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Gordura abdominal interna aumenta riscos de doenças do coração

As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no Brasil, sendo responsável por mais de trezentas mil mortes por ano. Os médicos sempre diagnosticaram estas doenças através das medidas tradicionais da circunferência da cintura e do quadril e pelo índice de massa corporal (IMC). Mas, apesar destes elementos serem indicadores do risco de desenvolver doenças cardiovasculares, surge um novo fator bem menos conhecido, que pode ser determinante.

Os cientistas do Instituto do Coração (InCor), da Universidade de São Paulo (USP), descobriram que a área de gordura visceral abdominal superior a 150 cm² aumenta em quase três vezes as chances de adquirir doença arterial coronariana – o normal é até 75 cm². De acordo com o Dr. Marcos Budna, chefe do setor de cardiologista do Hospital Constantini, a pesquisa é extremamente relevante, principalmente quando se pensa em prevenção.

O estudo, divulgado na revista internacional Atherosclerosis, avaliou 125 indivíduos (71 homens e 54 mulheres), com idade média de 56 anos, sem diagnóstico prévio de doença coronária. Eles foram submetidos a exames de tomografia computadorizada e 56% dos pacientes apresentaram medidas das áreas de gordura visceral abdominal associadas ao diagnóstico de doença arterial coronária. Os pesquisadores também verificaram que, quando os pacientes foram submetidos a exames tradicionais, os resultados não indicaram uma associação com a doença.

Os perigos da gordura escondida

Dr. Budna afirma que o depósito de gordura visceral é um processo que possui dois fatores principais. “Um deles está ligado a alterações do metabolismo, e o outro a fatores ambientais, onde o sedentarismo e uma alimentação errada têm grande influência”, explica. No entanto, segundo ele, é possível evitar o acúmulo de gordura visceral desde cedo. Para isto é preciso adotar algumas medidas preventivas como:

- Alimentação saudável.
- Atividade física regular.
- Controle rigoroso do peso.
- Controle adequado do diabetes, da hipertensão e do colesterol.
- Cessação do tabagismo.

Doença silenciosa

A doença coronária exige muitos cuidados, pois é silenciosa e mortal. “Ela pode estar nos acompanhando durante toda a vida, sem nenhum sintoma, ou seja, podemos estar depositando colesterol (gordura) e formando placas, entupindo as nossas artérias, ao longo dos anos e nem estarmos percebendo”, alerta Dr. Budna.

De acordo com o médico, muitas vezes o indivíduo só se dá conta de que tem a doença quando sofre o infarto agudo do miocárdio ou quando sente uma dor muito forte no peito. “Este sintoma só aparece quando o entupimento das artérias torna-se muito critico”, diz. Portanto, segundo o cardiologista, é importante a identificação precoce da doença para reverter o quadro.

Estudos comprovam que infarto em mulheres está aumentando

Tabagismo, excesso de gordura, vida sedentária, obesidade, diabetes e colesterol alto são importantes fatores de risco para o infarto. A novidade é que esses fatores têm contribuído para o que o número de casos de infarto em mulheres aumente de maneira significativa.

Dois estudos publicados na revista especializada Archives of Internal Medicine constataram que, mesmo os homens tendo, historicamente, maior prevalência de infarto e doença cardíaca avançada do que as mulheres da mesma idade, essa diferença tem diminuído.

Um dos estudos avaliou mais de 8 mil pessoas com idades entre 35 e 54 anos. Os resultados demonstraram que a maioria dos fatores de risco cardíaco – incluindo colesterol total, colesterol HDL e LDL, pressão e tabagismo – permaneceram estáveis ou melhoraram entre os homens e pioraram entre as mulheres. E, embora os homens ainda apresentassem mais infartos do que as mulheres, essa diferença estaria reduzindo nos últimos anos – de 2,5% dos homens e 0,7% das mulheres no período entre 1988 e 1994; para 2,2% dos homens e 1% das mulheres no período 1999-2004.

Número de mortes por infarto diminui

O segundo estudo apresentou resultados um pouco mais animadores para as mulheres. Foram analisados dados de mais de 916 mil pessoas que sofreram infarto no período entre 1994 e 2006. A pesquisa constatou que o número de pessoas que morriam no hospital após o infarto reduziu consideravelmente entre todos os pacientes, mas principalmente entre as mulheres.

Hipertensos: Cresce número de pacientes resistentes aos medicamentos

O crescimento da obesidade, do sedentarismo e da má alimentação, vem fazendo com que crianças e adolescentes criem resistência aos medicamentos. Surgindo assim, uma nova categoria de pessoas hipertensas – sobretudo jovens – que, mesmo utilizando três hipertensivos diferentes, a doença não regrediu. E, o que mais chama a atenção é que esse número de pacientes vem aumentando a cada dia.

