Um grupo de cientistas dos Estados Unidos sequenciou o genoma completo de tumores de 50 pacientes com câncer de mama. Esta pesquisa genômica, que é uma das maiores já feitas sobre o câncer, também comparou os resultados com os DNAs de pessoas saudáveis.
O trabalho, que foi apresentado na 102ª Reunião Anual da Associação Norte-Americana de Pesquisa do Câncer (Orlando, Flórida), em abril de 2011, revelou uma grande complexidade nos genomas dos tumores e também permitiu a identificação de mutações que ocorrem apenas nas células cancerígenas. Este estudo também poderá auxiliar no desenvolvimento de novos tratamentos para o câncer de mama.
“Genomas do câncer são extraordinariamente complicados, o que explica a dificuldade em prever consequências e encontrar novos tratamentos”, explica Matthew J. Ellis, professor da Escola de Medicina da Universidade de Washington em Saint Louis, um dos líderes da pesquisa.
Procedimento
Os cientistas sequenciaram mais de 10 trilhões de pares de base de DNA. As operações de análise de cada tumor eram repetidas, em média, 30 vezes, para garantir a validade dos resultados. O mesmo acontecia com as células dos voluntários que não tinham a doença. As amostras de DNA vieram de pacientes que se submeteram a testes clínicos no Grupo de Oncologia do American College of Surgeons, liderado por Ellis.
“Os recursos computacionais utilizados para analisar tamanha quantidade de dados são semelhantes aos produzidos pelo Grande Colisor de Hádrons (LHC), usado para entender o funcionamento das partículas subatômicas”, revelou Ellis. Todas as pacientes que participaram do estudo eram portadoras do câncer de mama positivo para receptor de estrógeno.
Resultados
Os tumores analisados apresentaram mais de 1,7 mil mutações. Entretanto, a maior parte delas era única para cada mulher. A pesquisa apontou que duas mutações são relativamente comuns em mulheres com câncer de mama. Uma delas é a PIK3CA, presente em cerca de 40% dos tumores do tipo positivo para receptores para estrógeno. Outra é a TP53, presente em cerca de 20% dos pacientes.
Os cientistas encontraram ainda outra mutação, denominada MAP3K1, que controla a morte celular programada e não se encontra ativada em cerca de 10% dos cânceres de mama positivos para receptor de estrógeno.