Um recente estudo apresentado na European Breast Cancer Conference, em Barcelona, na Espanha, pode revolucionar o tratamento do câncer de mama. Segundo a pesquisa, neurotransmissores, por meio de receptores beta-2 adrenérgicos, estariam induzindo a migração de células cancerosas. Por isso, um tratamento com medicamentos do tipo beta bloqueadores impediriam a formação de metástase nas mamas e garantiriam maior eficácia na cura desse tipo de câncer.
De acordo com a mastologista, Dra. Maria de Fátima Gaui, essa era uma hipótese que já havia sido cogitada para diversos tipos de tumores, mas pela primeira vez um estudo observacional foi realizado para tentar comprová-la. Ela adverte, porém, que ainda é muito cedo para que essa descoberta seja aplicada no tratamento. “O nível de evidência gerado por um estudo observacional é muito baixo. Para uma droga se tornar eficaz na terapêutica de uma determinada patologia é necessário um ensaio clínico”, explica.
Beta-bloqueadores
Os beta bloqueadores, ou bloqueadores beta adrenérgicos, são um grupo de medicamentos que atuam obstruindo a chegada de noradrenalina aos receptores beta, presentes ao longo do organismo e responsáveis por algumas reações do sistema nervoso simpático, como arritmia e dilatação das pupilas. Esse tipo de fármaco era utilizado mais comumente para tratar pacientes que passaram por infartos do miocárdio e outros problemas cardíacos, além de tratamentos de hipertensão. Porém, seu uso foi restringido seriamente ou substituído por outras drogas por aumentar o risco do paciente desenvolver diabetes mellitus tipo II. Alguns outros tratamentos menos comuns, como antidepressivos, também usam beta bloqueadores.
O estudo
A pesquisa, apresentada na sétima edição do European Breas Cancer Conference, analisou 466 pacientes com tumores operáveis nas mamas. Noventa e dois desses pacientes estavam recebendo anti-hipertensivos. Dentre esses pacientes, 43 estavam recebendo beta bloqueadores no momento do diagnóstico do tumor. Os pacientes que estavam sob esse medicamento apresentaram aumento na taxa de sobrevida e uma redução significativa na produção de metástases e na recorrência local do tumor, além de queda de 71% no risco de mortalidade específica para câncer de mama.