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Testes genéticos auxiliam pesquisadores no combate ao câncer

Pesquisadores de diversos países estão aproveitando os avanços da genética para desvendar o comportamento dos tumores em relação aos tratamentos disponíveis.

Um teste genético, que está sendo desenvolvido por pesquisadores da Grã-Bretanha, será capaz de mostrar, por exemplo, se um paciente com câncer responderá positivamente ao tratamento, ou não. Este exame poderá ajudar os médicos a identificarem se o paciente irá se beneficiar de determinada droga, antes de submetê-lo ao tratamento quimioterápico e a seus efeitos colaterais.

Na Grã-Bretanha, das 45 mil mulheres diagnosticadas com câncer de mama a cada ano cerca de 15% tomam a droga paclitaxel, que foi usada no estudo. Mas uma proporção significativa não reage ao tratamento e, atualmente, isto só é observado quando a paciente já usa a droga há algum tempo.

Os pesquisadores, do Instituto de Pesquisa de Câncer no Reino Unido, analisaram 829 genes de células cancerosas de mama e conseguiram identificar os seis genes diretamente responsáveis pelo sucesso da terapia à base de paclitaxel comumente usada no tratamento desse tipo de câncer.

O estudo revela que, se qualquer um dos seis genes apresentar alteração, isto indica que o medicamento testado não funciona e que as células do tumor continuarão a se dividir de forma descontrolada.

Embora a pesquisa tenha sido realizada em células cancerosas humanas em crescimento em tubos de ensaio, os cientistas acreditam que os resultados poderão ser usados para desenvolver rapidamente um teste clínico.

Pesquisadores britânicos avançam no combate ao câncer

É dos britânicos o mérito pelo desenvolvimento de um procedimento mais rápido para estudar uma classe de células diretamente relacionadas com o câncer: as células-tronco cancerosas. O principal resultado desta descoberta será a produção de drogas mais eficazes contra a doença, com a possibilidade de erradicá-la.

Ao invés de utilizar a técnica da biópsia para retirar amostras de tecido de pacientes com câncer, os cientistas da Universidade de Oxford optaram por retirar linhas de células de câncer do intestino. Walter Bodmer, coordenador da pesquisa, acredita que agora é possível avaliar com mais precisão as drogas para saber se elas atacam tumores malignos. Se não forem erradicadas completamente, as células-tronco cancerosas podem fazer com que o indivíduo desenvolva a doença novamente.

De acordo com o médico Trevor Yeung, do Instituto Weatherall de Medicina Molecular da Universidade de Oxford, as células-tronco cancerígenas impulsionam o crescimento do tumor e se for possível desenvolver um tratamento contra estas células especificamente, será possível identificar a cura definitiva para a doença. Os dados da pesquisa foram publicados na revista “Proceedings of the National Academy of Science”.

Pesquisa sobre estresse e câncer pode trazer novas estratégias de prevenção e terapia

Uma pesquisa realizada na Universidade Yale, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica Nature revelou uma nova maneira através da qual o câncer age no organismo.

O estudo, coordenado por Tian Xu, professor e vice-presidente do conselho de genética de Yale, mostrou que as mutações que causam câncer podem atuar em conjunto para promover o desenvolvimento de tumores, mesmo se estiverem localizadas em diferentes células no mesmo tecido.

A equipe do professor Xu analisou moscas-das-frutas para estudar as atividades dos genes RAS e scribble envolvidos no desenvolvimento de tumores em seres humanos.

Anteriormente, o grupo havia constatado que um tumor maligno era desencadeado pela combinação desses dois genes em uma célula. Porém, na última pesquisa verificou-se que as mutações não precisam estar necessariamente na mesma célula.

A relação entre estresse e câncer

A pesquisa conseguiu ainda constatar que em condições de estresse físico, como um ferimento, o desenvolvimento pode ser desencadeado com maior facilidade. Nos testes realizados, os genes RAS se desenvolveram em tumor, assim que um tecido teve uma ferida induzida.

O oncologista e coordenador do Serviço de Pesquisa Clínica do Instituto Nacional do Câncer (INCA), Carlos Gil Moreira Ferreira, esclarece: “o estresse em questão é predominantemente físico, como radiação, infecções ou inflações crônicas ou exposição a agentes químicos”. Ou seja, ainda é muito cedo para estabelecer grupos de risco relacionados ao estresse psicológico.

Apesar de os pesquisadores considerarem o aumento da possibilidade do acúmulo das mutações uma má notícia, Ferreira ressalta que as descobertas da pesquisa “são importantes, pois mudam o nosso entendimento sobre os eventos necessários para o surgimento de um tumor”.

Embora os indícios mostrem que o desenvolvimento do câncer é menos complexo do que a comunidade médica previa, os autores do estudo acreditam que a descoberta deve auxiliar no desenvolvimento de novas formas de prevenção e tratamento da doença.

Ferreira pondera que, em longo prazo, a pesquisa pode mostrar um caminho para os estudos sobre o câncer. “Qualquer informação sobre os eventos envolvidos na gênese de um tumor pode suscitar estratégias futuras de prevenção ou terapia”, ressalta o oncologista.

Proteína TAp63 inibe e destrói tumores malignos

Pesquisadores conseguiram frear o crescimento de tumores, nos quais a proteína p53 havia sido destruída, por meio da produção da TAp63 – pertencente a uma classe de proteínas produzidas pelo gene p63.

Mais da metade de todos os cânceres humanos desabilita a p53. Esta proteína é importante, pois controla a maior parte das operações no interior da célula que a protegem do câncer. Quando as células perdem a p53, os tumores crescem agressivamente e frequentemente o câncer não pode mais ser tratado.

A pesquisa identificou que a proteína TAp63, uma irmã mais velha da p53, geralmente permanece intacta e não sofre mutações na maioria dos cânceres.

Durante o experimento os cientistas fizeram com que os tumores produzissem a TAp63 utilizando um composto químico chamado doxiciclina. Eles acreditam que a senescência das células chama a atenção do sistema imunológico, conseguindo desta maneira destruir as células tumorais.

Os cientistas dizem que a ativação intensiva da TAp63 pode ser uma estratégia viável para combater o câncer no futuro. Alternativamente, descobrir formas de estabilizar a TAp63 que já está sendo produzida ou bloquear as rotas que combatem a ação da proteína também poderá ser uma estratégia válida.

No entanto, a descoberta verificou também que, enquanto as versões TAp63 previnem o câncer, outras três proteínas codificadas pelo p63 promovem atividades que podem levar ao desenvolvimento de um câncer.

O estudo deverá ser publicado na revista científica Nature Cell Biology.

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