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Estudo revela que o uso de antidepressivos altera o humor de pessoas saudáveis

De acordo a Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), foi realizado um estudo que apontou que tomar baixas doses de antidepressivos pode alterar o humor de pessoas saudáveis.

A pesquisa foi realizada com 120 voluntários saudáveis, sendo que nenhum deles poderia ter pais, irmãos, avós, tios ou primos com qualquer sintoma de doença psiquiátrica. Eles tomaram, por 12 semanas, aleatoriamente duas pílulas: uma com 40 miligramas de antidepressivos (doentes usam doses a partir de 75mg) e a outra sem nenhum princípio ativo.

Cerca de 30% dos voluntários que tomaram os medicamentos, apresentaram melhoras de humor. Os resultados foram: menos irritabilidade e mais tolerância frente a situações adversas. Eles também foram analisados nos respectivos ambientes de trabalho e a pesquisa apontou que os voluntários ficaram menos aflitos com exigências simultâneas e erraram menos. Os efeitos colaterais da medicação foram: sono picado, aumento e diminuição de apetite.

Os pesquisadores não descobriram porque os remédios foram capazes de provocar essas mudanças de comportamento e nem porque as alterações aconteceram com um terço dos voluntários.

Novos estudos sobre o câncer e a depressão

Um estudo realizado no Canadá indica que a depressão pode atrapalhar as chances de sobrevivência de pacientes com câncer. Ao reunir e revisar 26 pesquisas separadas que envolveram mais de 9,4 mil pacientes, cientistas da Universidade de British Columbia descobriram que o número de mortes é 25% maior naqueles que mostravam sintomas de depressão. Nos casos de pacientes realmente diagnosticados com o problema, a taxa de mortalidade é 39% maior.

O risco também permanece mesmo quando consideradas outras características clínicas que afetam a sobrevivência. Para os pesquisadores, a descoberta enfatiza a necessidade de se examinar com cuidado os pacientes de câncer para avaliar se não há sinais de problemas psicológicos.

Segundo os cientistas, no entanto, ainda é necessário realizar novas pesquisas antes de se chegar a uma conclusão definitiva, já que é difícil descartar outros fatores que podem influenciar no quadro clínico de um paciente com câncer.

O câncer e a depressão

Para a psicóloga e psicanalista Claudia Sofia Ferrão Baroni, apesar dos avanços na área da oncologia, o câncer continua sendo uma doença estigmatizada e carregada de preconceitos, cujo diagnóstico, comumente, afeta não só o paciente, como também aqueles que se relacionam com ele.

“A ruptura na forma habitual da vida, a frustração de sonhos e projetos, o caminho do tratamento – por vezes incerto, doloroso e prolongado -, a incerteza e a insegurança de futuro são aspectos que podem abalar a integridade psicológica dos pacientes, os tornado fragilizados e vulneráveis” argumenta Claudia.

A doença muitas vezes desencadeia reações emocionais como medos e fantasias, culpas e questionamentos, revolta e incerteza, inquietações e desamparo. “Os pacientes devem ser acolhidos pela família e, sobretudo, pelos profissionais. Não é raro o paciente apresentar um estado de profunda tristeza que deve ser visto com cautela, uma vez que pode dar lugar à depressão propriamente dita” alerta.

Sintomas da depressão nos pacientes com câncer

A psicóloga explica que para se fazer um diagnóstico de depressão é necessário que o paciente possua alguns sintomas em conjunto como:

•    Humor deprimido;
•    Alterações de apetite e sono;
•    Perda de interesse e motivação;
•    Dificuldade de concentração;
•    Sentimento de pesar e fracasso;
•    Lentificação das atividades físicas e mentais, entre outros.

Os sintomas corporais mais comuns são:

Sensação de incômodo no batimento cardíaco;
•    Dores de cabeça;
•    Constipação e dificuldades digestivas.

Claudia diz que períodos de melhora e piora são comuns, ou seja, a oscilação com relação a todos estes sintomas pode acontecer. “Por isso é fundamental que o paciente seja avaliado por um profissional. É importante fazer o diagnóstico diferencial entre sentimento de tristeza, sentimento este esperado neste contexto, e quadro de depressão propriamente dito, que necessita de tratamento medicamentoso e tratamento psicológico” acrescenta.

Claudia Sofia Ferrão Baroni é Psicóloga clínica, psicanalista, mestranda em psicologia clínica no programa de psicologia hospitalar e psicossomática da PUC-SP e membro do conselho científico da ABCâncer.

