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Brasileiro cria nova tecnologia para tratamento do câncer

O estudante cearense Ivan de Morais, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), é o responsável por um grande avanço no tratamento do câncer. Ele está desenvolvendo uma pesquisa sobre o tratamento de tumores com fármacos nanoparticulares magnéticos, que prometem diminuir os danos ao paciente e atacar o tumor com mais rapidez e eficácia.

José Wally Menezes, professor-orientador de Ivan, explica como estes fármacos funcionam. “São inseridas nanopartículas magnéticas na composição do medicamento (ou fármaco)”, fala. “Os tumores possuem temperatura diferente das outras células do corpo e, por conta disso, os fármacos nanoparticulares conseguem identificar e buscar o tumor dentro do organismo”. A partir desta técnica os remédios atacariam diretamente as células cancerosas, com menos danos ao corpo do paciente.

Ivan conta que a ideia para esta pesquisa surgiu durante seu curso de física, na Universidade Federal do Ceará (UFCE). “Lá eu não tive a oportunidade de escrever um artigo – fiz isso quando vim para o Instituto, e do artigo surgiu a ideia do aprofundamento através de uma pesquisa detalhada”, relata o aluno e pesquisador. “Agora é hora de começar os estudos em si: fechamos uma parceria entre o IFCE e a UFCE e vamos colocar essa teoria à prova”.

A pesquisa de Ivan está caminhando: os próximos passos são o desenvolvimento do software que permite inserir as partículas na composição do medicamento, simular o comportamento do fármaco no organismo e, só então, começar os testes – feitos primeiramente em cobaias e, caso o resultado seja promissor, em humanos. “Não podemos estipular uma data certa para isso tudo, mas trabalharemos por cerca de três anos”, afirma Ivan.

O professor Wally tem esperanças de que a tecnologia desenvolvida por Ivan – que alia os compostos já existentes com a nanotecnologia – possa revolucionar o tratamento do câncer. “Magneticamente você consegue detectar algo que a radio e a quimioterapia não conseguiriam, e isso é muito menos traumático para o paciente”, comemora.

Descoberta célula que impede que o sistema imunológico reaja ao câncer

Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram que um tipo de célula do estroma, que expressa a proteína alfa de ativação dos fibroblastos (FAP), desempenha importante papel na supressão da resposta imunológica na presença dos tumores cancerosos. Presentes em muitos tipos de câncer, essas células impedem o uso de vacinas e outras terapias que dependem das respostas do sistema imunológico para contra-atacar a doença.

De acordo com a pesquisa, publicada na revista Science, a destruição dessas células permite o controle de um tumor previamente sem domínio pelo sistema imunológico do paciente. “Encontrar as células específicas, dentro da complexa mistura do câncer, que impeçam a reação imunológica é um passo importante. O prosseguimento dos estudos, sobre como essas células exercem seus efeitos, pode contribuir para a melhoria das terapias imunológicas, permitindo-nos remover a barreira do câncer,” explica Douglas Fearon, coordenador da pesquisa.

As atuais vacinas desenvolvidas para induzir o sistema imunológico a atacar as células cancerosas têm mostrado alguma capacidade para ativar uma resposta imunológica no corpo. Porém, de forma inexplicável, elas ainda não afetaram o crescimento dos tumores. Os especialistas da área suspeitam que a atividade de células imunológicas é suprimida de alguma forma dentro do ambiente tumoral. Situação essa que até agora não conseguiu ser ultrapassada, porém o estudo começa a dar as primeiras luzes sobre o motivo pelo qual a resposta imune é suprimida.

Estroma

A pesquisa da Universidade de Cambridge também constatou que pelo menos um componente supressor é encontrado dentro das células de tecido normal, chamadas de células do estroma, que os tumores utilizam para sua sobrevivência.

A célula que está sendo estudada agora expressa uma proteína única também associada à cicatrização de ferimentos, a proteína alfa de ativação dos fibroblastos. Essas células são encontradas em vários tipos de câncer, como o de mama e o câncer de colorretal.

Mesmo comemorando o sucesso da descoberta, Fearon alerta que “estes estudos foram feitos em camundongos e, embora haja muita sobreposição entre o sistema imunológico humano e dos ratos, nós não sabemos a importância destas descobertas para os seres humanos até que sejamos capazes de interromper a função das células do estroma tumorais expressando FAP em pacientes com câncer”.

Pesquisa revela particularidades nas mutações genéticas que causam câncer

Uma pesquisa realizada por cientistas das universidades de Harvard e Johns Hopkins conclui que as mutações individuais das células do câncer não são suficientes para aumentar o tamanho do tumor. O estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, revelando que o câncer é resultado de várias mutações genéticas acumuladas.

A principal autora da pesquisa é Ivana Bozic, pesquisadora do departamento de matemática da Universidade de Harvard. O estudo de modelagem matemática conduzido por Ivana analisou as mutações individuais nas células cancerosas, revelando que as modificações individuais aumentam a taxa de divisão celular em apenas 0,4%. Em entrevista logo após a divulgação dos resultados, a pesquisadora disse que o crescimento de um tumor requer o acúmulo lento e contínuo de múltiplas mutações em uma mesma célula ao longo de vários anos.

