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28/03/2011

Remoção de gânglios é ineficaz em certos casos de câncer de mama

Médicos americanos do Centro de Saúde Saint John, na Califórnia, divulgaram pesquisa no dia 8 de fevereiro de 2011 que desencoraja a remoção total de gânglios linfáticos da região das axilas em mulheres diagnosticadas com câncer de mama. Segundo o estudo, o procedimento mostrou-se tão eficiente quanto à remoção parcial dos gânglios afetados por tumores. Em outras palavras, para as mulheres, isso significa uma cirurgia menos invasiva e menores riscos de infecções pós-operatórias, bem como outros sintomas, como dores e inchaço no local.

Participaram da pesquisa 859 mulheres que tiveram tumores removidos e depois passaram por sessões de radioterapia ou quimioterapia. Os resultados, que foram divulgados no Journal of the American Medical Association, mostram que as mulheres que tiveram apenas os gânglios afetados removidos apresentaram os mesmos índices de cura que as que passaram pela remoção completa.

As sessões de radioterapia e quimioterapia são eficientes para atacar células cancerígenas antes que elas tenham tempo de se espalhar. O procedimento é indicado principalmente para pacientes que tiveram a doença diagnosticada em estágios iniciais, mas outras hipóteses não são descartadas, pois são levados em conta dados como idade, histórico familiar, nível de agressividade do tumor e desejo da mulher, afirmam os médicos.

A pesquisa vem ao encontro da tendência de se retirar menos tecidos das doentes, com o objetivo de preservar o corpo e evitar operações reparadoras e sequelas. No Brasil, a prática é difundida e muitos médicos realizam a resseção axilar, que é a retirada de apenas alguns gânglios para análise.

Para especialistas brasileiros, o estudo vai na linha cada vez menos invasiva e abre nova perspectiva no tratamento do câncer. “Antes, retirávamos toda a mama. Depois, passamos a retirar parte dela e, agora, nem mesmo é necessária a retirada de todos os linfonodos”, afirma Rafael Kaliks, oncologista do Hospital Albert Einstein.

Perspectivas

De acordo com o oncologista do Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Cid Gusmão, é provável que, em até cinco anos, nenhuma mulher com câncer em estágio inicial faça a retirada total dos linfonodos.

Cirurgias como a lumpectomia são menos invasivas, pois é um procedimento que conserva a mama, retirando apenas o tumor e parte dos tecidos ao redor. Por outro lado, outros procedimentos como a quadrantectomia e a mastectomia, por exemplo, chegam a retirar todo o seio ou partes dele.

Os gânglios linfáticos são órgãos que filtram o líquido em circulação no seio, destruindo ameaças ao organismo como bactérias e células cancerígenas.

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