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Câncer atinge mais homens

Os cientistas ainda não têm clareza sobre o resultado dos estudos, mas segundo uma nova pesquisa realizada pela Sociedade Americana de Câncer, os homens são mais propensos do que mulheres a desenvolver e morrer de câncer.

Hábitos de vida

O estilo de vida pode ser uma explicação. Em geral, homens bebem mais, fumam mais, vão menos ao médico e fazem menos exames. O estudo considerou 36 tipos de tumores e cânceres sanguíneos diferentes que afetam os dois sexos.

A Sociedade Americana de Câncer acredita que a cada dois homens um tenha chance de desenvolver câncer em algum momento de suas vidas. Já as mulheres, com uma em cada três para as mulheres.

Homens recebem mais diagnóstico de câncer

Os cientistas descobriram que os homens eram mais propensos que mulheres a morrer da maioria dos cânceres, mas vale atentar para o fato de que eles também eram mais diagnosticados com câncer. Após o diagnóstico, no entanto, as taxas relacionadas à sobrevida para homens e para mulheres tendiam a ser iguais. O curioso é que os homens com alguns tipos de câncer eram mais propensos a morrer da doença do que as mulheres com o mesmo tipo.

Nos EUA, leucemia, câncer de cólon e reto, pâncreas e fígado mataram cerca de uma e meia a duas vezes mais homens do que mulheres ao longo de um período de 30 anos. Além disso, o câncer de pulmão matou quase duas vezes e meia mais homens durante esse tempo. Já os cânceres de lábio e garganta mataram cerca de cinco homens para cada mulher. No entanto, as mulheres estão diminuindo a distância dos homens em alguns tipos de câncer, como câncer de pulmão. Casos desta patologia entre os homens diminuíram durante o período de estudo, mas mantiveram-se estáveis ou aumentaram em mulheres.

Tendências

Os pesquisadores afirmam que o estudo confirma uma tendência, que os cânceres com maior taxa de mortalidade são cânceres de cabeça e pescoço, bexiga e pulmão, todos relacionados ao estilo de vida.

Outros fatores

Com o estudo fica claro que os homens não devem ignorar sintomas ou exames e, ainda, adotar estilos de vida mais saudáveis. Os hábitos de vidas têm peso, mas nem tudo se resume a isso. Por exemplo, os homens podem ser mais expostos a agentes cancerígenos, terem diferenças hormonais ou receberem menos proteção contra antioxidantes do que mulheres. A esperança é que os pesquisadores possam identificar as causas da diferença entre os sexos na incidência e mortalidade por câncer para que ações preventivas possam reduzir a presença da doença em ambos os sexos.

Câncer deve atingir 500 mil brasileiros neste ano

500 mil novos casos de câncer neste ano. Essa é a estimativa divulgada no último dia 5 de fevereiro de 2011 pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Em relação ao ano passado, o dado indicada um pequeno aumento, já que em 2009 a previsão feita pelo Instituto foi de 489 mil casos.

O crescimento no número de casos no Brasil seria reflexo de uma tendência mundial, segundo o Inca. Mas a ocorrência passou a ser registrada no país mais recentemente em função do envelhecimento da população e dos avanços no tratamento de doenças infecciosas, antigas causas mais constantes de mortes.

De acordo com o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini, o país esta diante de um cenário provocado por progressos que permitiram o envelhecimento da população, mas que também proporcionaram hábitos como alimentação inadequada e falta de exercícios físicos.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o evento que marcou o Dia Mundial do Câncer, na sede do Inca, informou que o governo pretende ampliar o acesso ao tratamento de câncer na rede pública e intensificar o controle de qualidade de exames preventivos, com o objetivo de impedir erros de diagnóstico.

Gastos

Os gastos do Ministério da Saúde (MS) com o atendimento de pacientes com câncer cresceu 20% entre 2000 e 2007, atingindo R$ 1,4 bilhão, aponta o Inca. O valor representa a internação de 500 mil pessoas por ano, 235 mil sessões de quimioterapia e 100 mil de radioterapia por mês.

Detecção Precoce

Durante o evento, Padilha informou que há um esforço para proporcionar a detecção precoce de alguns tipos da doença. Segundo ele, o ministério pretende criar uma rede de monitoramento de 1.300 equipamentos usados para identificação do câncer de mama a fim de avaliar a qualidade dos exames de mamografia realizados em todo o país.

