Um estudo realizado no Canadá indica que a depressão pode atrapalhar as chances de sobrevivência de pacientes com câncer. Ao reunir e revisar 26 pesquisas separadas que envolveram mais de 9,4 mil pacientes, cientistas da Universidade de British Columbia descobriram que o número de mortes é 25% maior naqueles que mostravam sintomas de depressão. Nos casos de pacientes realmente diagnosticados com o problema, a taxa de mortalidade é 39% maior.
O risco também permanece mesmo quando consideradas outras características clínicas que afetam a sobrevivência. Para os pesquisadores, a descoberta enfatiza a necessidade de se examinar com cuidado os pacientes de câncer para avaliar se não há sinais de problemas psicológicos.
Segundo os cientistas, no entanto, ainda é necessário realizar novas pesquisas antes de se chegar a uma conclusão definitiva, já que é difícil descartar outros fatores que podem influenciar no quadro clínico de um paciente com câncer.
O câncer e a depressão
Para a psicóloga e psicanalista Claudia Sofia Ferrão Baroni, apesar dos avanços na área da oncologia, o câncer continua sendo uma doença estigmatizada e carregada de preconceitos, cujo diagnóstico, comumente, afeta não só o paciente, como também aqueles que se relacionam com ele.
“A ruptura na forma habitual da vida, a frustração de sonhos e projetos, o caminho do tratamento – por vezes incerto, doloroso e prolongado -, a incerteza e a insegurança de futuro são aspectos que podem abalar a integridade psicológica dos pacientes, os tornado fragilizados e vulneráveis” argumenta Claudia.
A doença muitas vezes desencadeia reações emocionais como medos e fantasias, culpas e questionamentos, revolta e incerteza, inquietações e desamparo. “Os pacientes devem ser acolhidos pela família e, sobretudo, pelos profissionais. Não é raro o paciente apresentar um estado de profunda tristeza que deve ser visto com cautela, uma vez que pode dar lugar à depressão propriamente dita” alerta.
Sintomas da depressão nos pacientes com câncer
A psicóloga explica que para se fazer um diagnóstico de depressão é necessário que o paciente possua alguns sintomas em conjunto como:
• Humor deprimido;
• Alterações de apetite e sono;
• Perda de interesse e motivação;
• Dificuldade de concentração;
• Sentimento de pesar e fracasso;
• Lentificação das atividades físicas e mentais, entre outros.
Os sintomas corporais mais comuns são:
Sensação de incômodo no batimento cardíaco;
• Dores de cabeça;
• Constipação e dificuldades digestivas.
Claudia diz que períodos de melhora e piora são comuns, ou seja, a oscilação com relação a todos estes sintomas pode acontecer. “Por isso é fundamental que o paciente seja avaliado por um profissional. É importante fazer o diagnóstico diferencial entre sentimento de tristeza, sentimento este esperado neste contexto, e quadro de depressão propriamente dito, que necessita de tratamento medicamentoso e tratamento psicológico” acrescenta.
Claudia Sofia Ferrão Baroni é Psicóloga clínica, psicanalista, mestranda em psicologia clínica no programa de psicologia hospitalar e psicossomática da PUC-SP e membro do conselho científico da ABCâncer.