Uma pesquisa realizada na Universidade Yale, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica Nature revelou uma nova maneira através da qual o câncer age no organismo.
O estudo, coordenado por Tian Xu, professor e vice-presidente do conselho de genética de Yale, mostrou que as mutações que causam câncer podem atuar em conjunto para promover o desenvolvimento de tumores, mesmo se estiverem localizadas em diferentes células no mesmo tecido.
A equipe do professor Xu analisou moscas-das-frutas para estudar as atividades dos genes RAS e scribble envolvidos no desenvolvimento de tumores em seres humanos.
Anteriormente, o grupo havia constatado que um tumor maligno era desencadeado pela combinação desses dois genes em uma célula. Porém, na última pesquisa verificou-se que as mutações não precisam estar necessariamente na mesma célula.
A relação entre estresse e câncer
A pesquisa conseguiu ainda constatar que em condições de estresse físico, como um ferimento, o desenvolvimento pode ser desencadeado com maior facilidade. Nos testes realizados, os genes RAS se desenvolveram em tumor, assim que um tecido teve uma ferida induzida.
O oncologista e coordenador do Serviço de Pesquisa Clínica do Instituto Nacional do Câncer (INCA), Carlos Gil Moreira Ferreira, esclarece: “o estresse em questão é predominantemente físico, como radiação, infecções ou inflações crônicas ou exposição a agentes químicos”. Ou seja, ainda é muito cedo para estabelecer grupos de risco relacionados ao estresse psicológico.
Apesar de os pesquisadores considerarem o aumento da possibilidade do acúmulo das mutações uma má notícia, Ferreira ressalta que as descobertas da pesquisa “são importantes, pois mudam o nosso entendimento sobre os eventos necessários para o surgimento de um tumor”.
Embora os indícios mostrem que o desenvolvimento do câncer é menos complexo do que a comunidade médica previa, os autores do estudo acreditam que a descoberta deve auxiliar no desenvolvimento de novas formas de prevenção e tratamento da doença.
Ferreira pondera que, em longo prazo, a pesquisa pode mostrar um caminho para os estudos sobre o câncer. “Qualquer informação sobre os eventos envolvidos na gênese de um tumor pode suscitar estratégias futuras de prevenção ou terapia”, ressalta o oncologista.