O Ministério da Saúde quer ainda, em parceria com o Inca, avaliar a qualidade de exames que detectam o câncer de colo de útero ajudando assim municípios em que o índice de diagnósticos falhos chega a 50% devido ao uso de equipamentos mal conservados ou de uso inadequados. “Fazer exames de má qualidade ou má interpretação é pior que não fazer exame nenhum, pois desvia a atenção do médico e do paciente”, salientou Helvécio Magalhães, secretário de Atenção à Saúde do MS.

Além disso, o governo pretende estabelecer convênios com a indústria farmacêutica para reduzir preços de medicamentos, como alguns remédios indicados para o combate da leucemia.

Alerta

Tanto o Inca quanto o Ministério da Saúde alertaram para a necessidade da prevenção de outras doenças crônicas como a diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias. De acordo com dados apresentados durante o evento, essas doenças representam mais de 70% dos gastos com atendimento e tratamento proporcionados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e são responsáveis por 67% das mortes registradas no país.

Em setembro, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), uma agenda estratégica de ações para reduzir o número de casos e o impacto do câncer e outras doenças crônicas no sistema público de saúde, deve ser apresentado pelo governo brasileiro. Segundo Padilha, essa será uma grande oportunidade para o setor de saúde incluir a questão das doenças crônicas não transmissíveis no centro da pauta de discussão de governantes. “Podemos construir uma agenda mundial de médio e longo prazo, como aconteceu com o tema das mudanças climáticas”, afirmou.

Estudo aponta que alérgicos podem ter menos chances de ter câncer

Uma pesquisa recentemente lançada nos Estados Unidos pode relacionar duas patologias que até hoje desafiam a medicina: alergia e câncer. Cientistas da Universidade Texas Tech publicaram um estudo epidemiológico que avaliou a prevalência de asma em três grupos de pacientes: com câncer de ovário, com histórico de infarto e com histórico de fratura óssea. No estudo, foi descoberto que os pacientes do primeiro grupo possuíam uma incidência de asma 30% menor. Embora o resultado seja insuficiente para qualquer hipótese, o estudo não é isolado: uma série de pesquisas nos Estados Unidos que vem sendo desenvolvida nos últimos anos tentam estabelecer essa mesma conexão. Exemplo mais eficaz é o projeto conduzido pela Universidade Cornell, na cidade de Ithaca, que apontou que crianças alérgicas a partículas presentes no ar têm 40% menos chances de desenvolver leucemia.

A iniciativa de vincular o câncer à alergia não é, entretanto, sem fundamento. Segundo a presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia do Estado de São Paulo (Asbai-SP), Ana Paula Castro, a maneira como nosso sistema imunológico reage exageradamente a algumas substâncias pode servir como um treinamento dos anticorpos. “As neoplasias são justamente desencadeadas, entre outras coisas, por uma falta de vigilância do sistema imunológico. Então, pode-se fazer tal correlação.” Ela ressalta, porém, que as causas do câncer e da alergia não são completamente conhecidas, e que os estudos apresentados preocupam-se, primeiramente, em fazer a conexão das doenças, deixando as explicações para um outro momento. “Quando falamos de câncer e alergia é fundamental lembrar que há pelo menos uma centena de tumores diferentes e diversos tipos de alergia, ou seja, parecem iguais, mas são muito diferentes”, diz.

Na opinião da médica, a evolução dessa pesquisa será importante para entender definitivamente o funcionamento de nosso sistema imunológico: “saberemos manipular melhor os tratamentos e, certamente, no combate ao câncer, poderemos utilizar medicamentos que estimulem a resposta imunológica de uma maneira diferente do que é feito”, acredita. Os outros estudos provaram estar no caminho certo: a Universidade de Minnesota apontou uma diminuição da probabilidade de alérgicos desenvolverem câncer de estômago e linfomas não-Hodgkin; e a Universidade Havard produziu uma pesquisa que relaciona doenças como asma, eczema, febre do feno e outras alergias a uma diminuição da propensão ao câncer de cérebro.

Os dados sobre alergia no Brasil, de acordo com Ana Paula, são principalmente relacionados a crianças. “Os estudos epidemiológicos revelam que até 30% das crianças entre seis e sete anos podem apresentar rinite alérgica, 15 a 20% podem apresentar asma e até 10% podem apresentar dermatite atópica”, explica.

Descoberta mutação responsável por casos de leucemia mielóide aguda

Cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, descobriram uma mutação em pacientes com leucemia mielóide aguda (LMA), que pode ajudar a entender pelo menos metade dos casos da doença em adultos.

Utilizando amostras de tecidos doentes, a equipe encontrou altos níveis de uma molécula chamada 2HG. O aumento da quantidade desta molécula é resultado de uma mutação numa das duas enzimas metabólicas: IDH1 ou IDH2. O processo é observado em mais de 23% dos pacientes com LMA.

