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Casos de dengue tipo 4 abrem caminho para dengue hemorrágica

Desde 2010, quando foram confirmados os primeiros casos de dengue tipo 4 em 28 anos, as autoridades vêm estudando a hipótese deste tipo de dengue se espalhar pelo país. A maior preocupação está justamente no fato de ser um vírus que não circulava em território nacional por um bom período de tempo e, com isso, as pessoas não estão imunes a ele – correndo-se um risco de surtos e até de epidemias.

A falta de imunidade para o vírus tipo 4 seria o fator que mais tem contribuído para o aparecimento de novos casos. Isso porque quem já teve contato com a doença, na forma de DEN-1, DEN-2 ou DEN-3, adquiriu imunidade para ela. Mas como o vírus tipo 4 estava ausente há 28 anos, é raro encontrar alguém que tenha tido contato com esse vírus.

A dengue tipo 4 não é mais grave que os outros tipos de dengue, 1, 2 ou 3. Os sintomas são idênticos: dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, febre, diarreia e vômito. Tanto a dengue tipo 4 quanto as demais podem evoluir para dengue hemorrágica, forma mais grave da doença.

Dengue clássica x dengue hemorrágica

Enquanto os sintomas da dengue tradicional são febre, dores musculares e em todo o corpo, cansaço, enjoo, vômito e indisposição, a dengue hemorrágica é mais grave, podendo inclusive causar a morte. “Mas é importante alertar que dengue hemorrágica não tem sempre relação com sangramento, apenas nos casos extremamente graves”, afirma o infectologista Fernando Aoki, da Faculdade de Medicina da Universidade de Campinas (Unicamp).

Os sintomas da dengue hemorrágica são os mesmos da dengue clássica, seguidos de pressão baixa, extremidades frias, derrames em algumas cavidades internas do corpo e pequenas hemorragias. A dengue hemorrágica é originada por um problema de coagulação.

De acordo com o infectologista, quanto mais vezes uma pessoa tiver contato com o vírus da dengue, maiores as suas chances de desenvolver dengue hemorrágica. Isso poderia ser explicado devido a uma excessiva resposta imunológica do organismo ao vírus, representada pela reação das células de defesa do corpo – linfócitos e macrófagos – com o aumento da produção da substância chamada cinina, responsável pelo processo de aumento da permeabilidade vascular, que leva a perda de líquidos para fora dos vasos. Isso corresponde à queda da pressão arterial e o choque, que é a principal causa de óbito por dengue hemorrágica.

Situação preocupante

Como o sistema imunológico humano se imuniza contra o vírus da dengue, quem teve contato com o vírus tipo 1 só poderá ter contato e desenvolver a doença dos tipos 2, 3 e agora 4 . O que preocupa é que é que quanto maior a gama de vírus e mais precárias as condições de saneamento básico, maior a possibilidade de uma pessoa vir a desenvolver várias formas da doença ao longo da vida. “Há inclusive uma tendência de epidemia no próximo ano no Brasil. É uma situação de alerta”, afirma Francisco Aoki.

Novos avanços no estudo da vacina contra HIV

Uma pesquisa brasileira, liderada pelo professor do Departamento de Clínica Médica e pesquisador do Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Edécio Cunha Neto, divulgada em fevereiro deste ano, mostra avanços na investigação pela vacina contra o vírus HIV. O estudo, que teve início em 2002, publicou as características funcionais de uma vacina pensada em gerar uma resposta imune das células alvo do vírus HIV.

Historicamente, cerca de 200 modelos de vacinas contra o vírus HIV já foram testados, porém até hoje não existe uma vacina que seja segura contra o vírus. “A vacina que estamos desenvolvendo é pensada em preencher as lacunas que as outras vacinas não preenchiam, dando uma resposta imune efetiva no paciente”, afirma o pesquisador.

Diferenciais da vacina

Uma vacina ideal contra o vírus HIV seria aquela que bloqueasse a própria infecção, gerando anticorpos que impedissem que o vírus entrasse na célula. Mas dada a característica mutável do vírus até hoje isso não foi desenvolvido. Os pesquisadores brasileiros seguiram uma linha alternativa, de gerar uma resposta imune no organismo, fortalecendo os linfócitos TCD 8 a matar as células infectadas pelos vírus. Além dos TCD 8, a vacina também atua nos linfócitos TCD 4+, que servem de apoio ao T CD8, aumentando seu poder defensivo.

