Pesquisa feita por cientistas da Disciplina de Neurologia Experimental da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) – e que integra uma das linhas de pesquisa do Instituto Nacional de Neurociência Translacional – verificou que o ômega 3 é capaz de regenerar neurônios. A pesquisa aponta para a possibilidade de, no futuro, se criar drogas que possibilitem a regeneração cerebral de pessoas com epilepsia e alguns tipos de demências.
Sabe-se que crises prolongadas de epilepsia podem causar lesões em neurônios. A pesquisa demonstrou que, através da produção de proteínas que provocam a entrada do cálcio nas células cerebrais, foi possível regenerar o tecido cerebral de ratos com crises epilépticas.
Sobre a pesquisa
Para a realização da pesquisa, 20 ratos adultos foram separados em quatro grupos distintos. Ao grupo 1 de ratos sadios foi administrado placebo. Ao grupo 2, também composto por animais sadios, foi incluído o ômega na dieta 3. Nos grupos 3 e 4, formados por ratos com crises de epilepsia, foi administrado placebo a um e, ao outro, o ômega 3. A quantidade do ácido graxo administrado aos ratos foi compatível com a quantidade de ingestão de peixes recomendada a seres humanos, que é de três vezes por semana.
Após 60 dias, a análise do tecido cerebral dos ratos mostrou que o ômega 3 foi capaz não apenas de minimizar a morte de células cerebrais dos animais com epilepsia, como foi também capaz de regenerá-las, com a formação de novos neurônios.
Tratamento da epilepsia
Além da medicação necessária ao tratamento da epilepsia, pesquisadores propõem a introdução do ômega 3 na alimentação com o propósito de minimizar as crises. O consumo de peixes como o salmão, sardinha e atum, pelo menos três vezes por semana, seria uma forma de introduzir a substância na cadeia alimentar de pacientes epilépticos.
Após as pesquisas com ratos, médicos da UNIFESP e da USP de Ribeirão Preto iniciaram um estudo sobre o efeito da adição do ômega 3 na dieta de crianças com epilepsia refratária de difícil controle. A adição do ácido graxo na alimentação desses pacientes tem o propósito de atuar como coadjuvante para tentar minimizar as crises.