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Terapia anticâncer usa o próprio câncer

Quando se fala em tratamentos para o câncer, inúmeras opções vêm à mente: de medicamentos sofisticados à quimioterapia, radioterapia , passando por cirurgias até bastante invasivas. Mas uma pesquisa feita na Mayo Clinic, nos Estados Unidos, apontou uma alternativa um tanto quanto inovadora para combater tumores: usar outros tumores.

O estudo, divulgado em junho de 2011, afirma que um gene mutante presente no câncer da tireóide, e responsável pela aceleração do crescimento desse tumor, pode também ser usado para inibir a dispersão de células malignas de outros cânceres.

Grandes benefícios

A descoberta traz grandes vantagens para a pesquisa oncológica mundial. Além de fornecer uma alternativa no tratamento tradicional do câncer, com derivados dessa proteína, também ajuda os especialistas a identificarem melhor o tipo de câncer da tireóide – se benigno ou maligno.

Essa distinção tem se mostrado um verdadeiro desafio para os especialistas, e ocasionado muitas cirurgias desnecessárias, já que um diagnóstico correto só é possível, até então, com a retirada do material cancerígeno.

Supressão do tumor

Ao contrário do que se pensava, a pesquisa demonstrou que a proteína de fusão PAX8/PPAR não estimula a propagação de tumor, mas sim funciona como um supressor dele. Isso porque ela estimula a produção natural de microRNA-122 e PTEN, agentes antitumorais naturais. Essa proteína deriva de um gene encontrado em tumores de tireóide.

Segundo um dos pesquisadores líderes do estudo, Honey Reddi, “a PAX8/PPAR não impulsiona a progressão do tumor quando exposto às células cancerosas. Pelo contrário, sua facilitação do trabalho de outras moléculas anticâncer naturais parece compensar a propagação do tumor. Tumores cresceram aproximadamente quatro vezes mais lento em camundongos expostos ao gene PAX8/PPAR do que aqueles que foram privados da proteína”.

Agora, novos estudos são previstos numa segunda etapa. O objetivo da equipe é indentificar a existência de outros marcadores que possam auxiliar a identificação de um tumor benigno e evitar uma cirurgia desnecessária.

Resistência aos quimioterápicos

Um dos grandes entraves para a quimioterapia e radioterapia é a própria mutação das células cancerígenas que acabam adquirindo resistência ao tratamento e não respondendo mais às medicações. Porém, pesquisadores da Universidade do Estado da Louisiana, nos Estados Unidos, afirmam ter compreendido um mecanismo pelo qual os tumores se defendem da quimio e radioterapia.

Usando a cisplatina, droga quimioterápica geralmente usada como primeiro combate aos vários tipos de câncer, os estudiosos descobriram que a redução da produção da proteína B1N1 influencia o processo de reparo de DNA e, portanto, o desenvolvimento do tumor. “Nosso estudo providencia um mecanismo forte e inédito pelo qual o câncer adquire resistência ao dano no DNA”, acredita Daitoku Sakamuro, professor de patologia da Universidade da Louisiana que liderou a equipe de pesquisadores.

O DNA é um dos focos de atuação dos tratamentos contra o câncer, já que é o primeiro item celular a se dividir e o principal objetivo dos medicamentos é impedir que as células cancerosas se multipliquem.

Fatores

A resistência às drogas quimioterápicas ainda é a principal causa de óbito de pacientes com câncer. Essa resistência pode ser explicada pela própria mutação da célula cancerígena, que adquire nova codificação genética, ou porque, ao ser exposta a uma droga, acaba sendo estimulada a desenvolver um novo tipo celular, imune ao medicamento. Outro fator que contribuem para que o tumor adquira resistência aos tratamentos é o caso de tratamento descontinuado.

Estudos anteriores

Já em 2008, outro estudo havia sido publicado na revista britânica Nature sobre resistência aos quimioterápicos, reportando o caso de pacientes que sofriam de câncer no ovário e acabavam se tornando resistentes à quimioterapia.