Outro avanço na pesquisa brasileira foi criar uma vacina focada nos fragmentos fixos do vírus, que não sofrem mutação, ao invés da proteína inteira, buscando uma imunização mais eficaz. “Não fornecendo a proteína inteira, ressaltamos apenas algumas partes do vírus. Assim, quando ele entra em contato com o organismo vacinado, ele terá uma resposta a esses fragmentos”, explica Neto.

Perspectivas do estudo

Os resultados da pesquisa têm entusiasmado os pesquisadores. A estimativa é que até o final do ano sejam realizados testes da vacina em macacos e em uma espécie de camundongo geneticamente modificada. “Vamos realizar testes num camundongo que recebeu o sistema imune humano. Por conta disso, ele se infecta com HIV e se comporta como um paciente humano, com diminuição de TCD4+ e aumento do vírus, e vamos saber como vai reagir à vacina”, diz o pesquisador.

Já para o teste em humanos, pode ser que leve um pouco mais de tempo, devido ao seu alto custo. “O teste de eficácia, feito em humanos, só pode ser realizado após um resultado de proteção. Requer milhares de voluntários, um acompanhamento de vários anos e um investimento de centenas de milhares de dólares. Esses não são recursos que um pesquisador consiga pedir num CNPq”, conclui o professor.

Atuação do vírus

O vírus HIV atua principalmente nos linfócitos, em especial os linfócitos T CD4+, que são as células do sistema de defesa do corpo humanosistema imunológico. Nestas células, o vírus passa a fazer cópias de si mesmo e altera o DNA das células. Ao serem infectadas, essas células passam a funcionar com menos eficiência, enfraquecem. A habilidade do organismo de combater doenças diminui, ficando mais vulnerável ao aparecimento de doenças oportunistas.

Descoberta célula que impede que o sistema imunológico reaja ao câncer

Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram que um tipo de célula do estroma, que expressa a proteína alfa de ativação dos fibroblastos (FAP), desempenha importante papel na supressão da resposta imunológica na presença dos tumores cancerosos. Presentes em muitos tipos de câncer, essas células impedem o uso de vacinas e outras terapias que dependem das respostas do sistema imunológico para contra-atacar a doença.

De acordo com a pesquisa, publicada na revista Science, a destruição dessas células permite o controle de um tumor previamente sem domínio pelo sistema imunológico do paciente. “Encontrar as células específicas, dentro da complexa mistura do câncer, que impeçam a reação imunológica é um passo importante. O prosseguimento dos estudos, sobre como essas células exercem seus efeitos, pode contribuir para a melhoria das terapias imunológicas, permitindo-nos remover a barreira do câncer,” explica Douglas Fearon, coordenador da pesquisa.

As atuais vacinas desenvolvidas para induzir o sistema imunológico a atacar as células cancerosas têm mostrado alguma capacidade para ativar uma resposta imunológica no corpo. Porém, de forma inexplicável, elas ainda não afetaram o crescimento dos tumores. Os especialistas da área suspeitam que a atividade de células imunológicas é suprimida de alguma forma dentro do ambiente tumoral. Situação essa que até agora não conseguiu ser ultrapassada, porém o estudo começa a dar as primeiras luzes sobre o motivo pelo qual a resposta imune é suprimida.

Estroma

A pesquisa da Universidade de Cambridge também constatou que pelo menos um componente supressor é encontrado dentro das células de tecido normal, chamadas de células do estroma, que os tumores utilizam para sua sobrevivência.

A célula que está sendo estudada agora expressa uma proteína única também associada à cicatrização de ferimentos, a proteína alfa de ativação dos fibroblastos. Essas células são encontradas em vários tipos de câncer, como o de mama e o câncer de colorretal.

Mesmo comemorando o sucesso da descoberta, Fearon alerta que “estes estudos foram feitos em camundongos e, embora haja muita sobreposição entre o sistema imunológico humano e dos ratos, nós não sabemos a importância destas descobertas para os seres humanos até que sejamos capazes de interromper a função das células do estroma tumorais expressando FAP em pacientes com câncer”.

