O que uma mamadeira, uma garrafinha de água tipo squeeze, um copo infantil e um pote que armazenamos comida na geladeira têm em comum? Se você pensou plástico, passou perto. Estamos falando do Bisfenol A, também chamado de BPA, uma substância química presente na matéria prima do policarbonato, utilizada na fabricação desses e de muitos outros produtos. Sua comercialização remonta da década de 50, graças a seus atributos de resistência, transparência e flexibilidade.
No entanto, de alguns anos para cá, estudos vêm sendo divulgados na mídia questionando se esse produto pode trazer danos à saúde. A polêmica fez com que países como Dinamarca e Costa Rica proibissem a comercialização de produtos com Bisfenol A para crianças. E, em abril de 2011, a Justiça Federal de São Paulo determinou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ANVISA, que regulamente a obrigatoriedade de informação da presença da substância nas embalagens de alguns tipos de produtos.
O que é Bisfenol?
O Bisfenol A age como se fosse um hormônio sintético no nosso corpo, mais especificamente o estrógeno, hormônio feminino. “Uma pessoa em contato excessivo com o Bisfenol A está muito exposta ao excesso de ação hormonal”, afirma Angela Spinola, presidente do departamento de pediatria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Para a Angela, as crianças são as mais vulneráveis às consequências do Bisfenol A. Outra preocupação é a exposição de gestantes à substância, pois esta pode ser liberada para o feto. “Pode levar ao início da puberdade mais cedo – puberdade precoce, à agressividade e até a predisposição de desenvolvimento de câncer de mama e de próstata”, afirma Angela.
Legislação
Para Angela, o Brasil ainda está caminhando no sentindo de uma regulamentação sobre os produtos fabricados com Bisfenol A. Nos Estados Unidos, produtos que contêm essa substância precisam estar devidamente rotulados para que os consumidores tenham o poder de escolha sobre o que estão comprando.
Em Curitiba, o vereador Aladim Luciano, do Partido Verde, enviou um projeto de Lei à Secretaria Municipal de Saúde em que prevê que produtos com Bisfenol A devam ser retirados do mercado. O projeto aguarda ser discutido na câmara dos vereadores.
Enquanto não há uma regulamentação acerca do assunto, uma forma de reconhecer produtos com Bisfenol é o rótulo. Quando o produto plástico é reciclado e o símbolo da reciclagem contém o número 3 ou 7 dentro do triângulo, ele contém Bisfenol A.