Um estudo realizado na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, pode apontar um progresso no tratamento ao glioblastoma, um tumor raro e grave que se desenvolve no cérebro. Pacientes que receberam doses altas de radiação em uma região do cérebro que abriga boa parte das células-tronco neurais tiveram uma sobrevida maior — praticamente o dobro, de 7.5 para 15 meses, aproximadamente — sem progressão do que aqueles que receberam menos ou nenhuma radiação nessa mesma área.
De acordo com Carlos Gil Moreira, oncologista do Instituto Nacional do Câncer (INCA), esta é uma abordagem muito inovadora. “Durante muito tempo, não tivemos progresso tecnológico no tratamento desta doença, além de algumas drogas quimioterápicas que auxiliam no controle do desenvolvimento do tumor”, afirma. Ele complementa dizendo que os três pilares do tratamento ao glioblastoma sempre foram a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. Sobre este último, o médico comenta a proposta do estudo: “o problema da doença é que as células-tronco que originam o tumor resistem à radioterapia e voltam com mais força. A novidade do estudo consiste em uma dose extra de radiação na região do tumor”.
Moreira explica também que isso é possibilitado graças ao desenvolvimento tecnológico, que permite não só localizar as células do glioblastoma, como também emitir doses de radiação mais precisas nas regiões necessárias. “Isso é muito importante porque a radiação danifica igualmente as células sadias, então é necessária precisão no tratamento”.
Entretanto, o médico adverte, a pesquisa ainda não está concluída: “este é o que chamamos de estudo fase 2, um estudo gerador de hipótese. A abordagem é interessante, mas necessitamos de um estudo fase 3, com mais pacientes, para validá-lo”. Além disso, explica, a próxima fase deverá contar com diferentes hospitais, populações e etnias, para verificar as possíveis variações nos resultados. “Como o glioblastoma é muito grave e a sobrevida dos pacientes é curta, também não se sabe se a irradiação das células-tronco pode acarretar em sequelas mentais ou outro tipo de efeito colateral”, acrescenta.