Estudo aponta que alérgicos podem ter menos chances de ter câncer

Uma pesquisa recentemente lançada nos Estados Unidos pode relacionar duas patologias que até hoje desafiam a medicina: alergia e câncer. Cientistas da Universidade Texas Tech publicaram um estudo epidemiológico que avaliou a prevalência de asma em três grupos de pacientes: com câncer de ovário, com histórico de infarto e com histórico de fratura óssea. No estudo, foi descoberto que os pacientes do primeiro grupo possuíam uma incidência de asma 30% menor. Embora o resultado seja insuficiente para qualquer hipótese, o estudo não é isolado: uma série de pesquisas nos Estados Unidos que vem sendo desenvolvida nos últimos anos tentam estabelecer essa mesma conexão. Exemplo mais eficaz é o projeto conduzido pela Universidade Cornell, na cidade de Ithaca, que apontou que crianças alérgicas a partículas presentes no ar têm 40% menos chances de desenvolver leucemia.

A iniciativa de vincular o câncer à alergia não é, entretanto, sem fundamento. Segundo a presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia do Estado de São Paulo (Asbai-SP), Ana Paula Castro, a maneira como nosso sistema imunológico reage exageradamente a algumas substâncias pode servir como um treinamento dos anticorpos. “As neoplasias são justamente desencadeadas, entre outras coisas, por uma falta de vigilância do sistema imunológico. Então, pode-se fazer tal correlação.” Ela ressalta, porém, que as causas do câncer e da alergia não são completamente conhecidas, e que os estudos apresentados preocupam-se, primeiramente, em fazer a conexão das doenças, deixando as explicações para um outro momento. “Quando falamos de câncer e alergia é fundamental lembrar que há pelo menos uma centena de tumores diferentes e diversos tipos de alergia, ou seja, parecem iguais, mas são muito diferentes”, diz.

Na opinião da médica, a evolução dessa pesquisa será importante para entender definitivamente o funcionamento de nosso sistema imunológico: “saberemos manipular melhor os tratamentos e, certamente, no combate ao câncer, poderemos utilizar medicamentos que estimulem a resposta imunológica de uma maneira diferente do que é feito”, acredita. Os outros estudos provaram estar no caminho certo: a Universidade de Minnesota apontou uma diminuição da probabilidade de alérgicos desenvolverem câncer de estômago e linfomas não-Hodgkin; e a Universidade Havard produziu uma pesquisa que relaciona doenças como asma, eczema, febre do feno e outras alergias a uma diminuição da propensão ao câncer de cérebro.

Os dados sobre alergia no Brasil, de acordo com Ana Paula, são principalmente relacionados a crianças. “Os estudos epidemiológicos revelam que até 30% das crianças entre seis e sete anos podem apresentar rinite alérgica, 15 a 20% podem apresentar asma e até 10% podem apresentar dermatite atópica”, explica.

Segunda dose de vacina em idosos é eficaz como a primera

A pneumonia é um processo infeccioso nos pulmões, que pode ser causado por diversos agentes como vírus, fungos e reações alérgicas. No entanto, as principais causadoras da pneumonia são as bactérias do tipo pneumococo. A vacinação contra esse processo existe e é eficaz entre as pessoas jovens, mas especialistas ainda desconhecem o número de doses necessárias para prevenir a doença entre idosos, principais vítimas fatais da doença. Contudo, um recente estudo da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas  mostrou que a segunda dose da vacina em pessoas com mais de 65 anos tem se mostrado tão eficaz quanto a primeira dose.

Segundo o professor de pneumologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Dr. João Adriano de Barros, um dos principais fatores de risco é o acúmulo de sangue no espaço alveolar, responsável pela troca gasosa entre os pulmões e a corrente sanguínea. “Esse acúmulo permite às bactérias circularem pelo sangue e causar uma infecção disseminada”, explica o professor. Segundo ele, no caso dos idosos em particular, há uma insuficiência respiratória natural causada pelo envelhecimento dos pulmões, além do enfraquecimento do sistema imunológico por diversos fatores. “Isso faz com que a infecção seja mais grave nesse grupo de pessoas”, conta.

A vacina

No Brasil, a vacina 23-valente, ou 23-polivalente, é a única autorizada para uso adulto pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Segundo o Dr. Barros, ela induz o organismo a produzir anticorpos contra vinte e três dos tipos mais frequentes de pneumococos. “Assim como na gripe, a intenção da vacina não é erradicar a doença, mas impedir a proliferação de casos mais graves”, explica Barros. Ele acrescenta ainda que a vacina não impede as infecções pneumônicas por vírus e outras formas bacterianas. Ainda de acordo com o médico, a segunda dose tem como efeito reforçar a produção dos anticorpos pelo organismo. Como os idosos têm o sistema imunológico um pouco mais enfraquecido, a segunda dose, cinco anos depois da primeira, tende a ser tão importante quanto a primeira.

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