Desenvolvimento do câncer

Os pesquisadores descobriram que a maioria dos tumores sólidos possuem de 40 a 100 modificações genéticas, mas apenas de 5 a 15 destas mutações realmente impulsionam o crescimento da doença. Ivana comenta que um indivíduo pode passar 20 anos sem sofrer mutações acumuladas na mesma célula e, consequentemente, não apresentar crescimento do tumor.

Agora se ocorrer uma segunda mutação indutora dentro de cinco anos, em pouco mais de duas décadas o tumor pode crescer e ultrapassar centenas de gramas. O estudo reforça a visão de que cada câncer é uma doença diferente, com alta heterogeneidade e aleatoriedade em suas características.

Câncer de mama é combatido com beta-bloqueadores

Um recente estudo apresentado na European Breast Cancer Conference, em Barcelona, na Espanha, pode revolucionar o tratamento do câncer de mama. Segundo a pesquisa, neurotransmissores, por meio de receptores beta-2 adrenérgicos, estariam induzindo a migração de células cancerosas. Por isso, um tratamento com medicamentos do tipo beta bloqueadores impediriam a formação de metástase nas mamas e garantiriam maior eficácia na cura desse tipo de câncer.

De acordo com a mastologista, Dra. Maria de Fátima Gaui, essa era uma hipótese que já havia sido cogitada para diversos tipos de tumores, mas pela primeira vez um estudo observacional foi realizado para tentar comprová-la. Ela adverte, porém, que ainda é muito cedo para que essa descoberta seja aplicada no tratamento. “O nível de evidência gerado por um estudo observacional é muito baixo. Para uma droga se tornar eficaz na terapêutica de uma determinada patologia é necessário um ensaio clínico”, explica.

Beta-bloqueadores

Os beta bloqueadores, ou bloqueadores beta adrenérgicos, são um grupo de medicamentos que atuam obstruindo a chegada de noradrenalina aos receptores beta, presentes ao longo do organismo e responsáveis por algumas reações do sistema nervoso simpático, como arritmia e dilatação das pupilas. Esse tipo de fármaco era utilizado mais comumente para tratar pacientes que passaram por infartos do miocárdio e outros problemas cardíacos, além de tratamentos de hipertensão. Porém, seu uso foi restringido seriamente ou substituído por outras drogas por aumentar o risco do paciente desenvolver diabetes mellitus tipo II. Alguns outros tratamentos menos comuns, como antidepressivos, também usam beta bloqueadores.

O estudo

A pesquisa, apresentada na sétima edição do European Breas Cancer Conference, analisou 466 pacientes com tumores operáveis nas mamas. Noventa e dois desses pacientes estavam recebendo anti-hipertensivos. Dentre esses pacientes, 43 estavam recebendo beta bloqueadores no momento do diagnóstico do tumor. Os pacientes que estavam sob esse medicamento apresentaram aumento na taxa de sobrevida e uma redução significativa na produção de metástases e na recorrência local do tumor, além de queda de 71% no risco de mortalidade específica para câncer de mama.

Pesquisa revela que curativo de luz destrói células do câncer de pele

Cientistas ingleses criaram um curativo que emite uma luz capaz de curar ferimentos e destruir as células tumorais do câncer de pele.

O curativo utiliza um plástico flexível com pequenos diodos emissores de luz, conhecidos como LEDs. Essas pequenas lâmpadas emitem um feixe de luz vermelha na área da pele a ser tratada. Antes de colocar esses curativos é passado um creme especial na área, que sofre uma reação química com a luz. Segundo a pesquisa, esse composto químico ataca as células cancerosas, eliminando-as.

Nos primeiros testes realizados foi constatado que as células do câncer de pele foram destruídas em apenas 30 minutos. Pesquisadores acreditam que essa nova terapia de fotodinâmica possa ser usada para tratar diversas doenças como acne, psoríase, linfoma cutâneo de células T e doença de Bowen.

Para Cristina Abdalla, dermatologista do Núcleo Avançado de Câncer de Pele do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, ainda é muito cedo para saber se realmente esse método funciona. Para ela ainda precisam ser feitos mais estudos.

Terapia fotodinâmica
A terapia fotodinâmica é uma forma de tratamento de tumores, cancros e outras deformações de tecido, usando luz e compostos fotossensíveis. Segundo a dermatologista, o tecido do paciente fica encubado por 3 horas. São necessários certos cuidados com o tipo de pele, distância e acompanhamento do processo. Cristina destaca que, por ser um método doloroso, muitos pacientes deixam de realizar outras sessões o que acaba prejudicando o resultado, já que esse tipo de tratamento funciona em muitos casos.

Esta é mais uma técnica no arsenal de tratamentos que usam aparelhos para o controle das diversas doenças da pele, diminuindo a necessidade do uso de medicamentos e o índice de efeitos colaterais e, ao mesmo tempo, visando a facilitar a vida dos indivíduos.

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