Pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova York, realizaram uma nova análise dos sobreviventes japoneses da bomba atômica. Com isso, eles concluíram que, ao contrário do conhecimento popular, o risco de câncer após a exposição na meia idade pode aumentar para alguns tipos de tumores. De acordo com o estudo, essas análises podem ter implicações sobre testes diagnósticos com raios-X, realizados predominantemente em adultos de meia idade, assim como profissões que compreendem exposição à radiação.
A pesquisadora, Sandra Bellintani, que participou do atendimento no acidente radiológico de Goiânia (Césio 137) e atua na Gerência de Radioproteção do Instituto de Pesquisa de Energia Nuclear gerenciada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (IPEN-CNEN/SP), explica que a exposição à radiação se inicia com a ionização e excitação dos átomos que constituem as moléculas do organismo. Esse fenômeno ocorre por causa da transferência de energia da radiação para a matéria e, dependendo da dose recebida, as células podem morrer (efeitos determinísticos) ou sobreviver e carregar alterações no DNA (efeitos estocásticos), que futuramente podem resultar em câncer.
“Para a Comissão Internacional de Proteção Radiológica (ICRP), o câncer é classificado como um efeito probabilístico (efeito estocástico), ou seja, a probabilidade deste efeito ocorrer aumenta com o tamanho da dose recebida, sem necessidade de uma dose mínima. Também é considerado um efeito tardio, pois, pode se manifestar muitos anos após a exposição original” esclarece Sandra.
Apesar dos riscos causados pela exposição à radiação, a pesquisadora afirma que a ICPR adota princípios para da segurança durante os exames que utilizam essa tecnologia, além disso os seres humanos têm sido expostos à radiação natural ao longo de toda a existência. Até hoje não existem evidências de que essas doses sejam danosas ao homem, mesmo em regiões em que a radioatividade natural é considerada alta, como o caso das Areias Monazíticas (Guarapari – ES) e na região de Kerala, na Índia.
Em relação à idade de exposição, Sandra ressalta que a Lei da Radiosensibilidade explica que células imaturas e com ritmo de divisão celular acentuado, como é o caso das crianças, possuem maior sensibilidade à radiação ionizante, ao contrário do que diz a pesquisa da Universidade de Columbia. “O efeito produzido pela radiação é um efeito tardio e pode apresentar um longo período de latência, da ordem de décadas até se manifestar. Como as crianças viverão mais tempo que os adultos terão mais chance para manifestar o câncer e este fazer parte das estatísticas” completa.
Para evitar a superexposição de pessoas à radiação, a pesquisadora ressalta que os diagnósticos por imagem expõem os pacientes à menor dose de radiação possível, além disso esse tipo de exame deve ser utilizado apenas quando necessário e sempre pensando em minimizar riscos relacionados com seus efeitos. “O que podemos esperar para o futuro, a luz de novos conhecimentos, é o desenvolvimento de equipamentos e técnicas que permitam um diagnóstico por imagem cada vez mais eficaz e uma melhoria continua nos programas de controle da qualidade de modo a reduzir as doses recebidas pelos pacientes” finaliza.