Uma pesquisa realizada por cientistas das universidades de Harvard e Johns Hopkins conclui que as mutações individuais das células do câncer não são suficientes para aumentar o tamanho do tumor. O estudo foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, revelando que o câncer é resultado de várias mutações genéticas acumuladas.
A principal autora da pesquisa é Ivana Bozic, pesquisadora do departamento de matemática da Universidade de Harvard. O estudo de modelagem matemática conduzido por Ivana analisou as mutações individuais nas células cancerosas, revelando que as modificações individuais aumentam a taxa de divisão celular em apenas 0,4%. Em entrevista logo após a divulgação dos resultados, a pesquisadora disse que o crescimento de um tumor requer o acúmulo lento e contínuo de múltiplas mutações em uma mesma célula ao longo de vários anos.
Desenvolvimento do câncer
Os pesquisadores descobriram que a maioria dos tumores sólidos possuem de 40 a 100 modificações genéticas, mas apenas de 5 a 15 destas mutações realmente impulsionam o crescimento da doença. Ivana comenta que um indivíduo pode passar 20 anos sem sofrer mutações acumuladas na mesma célula e, consequentemente, não apresentar crescimento do tumor.
Agora se ocorrer uma segunda mutação indutora dentro de cinco anos, em pouco mais de duas décadas o tumor pode crescer e ultrapassar centenas de gramas. O estudo reforça a visão de que cada câncer é uma doença diferente, com alta heterogeneidade e aleatoriedade em suas características.