Técnicas inovadoras estão sendo utilizadas para identificar, cada vez mais precocemente, alterações vasculares decorrentes da hipertensão arterial e relacionadas às causas de morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares, como infarto e derrame cerebral. Os estudos estão sendo desenvolvidos na Unicamp, no setor do Laboratório de Farmacologia Cardiovascular da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e do Ambulatório de Hipertensão Resistente do Hospital de Clínicas (HC).

Os resultados obtidos nas pesquisas alertam para a necessidade de medidas preventivas, antes que lesões comprometam o sistema vascular de maneira irreversível, e contribuem para avaliar a eficácia de medicamentos controladores.

Controle da hipertensão

Segundo o cardiologista, especialista em Hipertensão Arterial pela Sociedade Brasileira de Hipertensão – SBH, Dr. Tufi Dippe Jr, o controle da hipertensão é feito através da administração de medicamentos ou não como, por exemplo:

- dieta do tipo DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension ou Métodos para Combater a Hipertensão através da Dieta);
- dieta hipossódica (rica em potássio, magnésio e cálcio);
- ingestão moderada de álcool;
- atividade física regular;
- perda de peso;
- cessação do tabagismo.

“A maioria dos hipertensos irá precisar do uso de medicamentos para o controle de sua doença, sendo que destes, pelo menos 70% necessitará de uma associação de medicamentos”, esclare.

Existem vários fatores envolvidos na gênese da hipertensão arterial de difícil controle, dentre estes, talvez o mais importante seja a obesidade. “É possível que a proporção de hipertensos resistentes aumente com o decorrer do tempo. No entanto, uma vez que seja instituída uma terapia medicamentosa correta, apenas uma minoria (10% ou um pouco mais) dos hipertensos apresentará critérios para hipertensão arterial resistente, ou seja, a não redução da pressão arterial para valores abaixo de 140/90 mmHg com o uso correto (em dose e escolha da associação dos medicamentos) de 3 princípios ativos, sendo que um destes poderá ser um diurético”, explica Dr. Tufi.

Além disso, o cardiologista esclarece que a M.A.P.A (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) é muitas vezes necessária para afastar pseudo-resistência, ou seja, uma reação de alerta na hora da medida da pressão arterial, superestimando o valor da mesma. “Estima-se que 25% dos hipertensos resistentes são “eliminados” com o uso da M.A.P.A”, avalia o cardiologista.

Riscos da hipertensão

O controle da pressão arterial reduz o risco relativo de um derrame cerebral em cerca de 40%, infarto do miocárdio em 25% e insuficiência cardíaca em 50%. Hipertensos graves e descontrolados apresentam uma chance de desenvolverem derrame cerebral ao longo da vida na ordem de 70%. Além disso, o binômio diabete melito e hipertensão descontrolada são a principal causa de insuficiência renal crônica em nosso país. A hipertensão arterial, por afetar 30% dos adultos, é considerada o principal fator de risco cardiovascular.

Recomendações para controlar a hipertensão

Procure adotar as medidas não-medicamentosas mencionadas acima. A redução do peso é a medida de maior impacto na redução da pressão arterial (emagrecer 10 kg pode reduzir a pressão arterial sistólica em até 20 mmHg). Procure seguir as recomendações médicas e o uso correto das medicações. O médico assistente deverá procurar uma causa para o difícil controle da doença da hipertensão: excesso de sal e álcool, efeito medicamentoso (antiinflamatórios, corticosesteróides, antidepressivos, etc…), excesso de peso, apnéia do sono, causas secundárias de hipertensão (doença renais ou da supra-renal, distúrbios de tireóide, etc.), entre outras. Talvez seja necessário consultar um especialista em hipertensão arterial (a lista destes profissionais está disponível – por estado – no site da Sociedade Brasileira de Hipertensão).

Avanços da medicina e da farmacologia

O FDA (Food and Drug Administration) aprovou um anti-hipertensivo com três princípios ativos em um só comprimido (Valsartana, Anlodipino e Hidroclortiazida) para o uso nos Estados Unidos (http://portaldocoracao.uol.com.br/hipertensao-arterial.php?&id=3042). Uma droga em fase de experimentação, chamada de Darusentan (um antagonista da endotelina, uma substância produzida no revestimento dos vasos e que causa um estreitamento dos mesmos), vem sendo testada de forma promissora (http://portaldocoracao.uol.com.br/hipertensao-arterial.php?&id=2811). A desnervação simpática renal por cateter e a estimulação eletrônica do seio carotídeo são técnicas recentemente apresentadas no Congresso do American College, realizado em março na Flórida (Orlando, Estados Unidos).

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