Novamente, a reparação do DNA influenciava o processo. O estudo do Centro de Pesquisa sobre o Câncer Fred Hutchinson, em Seattle (EUA), demonstrou que quando são expostas à cisplatina, certas células de câncer do ovário desenvolvem mutações secundárias do gene BRCA2, que lhes devolvem a capacidade de reparar o DNA e permitem assim que tumor se torne resistente aos ataques da quimioterapia.

Remoção de gânglios é ineficaz em certos casos de câncer de mama

Médicos americanos do Centro de Saúde Saint John, na Califórnia, divulgaram pesquisa no dia 8 de fevereiro de 2011 que desencoraja a remoção total de gânglios linfáticos da região das axilas em mulheres diagnosticadas com câncer de mama. Segundo o estudo, o procedimento mostrou-se tão eficiente quanto à remoção parcial dos gânglios afetados por tumores. Em outras palavras, para as mulheres, isso significa uma cirurgia menos invasiva e menores riscos de infecções pós-operatórias, bem como outros sintomas, como dores e inchaço no local.

Participaram da pesquisa 859 mulheres que tiveram tumores removidos e depois passaram por sessões de radioterapia ou quimioterapia. Os resultados, que foram divulgados no Journal of the American Medical Association, mostram que as mulheres que tiveram apenas os gânglios afetados removidos apresentaram os mesmos índices de cura que as que passaram pela remoção completa.

As sessões de radioterapia e quimioterapia são eficientes para atacar células cancerígenas antes que elas tenham tempo de se espalhar. O procedimento é indicado principalmente para pacientes que tiveram a doença diagnosticada em estágios iniciais, mas outras hipóteses não são descartadas, pois são levados em conta dados como idade, histórico familiar, nível de agressividade do tumor e desejo da mulher, afirmam os médicos.

A pesquisa vem ao encontro da tendência de se retirar menos tecidos das doentes, com o objetivo de preservar o corpo e evitar operações reparadoras e sequelas. No Brasil, a prática é difundida e muitos médicos realizam a resseção axilar, que é a retirada de apenas alguns gânglios para análise.

Para especialistas brasileiros, o estudo vai na linha cada vez menos invasiva e abre nova perspectiva no tratamento do câncer. “Antes, retirávamos toda a mama. Depois, passamos a retirar parte dela e, agora, nem mesmo é necessária a retirada de todos os linfonodos”, afirma Rafael Kaliks, oncologista do Hospital Albert Einstein.

Perspectivas

De acordo com o oncologista do Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Cid Gusmão, é provável que, em até cinco anos, nenhuma mulher com câncer em estágio inicial faça a retirada total dos linfonodos.

Cirurgias como a lumpectomia são menos invasivas, pois é um procedimento que conserva a mama, retirando apenas o tumor e parte dos tecidos ao redor. Por outro lado, outros procedimentos como a quadrantectomia e a mastectomia, por exemplo, chegam a retirar todo o seio ou partes dele.

Os gânglios linfáticos são órgãos que filtram o líquido em circulação no seio, destruindo ameaças ao organismo como bactérias e células cancerígenas.

Exercícios físicos ajudam no combate ao câncer de próstata

Durante 18 anos, a Universidade da Califórnia e a Harvard School of Public Health, nos Estados Unidos, acompanharam estudos com mais de 2.700 homens diagnosticados com câncer de próstata. A conclusão é que homens que têm a doença e praticam exercícios físicos regularmente têm menos chances de morrer vítima da enfermidade.

O estudo foi divididos em três grupos: o primeiro para praticava exercícios vigorosos (mais de 3 horas por semana); o segundo, exercícios moderados (entre 90 minutos e 3 horas por semana); e o terceiro, exercícios leves (menos de 90 minutos por semana). Os homens praticaram atividades como caminhadas, corrida, ciclismo, natação e trabalhos ao ar livre.

De acordo com a pesquisa, aqueles que praticaram exercícios moderados e vigorosos apresentaram um risco 46% menor de morrer de qualquer causa. No entanto, a pesquisa mostrou que somente a atividade vigorosa foi associada à redução da mortalidade por câncer de próstata. Homens que realizaram tal atividade tiveram um risco 61% menor de morrer da doença.