Como avaliar a dor

Pesquisadores da Universidade Northwestern (EUA) estão desenvolvendo uma escala capaz de sistematizar a linguagem da dor, da fadiga, da depressão e da ansiedade. A nova escala é chamada PROMIS (Patient-Reported Outcome Measurement Information System).

A dor é um dos mais importantes sintomas que os médicos medem ao diagnosticar o problema de um paciente ou acompanhar se um tratamento está dando certo. Por outro lado, um dos grandes problemas encontrados hoje é a diversidade com que os dados da dor são computados; o que dificulta a comparação.

A nova escala criada para avaliar a dor fará com que os médicos padronizem a intensidade e forma de dor. Desta maneira, um mesmo dado pode ser compreendido da mesma maneira por todos e será possível até mesmo comparar os resultados de diversos pacientes.

Através desta escala os pesquisadores acreditam que a medicina poderá dar mais atenção à qualidade de vida das pessoas na prática, sobretudo em relação à longevidade.

Mais de 1.000 cientistas do mundo todo já se inscreveram para testar a nova escala para avaliar a dor. Os testes serão computadorizados e disponibilizados gratuitamente.

Câncer pode induzir depressão

Pesquisas realizadas pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) revelaram que a depressão em pacientes com câncer está diretamente relacionada com os tumores. O que os cientistas querem descobrir agora, é como isso funciona. Pesquisas realizadas com ratos de laboratório com câncer de mama induzido constataram que essas cobaias apresentaram comportamento depressivo mesmo quando o tumor não manifestou sintomas.

Para Iolanda de Assis Galvão, psicóloga clínica da pediatria e cuidados paliativos do Hospital Erasto Gaertner em Curitiba, “Todo paciente acometido pelo câncer sente tristeza, pois de alguma forma, em função do tratamento, há uma ruptura no curso normal da sua vida. A sua imagem corporal fica alterada e o medo da morte está muito presente dado o estigma ainda existente em torno da doença do câncer”.  No entanto, a psicóloga, que trabalha há 14 anos com pacientes oncológicos, diz que somente uma porcentagem destes pacientes (aproximadamente 25%) vai desenvolver um quadro depressivo, pois esta doença depende das características individuais e se há a ocorrência de outros distúrbios concomitantes.

Os cientistas identificaram uma alta concentração de citocinas pró-inflamatórias nas cobaias, assim como já se sabia a alta concentração de citocinas em pacientes humanos com câncer e depressão, sendo razoável que a fisiologia de cobaias e humanos com tumor seja semelhante, o que é um grande avanço para a pesquisa do câncer. Alguns quimioterápicos influem na produção de citocinas e, portanto, podem impactar quadros de depressão.

“Vários estudos vêm investigando a relação das citocinas com quadros depressivos, no entanto não há como desconsiderar a singularidade do sujeito e o seu repertório psíquico para lidar com situações adversas. Cada indivíduo é único e a instalação de qualquer patologia, seja de ordem física ou psíquica, deve ser avaliada e tratada de forma individualizada”, esclarece Iolanda de Assis Galvão.

Mas como ajudar o paciente depressivo?
Em primeiro lugar é preciso compreendê-lo. O que não significa o “fazer pelo” paciente, mas o “fazer com” o paciente. Entender que a melhora não é mágica e não vêm de fatores externos. Muitas vezes o paciente é incentivado a sair, passear no parque, ir ao cinema. No entanto, há que se considerar que na maioria das vezes, isso não depende do paciente. No momento, a sua tristeza atingiu um marco que ele não consegue melhorar só com o incentivo ou conselhos de familiares e amigos. Desta forma surge a necessidade de acompanhamento psicoterápico.

Não confunda depressão com tristeza

È importante diferenciar “tristeza” da “depressão”. Estar triste ou estar melancólico não significa estar deprimido. Depressão é doença. No entanto, assim como outras doenças, a depressão pode ser tratada com sucesso, em geral com psicoterapia e muitas vezes com acompanhamento de um psiquiatra para avaliação de suporte medicamentoso.

Alguns sintomas podem indicar a instalação de um quadro depressivo, tais como: transtornos do sono e do apetite, cansaço ao menor esforço, sentimento de menos valia, auto-estima rebaixada, labilidade (oscilações da pressão arterial) e, num estágio mais avançado, estes sintomas podem vir acompanhados de idéia suicida.

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