Os investigadores também descobriram que as mutações na IDH2 são mais comuns do que as mutações da IDH1 em pacientes com este tipo de leucemia. Outros genes relacionados com a doença incluem quebras e anomalias dos cromossomos.

As mutações do gene IDH são as primeiras mutações de cancro conhecidas, que resultam na criação de uma proteína com nova atividade enzimática. As mutações nas proteínas IDH liberam as enzimas a criarem uma nova molécula, produzida apenas em condições anormais.

Resultados são promissores

A identificação de mutações IDH dá novas esperanças para o desenvolvimento de testes de detecções mais eficientes da leucemia mielóide aguda e sugere que bloquear a produção de 2HG poderia reverter a capacidade dos genes mutantes de manter as células doentes.

Ainda não se sabe por que a produção de 2HG leva à doença, mas tudo indica que o processo seja diferente de outros tipos de cancro.

Medicamentos podem curar a leucemia mielóide

Uma investigação internacional que envolveu um cientista português encontrou uma esperança de cura para a leucemia mielóide através de medicamentos. A conclusão de que o transplante de medula não é a única cura para a doença surge através de um modelo matemático.

O pesquisador do Departamento de Matemática e Aplicações da Universidade do Minho, Jorge Pacheco, obteve como resultado de sua pesquisa que a ingestão das substâncias ativas imatinib, dasatinib ou nilotinib desde o diagnóstico da doença é capaz de curar o paciente, ao contrário do que se pensava.

O estudo do cientista é ousado e pode levar a uma mudança de paradigmas entre os médicos. De acordo com ele, a única forma de cura admitida atualmente é o transplante de medula óssea, mas que não é totalmente segura, pois envolve previamente rádio ou quimioterapia. Pacheco afirma que consegue descrever as características mais gerais do modelo e ainda prever certos efeitos que até então não eram conhecidos.

Leucemia Mielóide Aguda

A leucemia mielóide aguda é resultado de uma alteração genética adquirida no DNA de células em desenvolvimento na medula óssea. Os pacientes apresentam sintomas relacionados à diminuição da produção de células normais da medula e com isso sua redução na circulação sanguínea. Ocorre a redução dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas levando o doente a apresentar anemia com palidez, cansaço e sonolência, manchas roxas em locais não relacionados a traumas e sangramentos prolongados em pequenos ferimentos.

O principal objetivo do tratamento é atingir a remissão, ou seja, ausência de células blásticas no sangue e na medula óssea e a restauração do número de células sanguíneas aos níveis normais.

Leucemia: Componente do chá verde pode ajudar na luta contra o câncer

O chá verde está se tornando cada vez mais conhecido entre as pessoas e consequentemente tem chamado a atenção de pesquisadores.

Cientistas da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, fizeram inúmeras pesquisas e descobriram que uma substância ativa do chá, o polifenol EGCG (galato de epigalocatequina), pode ajudar no tratamento de leucemia. Seu composto antioxidante mostrou ser um potente agente anticâncer, com efeitos sobre a leucemia, e também no câncer de pulmão, câncer de próstata, câncer cólon e câncer de mama; e ainda nas doenças do coração.

O EGCG se liga a uma proteína comum em tumores denominada GRP78, que impede a morte celular e inibe a sua função, ajudando assim na morte da célula tumoral. Desse modo, verificou-se que o composto é um inibidor de tirosiquinase, ou seja, ele consegue interromper o ciclo de reprodução do câncer. Na pesquisa, a substância induziu a morte de oito das dez amostras testadas.

Segundo os pesquisadores, os testes indicaram que altas doses de EGCG são bem toleradas por pacientes com leucemia linfóide aguda (mais comum em idosos) e podem levar muitos deles a terem algum grau de regressão da doença; eliminando as células cancerosas do sangue. Entretanto, esses resultados por enquanto só foram obtidos em laboratório.

O componente do chá verde foi administrado em forma de cápsula, e, com ele, a maioria dos indivíduos que entraram no estudo com aumento nos linfonodos (pequenos órgãos que atuam na defesa do organismo e produzem anticorpos), viram uma queda de mais de 50% em seu tamanho. A contagem dos linfócitos foi reduzida em um terço dos participantes.

A pesquisa já entrou em fase de testes clínicos, com 33 participantes, o mesmo número da pesquisa anterior, entretanto, esses pacientes receberam doses maiores – 2000 mg, duas vezes ao dia.

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