“Embora acredite que somente um estudo mais completo nos dará uma resposta mais definitiva sobre os benefícios, de qualquer forma a atividade física ajuda no bem-estar das pessoas e são fundamentais tanto para o bem da saúde de maneira geral quanto para a proteção contra vários tipos de câncer”, afirma o coordenador do setor de Urologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Marcos Dall´Ogllio.

Segundo o urologista, além dos exercícios como aponta a pesquisa, uma boa alimentação também pode ser um fator inibitório contra as células do câncer de próstata. “Alimentos derivados da soja, ricos em flavonóides, vegetais como brócolis, tomate, frutas como romã e alimentos que contenham, ômega 3 como a sardinha e o salmão também auxiliam na proteção”. Manter uma dieta saudável com menos gordura, principalmente animal, também pode prevenir o câncer e outras doenças não transmissíveis.

Outras dicas como consultas periódicas ao urologista, depois dos 45 anos também são importantes. “Ressaltando que os homens que têm histórico familiar de câncer em parentes de primeiro grau (pai e avô paterno) apresentam maior risco e devem iniciar o acompanhamento aos 40 anos”, avisa. Nesse caso, pode significar um aumento de 3 a 10 vezes em relação à população em geral. A incidência da mortalidade aumenta em grande quantidade após os 50 anos.

Portanto, homens poderiam reduzir o risco de progressão do câncer de próstata após o diagnóstico acrescentando à atividade física a rotina diária, conclui a pesquisa. O resultado foi publicado na edição do Journal of Clinical Oncology.

Sintomas

O câncer de próstata em sua fase inicial tem uma evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes ao crescimento benigno da próstata – frequência urinária aumentada durante o dia ou à noite e dificuldade miccional.

Em fase avançada, a doença pode apresentar quadro de dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecções generalizadas ou insuficiência renal.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por exame clínico e pela dosagem do antígeno prostático (PSA), que pode identificar a existência da doença e indicar a necessidade da realização de ultrassonografia pélvica.

Tratamento

O tratamento do câncer da próstata depende do estágio da doença. Em fase inicial, cirurgia e radioterapia e até mesmo uma observação vigilante (em alguns casos) pode ser recomendada. Se estiver mais avançada, são recomendados radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal.

Vacina cubana contra o câncer de pulmão

Pacientes com câncer de pulmão parecem contar com um novo aliado na luta contra a neoplasia. Após mais de 15 anos de pesquisa, Cuba registrou a CimaVax EGF, a primeira vacina terapêutica contra esse tipo de câncer, direcionada aos portadores da doença que já passaram pela fase de radio e quimioterapia.

Ao contrário do que o nome induz a pensar, a vacina não é indicada para prevenir a doença, mas para transformá-la em uma doença crônica tratável, conforme afirma a chefe do projeto, Gisela González, do Centro de Imunologia Molecular de Havana.

Na opinião do médico oncologista da clínica Radium, de Campinas (SP), Andre Deeke Sasse, a indicação da vacina, ainda que informalmente, é para pacientes com câncer de pulmão em estágio avançado, que já foram tratados com quimio e radioterapia. “A vacina não é curativa, ela oferece melhor sobrevida a pacientes em estado avançado da doença, podendo chegar a aproximadamente três anos”, afirma. O medicamento já é importado para o Brasil.

Prevenção é o melhor remédio

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a previsão para 2011 é de 27.630 novos casos de câncer de pulmão, sendo 17.800 homens e 9.830 mulheres. Essa neoplasia, que é altamente letal, está associada, em grande parte, ao consumo de derivados de tabaco (90% dos casos). A melhor prevenção de fato não são medicamentos, mas evitar o tabagismo e aumentar o consumo de frutas e verduras

Alguns sinais de manifestação da doença são: tosse e falta de ar, em especial para o tabagista. “Se ele sentir que a tosse não melhora em duas semanas, deve procurar um especialista”, avisa Sasse.

O câncer de pulmão é uma das neoplasias com maior taxa de mortalidade: “Por ser uma doença de difícil detecção, o câncer, quando diagnosticado, é dificilmente curado. Cerca de 80% dos pacientes que sofrem dessa doença acabam morrendo”, afirma o oncologista.

