O câncer de mama é a neoplasia que mais afeta as mulheres atualmente no Brasil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o número de casos novos de câncer de mama esperados para o país, em 2010, será de 49.240, com um risco estimado de 49 casos a cada 100 mil mulheres.
Um estudo feito pela doutora Patricia V. Elizade, pesquisadora do Laboratório de Mecanismos Moleculares da Carcinogênese do Instituto de Biología y Medicina Experimental (IByME) da Argentina, promete trazer uma nova perspectiva para as portadoras deste tipo de enfermidade. Os cientistas argentinos descobriram que o bloqueio de uma proteína ajuda a impedir o avanço desse tumor pelo organismo.
Proteína erbB-2
A pesquisa descobriu que a proteína erbB-2, que é um receptor do fator de crescimento do tumor, estimulada pela progesterona, se movimenta e chega ao núcleo da célula cancerígena. Com isso, associa-se a outras proteínas e, através da metástase da célula, estimula o desenvolvimento e a proliferação do tumor.
De acordo com o médico, Jose Ricardo Conte de Souza, presidente da regional Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), as células cancerígenas produzem fatores de crescimento que estimulam o próprio tumor, numa espécie de retroalimentação dessas células. “Por exemplo, o fator de crescimento do endotério vascular cria vasos sanguíneos para alimentar o próprio tumor”.
O texto oficial da pesquisa informa que “se bloquearmos a capacidade da erbB-2 de chegar ao núcleo, é possível inibir o avanço da doença. Foi possível verificar isso através de experiências in vitro, em células em cultivo e também em experimentos com ratos”.
Bloqueio da proteína
O método utilizado para o bloqueio da proteína erbB-2 utilizou outra proteína, feita pela engenharia genética, que além de não afetar apenas o núcleo também impede que a erbB-2 entre no núcleo da célula. Consequentemente, ao produzir uma célula sem essa proteína, foi possível diminuir o crescimento do tumor. Essa estratégia promete auxiliar os pacientes com câncer de mama com altos níveis de produção erbB-2.