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Exercício físico aumenta sobrevida de pacientes com tumor cerebral

Que o exercício físico faz bem à saúde muita gente sabe. A novidade é a capacidade de prolongar a vida de pacientes com câncer cerebral. A descoberta, feita por pesquisadores da universidade americana Duke University Health System, demonstrou que portadores desse tipo de tumor que praticam atividades com certa regularidade não só terão melhora no bem-estar físico, como podem estender seu tempo de vida em relação ao paciente sedentário.

De acordo com um dos líderes do estudo, o professor Lee W. Jones, o impacto do exercício na progressão da doença e na sobrevivência de pacientes com câncer de cérebro foi o que mais chamou a atenção na pesquisa.

Metodologia do estudo

Foram analisados 243 pacientes com câncer cerebral grave, chamado glioma avançado, cuja expectativa de vida média é inferior a seis meses. Desses, os que estavam aptos a praticar atividades físicas e o faziam com certa regularidade e intensidade, comprovaram um aumento em sua sobrevida – uma média de 21,84 meses contra 13,03 meses para aqueles pacientes mais sedentários.

A capacidade de praticar exercícios, porém, é afetada pela doença. Muitos portadores de tumor cerebral frequentemente sofrem tonturas ou outros problemas neurológicos que afetam a atividade.

Superação passo a passo

Nestes casos, o ideal é estabelecer metas pequenas e dar um passo por vez. É o caso de Jose Cortes, que enfrenta um astrocitoma anaplástico. Ele conta que o primeiro obstáculo era colocar os sapatos sem virá-los e manter o equilíbrio enquanto caminhava e falava. Superadas essas metas, começou a caminhar 30 minutos por dia.

“O exercício é uma boa forma de superar os efeitos colaterais de sua doença. Você pode se sentir mais positivo sobre a sua vida mesmo se você estiver em estado terminal. A coisa mais importante é fazê-lo apenas em seu próprio ritmo e fazer o seu melhor”, afirma Cortes.

Agora os pesquisadores querem descobrir porque o exercício ajuda na sobrevida de pacientes com câncer. Com esses dados em mãos, talvez eles possam identificar meios de combinar diferentes tratamentos mais eficazes e menos agressivos. É o que esperamos.

Esperança para pacientes com gliobastoma multiforme

Um novo quimioterápico pode ser a esperança para pacientes que sofrem do mais letal tipo de câncer cerebral, o glioblastoma multiforme (GBM). Um estudo, denominado de Avaliação de Marcadores de Progressão de Tumor Cerebral, conduzido pela professora titular de patologia clínica da Universidade Federal Fluminense (UFF), Thereza Quirico dos Santos, já está na terceira fase de testes em pacientes do Hospital Federal de Ipanema. Os resultados apontam para um aumento de até 61% a sobrevida de pacientes com esse tipo de tumor.

Trata-se da aplicação do álcool perílico, um óleo que faz parte da família dos óleos essenciais, presente em plantas como cereja, hortelã e sálvia. A grande inovação é a administração via inalatória do quimioterápico em pacientes com câncer terminal. “O quimioterápico já existe há muito tempo”, afirma a professora Thereza. “Nos Estados Unidos ele é usado em vários tipos de tumor, mas administrado via oral, o que gera uma série de efeitos colaterais indesejáveis, pois o medicamento acaba passando pelo sistema digestivo”.

Meses e anos

O medicamento está sendo aplicado em pacientes com tumor cerebral em tratamento paliativo, ou seja, naqueles em que já não há nenhuma alternativa terapêutica e apenas fazem tratamento sintomático – para aliviar os sintomas da doença. A sobrevida desses pacientes é de dois a três meses.

Porém, quando fazem o tratamento com o quimioterápico, não só relatam um aumento de sobrevida como uma diminuição dos sintomas. “Temos pacientes com sobrevida de cinco anos. Além disso, o álcool perílico mostrou efeito analgésico, anti-inflamatório, além de causar a regressão do tumor”, afirma Thereza.

