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Resistência aos quimioterápicos

Um dos grandes entraves para a quimioterapia e radioterapia é a própria mutação das células cancerígenas que acabam adquirindo resistência ao tratamento e não respondendo mais às medicações. Porém, pesquisadores da Universidade do Estado da Louisiana, nos Estados Unidos, afirmam ter compreendido um mecanismo pelo qual os tumores se defendem da quimio e radioterapia.

Usando a cisplatina, droga quimioterápica geralmente usada como primeiro combate aos vários tipos de câncer, os estudiosos descobriram que a redução da produção da proteína B1N1 influencia o processo de reparo de DNA e, portanto, o desenvolvimento do tumor. “Nosso estudo providencia um mecanismo forte e inédito pelo qual o câncer adquire resistência ao dano no DNA”, acredita Daitoku Sakamuro, professor de patologia da Universidade da Louisiana que liderou a equipe de pesquisadores.

O DNA é um dos focos de atuação dos tratamentos contra o câncer, já que é o primeiro item celular a se dividir e o principal objetivo dos medicamentos é impedir que as células cancerosas se multipliquem.

Fatores

A resistência às drogas quimioterápicas ainda é a principal causa de óbito de pacientes com câncer. Essa resistência pode ser explicada pela própria mutação da célula cancerígena, que adquire nova codificação genética, ou porque, ao ser exposta a uma droga, acaba sendo estimulada a desenvolver um novo tipo celular, imune ao medicamento. Outro fator que contribuem para que o tumor adquira resistência aos tratamentos é o caso de tratamento descontinuado.

Estudos anteriores

Já em 2008, outro estudo havia sido publicado na revista britânica Nature sobre resistência aos quimioterápicos, reportando o caso de pacientes que sofriam de câncer no ovário e acabavam se tornando resistentes à quimioterapia.

Novamente, a reparação do DNA influenciava o processo. O estudo do Centro de Pesquisa sobre o Câncer Fred Hutchinson, em Seattle (EUA), demonstrou que quando são expostas à cisplatina, certas células de câncer do ovário desenvolvem mutações secundárias do gene BRCA2, que lhes devolvem a capacidade de reparar o DNA e permitem assim que tumor se torne resistente aos ataques da quimioterapia.

Câncer deve atingir 500 mil brasileiros neste ano

500 mil novos casos de câncer neste ano. Essa é a estimativa divulgada no último dia 5 de fevereiro de 2011 pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Em relação ao ano passado, o dado indicada um pequeno aumento, já que em 2009 a previsão feita pelo Instituto foi de 489 mil casos.

O crescimento no número de casos no Brasil seria reflexo de uma tendência mundial, segundo o Inca. Mas a ocorrência passou a ser registrada no país mais recentemente em função do envelhecimento da população e dos avanços no tratamento de doenças infecciosas, antigas causas mais constantes de mortes.

De acordo com o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini, o país esta diante de um cenário provocado por progressos que permitiram o envelhecimento da população, mas que também proporcionaram hábitos como alimentação inadequada e falta de exercícios físicos.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o evento que marcou o Dia Mundial do Câncer, na sede do Inca, informou que o governo pretende ampliar o acesso ao tratamento de câncer na rede pública e intensificar o controle de qualidade de exames preventivos, com o objetivo de impedir erros de diagnóstico.

Gastos

Os gastos do Ministério da Saúde (MS) com o atendimento de pacientes com câncer cresceu 20% entre 2000 e 2007, atingindo R$ 1,4 bilhão, aponta o Inca. O valor representa a internação de 500 mil pessoas por ano, 235 mil sessões de quimioterapia e 100 mil de radioterapia por mês.

Detecção Precoce

Durante o evento, Padilha informou que há um esforço para proporcionar a detecção precoce de alguns tipos da doença. Segundo ele, o ministério pretende criar uma rede de monitoramento de 1.300 equipamentos usados para identificação do câncer de mama a fim de avaliar a qualidade dos exames de mamografia realizados em todo o país.

O Ministério da Saúde quer ainda, em parceria com o Inca, avaliar a qualidade de exames que detectam o câncer de colo de útero ajudando assim municípios em que o índice de diagnósticos falhos chega a 50% devido ao uso de equipamentos mal conservados ou de uso inadequados. “Fazer exames de má qualidade ou má interpretação é pior que não fazer exame nenhum, pois desvia a atenção do médico e do paciente”, salientou Helvécio Magalhães, secretário de Atenção à Saúde do MS.

Além disso, o governo pretende estabelecer convênios com a indústria farmacêutica para reduzir preços de medicamentos, como alguns remédios indicados para o combate da leucemia.

Alerta

Tanto o Inca quanto o Ministério da Saúde alertaram para a necessidade da prevenção de outras doenças crônicas como a diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias. De acordo com dados apresentados durante o evento, essas doenças representam mais de 70% dos gastos com atendimento e tratamento proporcionados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e são responsáveis por 67% das mortes registradas no país.

Em setembro, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), uma agenda estratégica de ações para reduzir o número de casos e o impacto do câncer e outras doenças crônicas no sistema público de saúde, deve ser apresentado pelo governo brasileiro. Segundo Padilha, essa será uma grande oportunidade para o setor de saúde incluir a questão das doenças crônicas não transmissíveis no centro da pauta de discussão de governantes. “Podemos construir uma agenda mundial de médio e longo prazo, como aconteceu com o tema das mudanças climáticas”, afirmou.

Medicamento contra câncer de próstata é testado com sucesso

Uma vacina desenvolvida pela Dendreon, empresa de biotecnologia de Chicago, contra o câncer de próstata, foi testada com sucesso. O medicamento para combater o câncer prolongou a vida dos homens que participaram de um teste clínico decisivo.

Segundo o oncologista clínico, André Deeke Sasse, os resultados dos testes ainda são preliminares e foram apenas apresentados em um congresso médico. Para ele, a vacina parece ser viável, sendo mais uma opção para tratamento de pacientes com câncer de próstata metastático que não respondem a outros tratamentos atualmente disponíveis.

O medicamento receberá a marca Provenge e será a primeira “vacina” terapêutica contra o câncer a obter licença nos Estados Unidos, depois de sucessivos fracassos em testes de medicamentos para esse tipo de doença. Essas vacinas terapêuticas têm como objetivo prevenir o câncer, elas “treinam” o sistema imunológico do corpo para atacar o câncer, estimulando as defesas do corpo.

Sasse comenta que a vacina não deve substituir outros tratamentos, pois ela se mostrou apenas capaz de controlar temporariamente o câncer de próstata, quando outros tratamentos não forem mais eficazes.

Mais de 40% dos pacientes de câncer de próstata tratados reduziram em 50% a concentração de PSA (antígeno prostático específico) no sangue, indicando uma regressão do câncer em apenas três messes de acompanhamento. Esse teste foi realizado em 30 pacientes em estágio avançado da câncer, que já haviam passado por todos os tipos de tratamentos. 13 pacientes tiveram queda superior a 50% na concentração da proteína.

Segundo o oncologista os resultados são positivos, porém é necessário que sejam feitas novas pesquisas comparando a utilização desta vacina com os tratamentos hoje considerados padrão.

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