Maconha para o tratamento do câncer

Esta não é a primeira vez que a maconha é associada ao tratamento do câncer. Na década de 70, surgiram os primeiros remédios à base de THC sintético, que começaram a ser utilizados para aliviar o sofrimento decorrente do câncer. Estes medicamentos auxiliavam, principalmente, a amenizar o mal-estar decorrente da quimioterapia.

Mel e babosa contra o câncer

Uma pesquisa desenvolvida pela bióloga Rebeka Tomasin, do Laboratório de Nutrição e Câncer da Unicamp, pode resultar em novas possibilidades para o tratamento do câncer. A tese de mestrado de Rebeka foi em cima de uma pesquisa com cobaias portadoras de tumor tratadas com um homogeneizado de mel e aloe vera (babosa).

Rebeka conta que a ideia inicial surgiu na sua graduação. “Eu sabia que a medicina popular utilizava mel e aloe vera como remédios anticâncer, então resolvi pesquisar esse composto a fundo para descobrir se teria ou não bons resultados”, conta. Até agora a bióloga realizou apenas testes em cobaias, que comprovaram a ação antitumoral do homogeneizado. “Nós sempre comparamos um grupo de animais com tratamento e outro sem. No grupo não tratado, por exemplo, o tumor correspondia a 12% do peso corporal – já nos animais tratados com o homogeneizado, esse número era de 6%”.

No grupo submetido ao tratamento o tumor era menor, o animal tinha menor degradação das reservas e maior sobrevida. “Identificamos agressões ao tumor e não observamos nenhum efeito colateral nos animais”, comemora Rebeka. Ela conta que o próximo passo será isolar as substâncias responsáveis por essa diminuição do tumor. “Isso vai continuar no meu doutorado: vamos descobrir o que tem o efeito antitumor e como isso acontece”, relata a bióloga.

“Cerca de 70% dos quimioterápicos tem sua origem em plantas – mas quem sabe? Vai que eu isolo uma substância totalmente nova, que afete o tumor de uma forma diferente e não cause tantos danos ao paciente?”, explica Rebeka. “Se isso acontecer pode significar um novo tratamento contra o câncer, já que o maior problema da quimioterapia é que ela é extremamente agressiva”, explica.

Brasileiro cria nova tecnologia para tratamento do câncer

O estudante cearense Ivan de Morais, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), é o responsável por um grande avanço no tratamento do câncer. Ele está desenvolvendo uma pesquisa sobre o tratamento de tumores com fármacos nanoparticulares magnéticos, que prometem diminuir os danos ao paciente e atacar o tumor com mais rapidez e eficácia.

José Wally Menezes, professor-orientador de Ivan, explica como estes fármacos funcionam. “São inseridas nanopartículas magnéticas na composição do medicamento (ou fármaco)”, fala. “Os tumores possuem temperatura diferente das outras células do corpo e, por conta disso, os fármacos nanoparticulares conseguem identificar e buscar o tumor dentro do organismo”. A partir desta técnica os remédios atacariam diretamente as células cancerosas, com menos danos ao corpo do paciente.

Ivan conta que a ideia para esta pesquisa surgiu durante seu curso de física, na Universidade Federal do Ceará (UFCE). “Lá eu não tive a oportunidade de escrever um artigo – fiz isso quando vim para o Instituto, e do artigo surgiu a ideia do aprofundamento através de uma pesquisa detalhada”, relata o aluno e pesquisador. “Agora é hora de começar os estudos em si: fechamos uma parceria entre o IFCE e a UFCE e vamos colocar essa teoria à prova”.

A pesquisa de Ivan está caminhando: os próximos passos são o desenvolvimento do software que permite inserir as partículas na composição do medicamento, simular o comportamento do fármaco no organismo e, só então, começar os testes – feitos primeiramente em cobaias e, caso o resultado seja promissor, em humanos. “Não podemos estipular uma data certa para isso tudo, mas trabalharemos por cerca de três anos”, afirma Ivan.

O professor Wally tem esperanças de que a tecnologia desenvolvida por Ivan – que alia os compostos já existentes com a nanotecnologia – possa revolucionar o tratamento do câncer. “Magneticamente você consegue detectar algo que a radio e a quimioterapia não conseguiriam, e isso é muito menos traumático para o paciente”, comemora.

Dois milímetros que salvam vidas

A cirurgia para a remoção da mama ainda é a maneira mais eficaz de tratamento para esse tipo de câncer. O cuidado deve ser tomado para que não fique nenhum resíduo da doença, que pode causar o retorno do câncer de mama. Um grupo de cirurgiões do Hospital Boa Esperança, em Sutton Coldfield (Reino Unido), estudou mais de 300 mulheres submetidas à cirurgia de mama, entre 2003 e 2008, e constatou que a remoção adicional de 2 mm do tecido em torno da área atacada pelo tumor como margem de segurança é suficiente para minimizar os resíduos da doença em 98% das pacientes.