Nova técnica pode revolucionar o tratamento do câncer de olho

Nem só de prevenir a doença vivem as pesquisas oncológicas. Uma das principais preocupações dos cientistas que se destinam a estudar essa área é combater os efeitos colaterais dos tratamentos, que podem ser muito nocivos ao organismo já debilitado do paciente. O melanoma de coróide, um tipo raro de câncer de olho, por exemplo, pode se espalhar para o fígado e para os pulmões, sendo devastador e com altas probabilidades de ser fatal. Porém, seu tratamento mais comum, a radioterapia, também pode trazer consequências drásticas para o paciente, pois a dose de radiação recebida danifica os vasos sanguíneos e os nervos da parte de trás do olho, resultando frequentemente em cegueira — estima-se que em 50% dos casos, após três anos de tratamento.

Esse destino pode ser evitado agora, graças a uma nova técnica desenvolvida pelo cientista, Oliver Scott, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, cujo estudo foi publicado na revista especializada Archives of Ophtalmology. Ele descobriu que um óleo de silicone pode bloquear 55% das radiações nocivas, quando aplicado no interior do olho. A dose de radiação retida por esse óleo é suficiente para prevenir a cegueira na maioria dos pacientes submetidos à radioterapia. A substância, que já era conhecida e usada em tratamentos de descolamento da retina, conseguiu estabelecer um equilíbrio na dose de radiação, sendo ela suficiente para agir sobre o tumor, mas não para atingir as estruturas críticas do sistema ocular. O óleo foi testado em animais em laboratório e não apresentou efeitos secundários nocivos. Agora, sua equipe se prepara para realizar um ensaio clínico.

Scott estudou o melanoma de coróide, que pode acometer qualquer pessoa a qualquer momento da vida, tendo pele clara e longa exposição ao sol como dois importantes fatores para seu desencadeamento. Esse câncer é tratado com a técnica denominada braquiterapia de placa, que consiste na inserção, na parte branca do olho, de uma cobertura de ouro contendo sementes radioativas. A radiação, que incinera o tumor, também provoca danos a longo prazo. “Este é um desenvolvimento significativo na forma como tratamos essa doença. No passado, nós conseguíamos salvar o olho com a radiação, mas salvamos a visão apenas na metade dos casos. Com este tratamento, eu acredito que nós vamos fazer muito melhor no futuro”, afirmou o pesquisador.

Ministério da Saúde anuncia mais de R$ 400 milhões na área de oncologia

O Ministério da Saúde anunciou em agosto de 2010 um investimento de pouco mais de R$ 400 milhões em procedimentos para tratar o câncer. Ao todo, serão nove práticas que passarão a ser incluídas no Sistema Único de Saúde (SUS), além de outras 66 que tiveram seu valor de tabela reajustado pela primeira vez em dez anos. A maior parte do investimento está na reestruturação da assistência oncológica da rede pública. Com esse recurso, o gasto global do ministério com o câncer será de R$ 2 bilhões, 25% a mais que o montante investido em 2009, que foi de R$ 1,6 bilhão.

Os novos procedimentos cobertos pelo SUS incluem cinco tratamentos quimioterápicos para câncer de mama, leucemia aguda e linfoma, três tratamentos para o câncer de fígado e radioterapia. Além disso, os valores de 66 procedimentos, dos quais 20 são radioterápicos e 46 quimioterápicos, serão aumentados.

Na radioterapia, por exemplo, serão somados quase R$ 155 milhões aos R$ 164 milhões já injetados, totalizando um valor 94% superior ao aplicado no ano anterior. Os tratamentos quimioterápicos terão um reajuste ainda mais elevado. O valor coberto pelo SUS da sessão para leucemia linfótica crônica, linha 1, que era de R$ 47,10, passará a ser de R$ 407,50, um aumento de 765%.

Segundo declarações do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o aumento nos valores permitirá remunerar melhor os procedimentos e colocar à disposição dos pacientes novas técnicas e tecnologias. De acordo com dados do ministério, o Brasil conta hoje com pelo menos um hospital oncológico em cada estado e no Distrito Federal.

