A detecção do câncer é, hoje, uma das principais preocupações da medicina, pois se sabe que seu diagnóstico precoce aumentam em muito as chances de tratamento e sobrevida. Uma pesquisa, que foi capa do exemplar de julho de 2010 da revista especializada Analytical Chemistry, indica mais um avanço nessa área. Cientistas das universidades de Emory e Georgia Tech, nos Estados Unidos, apontam que nanopartículas coloridas, também conhecidas como pontos quânticos, podem auxiliar a detecção de células raras em biópsias de tecido.
Elas identificam principalmente as células de Reed-Sternberg, principal evidência do linfoma de não-Hodgkin. Embora tenham uma aparência que permita uma fácil identificação, essas células confundem-se com outras células brancas quando presentes em tecidos de linfonodo, daí a dificuldade de detecção e a importância das nanopartículas coloridas para colocá-las em evidência.
Segundo Carlos Gil, coordenador de pesquisas clínicas e incorporação tecnológica do Instituto Nacional do Câncer (Inca), os pontos quânticos são cristais muito pequenos que, se acoplados a anticorpos específicos, podem penetrar as células e identificar alguns tipos de câncer. Ele explica o porquê dessa busca por novos métodos: “o objetivo é refinar as estratégias de diagnóstico em situações nas quais os métodos convencionais podem não ser ideais. Na era da oncologia molecular, a classificação e a subclassificação dos tumores se tornam fundamentais. No entanto, nem sempre os métodos tradicionais são suficientes”.
O pesquisador responsável pela pesquisa, Shuming Nie, afirmou que o método não se limita apenas à identificação do linfoma de não-Hodgkin. Podem também ser detectadas células-tronco cancerosas, macrófagos associados a tumores e outros tipos de células raras. De fato, Carlos Gil aponta que esse método poderá ser usado em outros tipos de tumor nos quais a subclassificação por imuno-histoquímica convencional não seja suficiente.