Estudos do oncologista e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Fábio Marinho, mostram que o tosilato de sorafenibe, medicamento usado para o tratamento do câncer de fígado, dá mais tempo e melhor qualidade de vida aos pacientes que já estavam desenganados pela doença.
Dra. Rosane Johnsson, oncologista do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), acredita que o tosilato de sorafenibe possa realmente prolongar e melhorar a qualidade de vida do paciente de câncer de fígado. “O estudo científico que comprova a eficácia do medicamento com mais de 600 pacientes confirmou o benefício significativo de aumento de sobrevida global – sobrevida livre de progressão. O sorafenibe é a única opção de tratamento sistêmico com ganho comprovado de sobrevivência para o paciente”.
A principal vantagem do novo medicamento é para os pacientes com tumores no fígado mais avançados, em que não existe mais tratamento curativo. A indicação, portanto, é para os pacientes inoperáveis, com doença irressecável, trombose de veia aorta ou doença metastática.
Entretanto, vale destacar que o tosilato não cura o câncer de fígado. Ele é capaz de prolongar e melhorar a qualidade de vida do paciente, porque é um medicamento que provoca menos reações colaterais do que outros tratamentos. Enquanto os efeitos colaterais do tosilato de sorafenibe são: fraqueza, cólicas abdominais, diarréia, reações na pele dos pés (calosidades); os da quimioterapia incluem queda de cabelo, náuseas, vômitos, perda do apetite, fraqueza, entre outros.
A estimativa de vida de um paciente com câncer de fígado é medida pelo tempo que o tumor leva para duplicar o volume de massa tumoral, que é muito curto em comparação com outros tumores, sendo em média de quatro meses no hepatocarcinoma.
Mesmo assim, em caso de pacientes que não têm acesso, não podem ou não conseguem tolerar o tratamento com o sorafenibe, deve-se e pode-se considerar o uso de quimioterapia sistêmica. A quimioterapia deve apenas ser considerada quando se faz necessária uma resposta rápida para o controle de sintomas. “Além do sorafenibe, há um número considerável de terapias de alvo molecular em estudo neste momento, algumas com resultados preliminares promissores”, afirma Dra. Rosane.
O câncer de fígado é um dos mais letais como explica a oncologista do IOP. “Chama muita atenção no diagnóstico do câncer do fígado o pequeno tempo de evolução, ou seja, o paciente apresenta uma doença geralmente muito avançada no diagnóstico com um tempo de evolução da sintomatologia muito curto”.
Cerca de 50% dos pacientes com carcinoma hepatocelular apresentam cirrose hepática, que pode estar associada ao:
• Alcoolismo;
• Hepatite crônica, cujo fator etiológico predominante é a infecção pelo vírus da hepatite B e C, que estão relacionados ao desenvolvimento do câncer de fígado;
• Em áreas endêmicas, a esquistossomose é considerada fator de risco;
• A ingestão de grãos e cereais, quando armazenados em locais inadequados e úmidos, esses alimentos podem ser contaminados pelo fungo aspergillus flavus, que produz a aflatoxina, substância cancerígena ligada ao hepatocarcinoma;
• Doenças relacionadas com o depósito de ferro no fígado.