Radiação de células-tronco aumenta sobrevida de pacientes com glioblastoma

Um estudo realizado na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, pode apontar um progresso no tratamento ao glioblastoma, um tumor raro e grave que se desenvolve no cérebro. Pacientes que receberam doses altas de radiação em uma região do cérebro que abriga boa parte das células-tronco neurais tiveram uma sobrevida maior — praticamente o dobro, de 7.5 para 15 meses, aproximadamente — sem progressão do que aqueles que receberam menos ou nenhuma radiação nessa mesma área.

De acordo com Carlos Gil Moreira, oncologista do Instituto Nacional do Câncer (INCA), esta é uma abordagem muito inovadora. “Durante muito tempo, não tivemos progresso tecnológico no tratamento desta doença, além de algumas drogas quimioterápicas que auxiliam no controle do desenvolvimento do tumor”, afirma. Ele complementa dizendo que os três pilares do tratamento ao glioblastoma sempre foram a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. Sobre este último, o médico comenta a proposta do estudo: “o problema da doença é que as células-tronco que originam o tumor resistem à radioterapia e voltam com mais força. A novidade do estudo consiste em uma dose extra de radiação na região do tumor”.

Moreira explica também que isso é possibilitado graças ao desenvolvimento tecnológico, que permite não só localizar as células do glioblastoma, como também emitir doses de radiação mais precisas nas regiões necessárias. “Isso é muito importante porque a radiação danifica igualmente as células sadias, então é necessária precisão no tratamento”.

Entretanto, o médico adverte, a pesquisa ainda não está concluída: “este é o que chamamos de estudo fase 2, um estudo gerador de hipótese. A abordagem é interessante, mas necessitamos de um estudo fase 3, com mais pacientes, para validá-lo”. Além disso, explica, a próxima fase deverá contar com diferentes hospitais, populações e etnias, para verificar as possíveis variações nos resultados. “Como o glioblastoma é muito grave e a sobrevida dos pacientes é curta, também não se sabe se a irradiação das células-tronco pode acarretar em sequelas mentais ou outro tipo de efeito colateral”, acrescenta.

Conheça o mieloma múltiplo

O mieloma múltiplo é um tipo de câncer que se desenvolve na medula óssea. Caracteriza-se por uma alteração na quantidade de plasmócitos, células hematopoiéticas responsáveis pela produção de anticorpos que protegem o tecido conjuntivo e provocam anemia e outras alterações hematológicas. É o que explica Ana Lúcia Beltrati, onco-hematologista do Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci) e coordenadora do Comitê Médico Científico da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE).

Ela afirma que a doença provoca, entre outras complicações, lesões ósseas denominadas lesões líticas, que causam um desgaste nos ossos, fazendo com que a concentração de cálcio no sangue aumente consideravelmente, a chamada hipercalcemia. Essa deterioração pode provocar fraturas, principalmente no colo do fêmur, coluna ou qualquer osso longo. Ela adverte sobre os sintomas: “também são comuns alterações laboratoriais, como função renal e alterações de proteínas no sangue e na urina”.

Ana Lúcia esclarece que o diagnóstico é feito por meio de exames de sangue e urina, que revelam a alteração da quantidade de proteínas Bence-Jones, secretadas pelas células plasmáticas e na quantidade de anticorpos. Ela cita outras formas de identificar o mieloma múltiplo: “o diagnóstico também pode ser feito por meio de uma biópsia da medula óssea, — chamada de mielograma — ressonância magnética ou raio X de todo o esqueleto, para que sejam verificadas lesões nos ossos”.

O tratamento do mieloma múltiplo varia de acordo com o caso e depende, entre outros fatores, da idade do paciente e do estágio da doença. “Se houver sintomas, o tratamento provavelmente envolverá quimioterapia”, afirma a onco-hematologista. Ele acrescenta que, para pacientes abaixo de 65 anos, o transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas, no qual o material transplantado é retirado do próprio paciente, também pode ser considerado.

Existem outros tratamentos: “a radioterapia também é indicada em alguns casos. Além disso, pode ser feito o uso de medicamentos como Talidomida, Dexametasona, Ciclosporina, Lenalidomida e Bortezomibe. Lembrando que é o médico quem saberá indicar qual é o tipo de tratamento indicado para cada caso”, completa. Ana Lúcia adverte que não há formas de prevenir o mieloma múltiplo e que a doença é mais comum em pacientes com mais de 50 anos.

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