O câncer de mama é a neoplasia que mais afeta as mulheres, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Embora haja um bom percentual de cura, caso seja detectado a tempo, esse tipo de tumor preocupa os estudiosos em especial na sua forma mais agressiva, a basal, que é a que ataca as mulheres mais jovens.
Porém, em junho de 2011, cientistas australianos do Instituto de Pesquisa Médica Garvan, em Sydney, publicaram um estudo na revista Cancer Research em que identificavam uma molécula apontada como responsável pelo crescimento e expansão do câncer de mama do tipo basal no organismo.
Assim, a descoberta australiana parece ser muito promissora para desenvolver medicamentos capazes de diminuir esse tipo de tumor, que, segundo os pesquisadores, não pode ser tratado com os mesmos medicamentos que são usados nos demais casos de câncer de mama.
Câncer basal – dificuldade de tratamento
De acordo com Alex Swarbrick, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, uma das dificuldades de se combater o câncer de mama do tipo basal – e motivos pelos quais ele é chamado de doença triplo negativa, é o fato de ele não produzir receptores dos hormônios femininos estrogênio e progesterona, nem da proteína HER2, que são atingidos pelas drogas Tamoxefin e Herceptin, frequentemente usadas no tratamento de câncer de mama.
O chefe do serviço de mastologia do Inca, Ricardo Motta de Carvalho, reforça essa explicação. Segundo ele, a classificação em subtipos de carcinoma de mama é bastante recente e o basal é o que tem o pior prognóstico com relação aos outros, pois não expressa nenhum receptor.
É possível identificar cinco subtipos de carcinoma de mama: luminal A, luminal B, superexpressão de HER2, basal e normal breast-like, sendo o basal frequentemente associado com o pior prognóstico. “Agora, o que se busca é achar uma medicação para bloquear receptores de fatores epidérmicos, já que o câncer de mama basal superexpressa o fator de crescimento epidérmico, ou EGFR”, explica o mastologista.
A molécula
A molécula identificada pelos pesquisadores, e apelidada de “porco-espinho”, pelo aspecto espinhoso que possui, exerce um papel crucial no desenvolvimento do câncer de mama, pois transmite sinais bioquímicos entre as células cancerígenas e as saudáveis.
O estudo australiano observou que quando a molécula é bloqueada, o tumor do tipo basal se encolhe e perde a capacidade de se espalhar pelo corpo. A tese foi comprovada em testes laboratoriais feito em ratos que receberam altas doses da molécula, e se observava que o câncer se tornava mais agressivo e se espalhava mais. Já quando a molécula era bloqueada, os tumores eram menores.
Os pesquisadores afirmam que já estão realizando testes clínicos para associar medicamentos que bloqueiem a atividade da molécula em outros tipos de câncer.