O estudo, publicado este mês no International Journal of Clinical Practice, acaba com a polêmica levantada em 2007 também no Reino Unido. Naquele ano uma pesquisa de opinião feita com 200 cirurgiões de mama no país revelou uma divergência no que era considerada a margem de segurança adequada: 24% defendiam apenas 1 mm e 65% defendiam 2 mm ou mais.

Stephen Ward, médico responsável pelo novo estudo, avalia que os dados obtidos ao longo de anos de pesquisa demonstram que a remoção adicional de 2 mm produz os mesmos resultados que a cirurgia de conservação de mama aliada à radioterapia.

No Brasil, a margem de segurança é adotada há muito tempo. Vera Lobo, patologista do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e membro do departamento de Patologia da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), afirma que em casos de tumor invasivo (como na pesquisa do Reino Unido) a margem de segurança é a garantia da remoção total do câncer. “Na prática os cirurgiões sempre trabalham com margem de segurança que, dependendo do caso, pode chegar a 1 cm”, afirma. “A questão deve sempre ser avaliada de acordo com o caso”.

Bactéria geneticamente modificada produz remédio anticâncer

Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, conseguiram, através da modificação genética, que uma bactéria sintetizasse uma substância utilizada no tratamento do câncer. A produção por meio do microrganismo pode reduzir o custo atual do remédio Taxol, cuja uma única dose pode valer mais que R$ 16 mil.

O alto custo do paclitaxel, ou Taxol, como é comercializado, justifica-se pela dificuldade de obtenção do seu principal componente, derivado da casca do teixo-do-pacífico. Essa árvore cresce muito lentamente e o tratamento de apenas um único paciente de câncer exige o corte e processamento de duas a quatro árvores, que levam dezenas de anos para atingir o tamanho ideal de corte. Esse processo encarece o preço do medicamento que é empregado em quimioterapia de tumores de ovário, mama e pulmão.

Bactéria modificada

O estudo utilizou a bactéria Escherichia coli, uma das mais comuns conhecidas pelo homem e que já vinha sendo investigada para a produção de paclitaxel. Mas, a pesquisa conseguiu resultados em escala inédita. Segundo publicado na revista Science, a bactéria E.Coli não produz naturalmente o taxadieno, que é um precursor do paclitaxel, mas pode sintetizar um composto chamado IPP, que está muito próximo de se transformar em taxadieno. Para que essa transformação ocorra, são necessários outros componentes que a bactéria não possui, encontrados somente em plantas.

O pesquisador Gregory Stephanopoulos e outros cientistas modificaram geneticamente a E. Coli, adicionando genes de plantas na bactéria para que as reações que faltavam ocorressem e ela produzisse o composto desejado. O resultado foi surpreendente: além de alcançar o objetivo do estudo, os cientistas conseguiram variar o número de cópias dos genes, de modo a se aproximar de um paclitaxel que não derive necessariamente do teixo-do-pacífico – a planta que encarece o custo do remédio – com a conversão do taxadieno em taxadieno 5-alfa-ol. Segundo a agência de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é a primeira vez que esse segundo composto é produzido em microrganismos.

Medicamento sintético

Os cientistas alertam que não se trata, ainda, de um medicamento sintético, mas já é o primeiro passo nesse sentido. “Trata-se de um desenvolvimento muito promissor e que apoia a abordagem adotada”, disse Blaine Pfeifer, professor em Tufts e um dos autores do estudo.

“Se pudermos fazer um Taxol mais barato, será ótimo. Mas, o que realmente nos empolgou é a perspectiva de usar essa plataforma para descobrir outros compostos terapêuticos, isso em um momento de declínio do surgimento de novos produtos farmacológicos e de grande elevação nos custos para o desenvolvimento de medicamentos”, disse Stephanopoulos.

Nanotecnologia amplia horizontes para tratamento do câncer

Novidade promissora na medicina moderna, as nanopartículas vêm sendo utilizadas em pesquisas recentes em busca de tratamentos para tumores. Um estudo realizado nas Universidades da Califórnia e de Santa Barbada em San Diego, nos Estados Unidos, a ser publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, mostra o uso de um sistema em que nanopartículas diferentes trabalham juntas para encontrar e destruir tumores.

Os testes da pesquisa, realizada inicialmente em ratos, utilizaram em um coquetel dois tipos de nanopartículas: uma projetada para encontrar os tumores e se aderir a eles e outra para destruí-los. O primeiro tipo de nanomaterial infiltra-se nos vasos sanguíneos e se acumula nos tumores, cobrindo-os completamente após três dias circulando na corrente sanguínea. As primeiras nanopartículas podem funcionar como pequenas antenas que, controladas por um laser infravermelho, aquecem os tumores. Aquecido, o tumor pode ser encontrado e destruído pelas outras nanopartículas, compostas por cadeias de óxido de ferro ou lipossomos carregados com doxorrubicina, uma droga anticâncer.

Embora as pesquisas ainda não tenham sido realizadas em humanos, os testes em ratos mostraram boas respostas e minimização de danos colaterais no resto do corpo.

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