Próximas etapas

Com os resultados dessa fase de testes no Hospital de Ipanema, as próximas etapas são descobrir como o álcool atua em cada organismo. “o que estamos tentando fazer é descobrir porque nem todos os pacientes respondem tão bem ao tratamento”, afirma a especialista.

Há também uma linha de estudo que busca analisar o efeito do medicamento quando aplicado na fase inicial do tumor, em conjunto com outro tratamento. Segundo Thereza, objetiva-se comercializar o produto muito em breve.

Como será a prescrição médica do futuro?

A farmacogenética, produto do sequenciamento do genoma humano, está se preocupando em transformar a prática clínica, através de análises para conhecer a variabilidade individual na resposta aos medicamentos. Dra. Rosane Johnsson, oncologista clínica do IOP – Instituto de Oncologia do Paraná, explica como a farmacogenética conseguirá transformar a pratica médica. “A análise através da farmacogenética visa contornar o desafio diário de um problema sério no dia a dia do profissional médico que é a variação que cada ser humano tem na resposta aos tratamentos com remédios / tratamentos /medicamentos. Evitar a sucessão de tentativas de erros com diferentes medicamentos e diferentes protocolos terapêuticos em que se usam diferentes doses, que podem resultar não só em falha terapêutica, mas também, e o que é bem pior, em efeitos colaterais graves”.

O objetivo é encurtar o tempo entre o início do tratamento e o desfecho clínico desejado, evitando a sucessão de tentativas e erros com diferentes medicamentos, em diferentes doses, que podem resultar não só em falha terapêutica, mas também, e o que é bem pior, em efeitos adversos graves; dra. Rosane detalha como isso será possível, “Farmacogenética é definida como a variabilidade de resposta às drogas devido a características individuais herdadas, ou seja, estuda as variabilidades nas respostas das drogas, atribuídas a fatores hereditários nas diferentes populações. Assim, o objetivo da farmacogenética é identificar um perfil genético que caracteriza pacientes que são mais prováveis a sofrer efeitos colaterais, comparado com outros pacientes que são prováveis de responder seguramente à droga”.

Outro aspecto importante é a economia de recursos que hoje são desperdiçados em drogas que não são eficazes em determinados pacientes ou em internações e procedimentos necessários para remediar as complicações que resultam de seu uso. Estima-se que de 6% a 8% das admissões hospitalares em países desenvolvidos sejam consequência de reações adversas a medicamentos. Em 2007, o Reino Unido gastou cerca de dois milhões de libras para tratar esses pacientes, segundo o relatório divulgado em abril de 2009 pelo seu Serviço Nacional de Saúde.

Nos últimos anos, os esforços dos pesquisadores estão concentrados na identificação de poliformismos que determinam uma biotransformação mais lenta ou mais rápida de determinados fármacos. O principal exemplo é a varfarina, anticoagulante amplamente usado após cirurgias cardíacas e na prevenção de complicações trombovenosas.

Além da varfarina, que é uma espécie de modelo nas pesquisas nesta área, diversas outras drogas, entre elas as estatinas e os betabloqueadores, estão sendo pesquisadas.

Um grande desafio para a implantação da farmacogenética na prática médica ainda é a elaboração de protocolos clínicos que orientem os médicos a tirar o máximo proveito da informação sobre o perfil metabólico do paciente.

Entretanto, essa abordagem já é uma realidade em muitos estudos clínicos, até porque ela melhora a eficiência do desenho experimental, pois identifica previamente o perfil genético associado à intolerância ou a baixa eficácia do novo fármaco.

Curiosidade sobre a farmacogenética

A primeira referência à variabilidade individual da resposta aos medicamentos é atribuída a Pitágoras. Em 510 A.C., o matemático grego descreveu uma intoxicação causada por um tipo de fava (planta da família das leguminosas) que acometia apenas algumas pessoas que a ingeriam. Mas a farmacogenética só apareceu como ciência moderna em meados no século XX, com a demonstração de que o efeito de certas drogas estava associado a alterações genéticas. Depois do sequenciamento completo do genoma humano, essa área de pesquisas passou a ser chamada também de farmacogenômica.

Mais informações: Revista Pesquisa Médica

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