O combate ao câncer de próstata — segundo tipo de câncer mais frequente entre os homens, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) — pode ganhar mais um aliado importante. Um estudo da Universidade da Califórnia apresentado no Encontro Nacional da American Chemichal Society aponta uma diminuição considerável do tamanho e da evolução dos tumores de próstata em ratos com uma dieta rica em nozes. Geneticamente estimulados a desenvolver a doença, os ratos apresentaram tumores 50% menores e 30% mais lentos quando alimentados com 70g diárias de nozes, em comparação a outros ratos que não tiveram a mesma dieta.
Embora o estudo esteja ainda em um estágio muito pouco avançado e que, para comprovar o benefício do alimento, seja necessário um estudo com humanos, as propriedades das nozes já eram conhecidos pelos cientistas. Dentre os componentes desejáveis do fruto está o ômega-3, importante para prevenir doenças do coração. O chefe do Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Marcos Dall’Oglio, “alimentos com taxa de ômega-3 elevada apresentam efeito protetor contra o câncer de próstata, como é possível observar no salmão, por exemplo”. Entretanto, os cientistas responsáveis pela pesquisa com os ratos estão verificando ainda como o alimento interage com o organismo, por meio de um chip para examinar as mudanças nos níveis de genes do tumor.
O Dall’Oglio acredita que, se o estudo for comprovado, as nozes poderão oferecer um efeito protetor para pessoas que querem evitar o câncer e para pacientes com a doença, já que o consumo retardaria o crescimento dos tumores. Além das nozes, o urologista afirma que existem outras substâncias que podem ajudar a prevenir a neoplasia: “alimentos que provavelmente interfiram em alterações da glândula prostática são vegetais como a soja, tomate, brócolis, espinafre, couve-flor, abóbora e melancia”.
A SBU recomenda um acompanhamento urológico regular para homens com mais de 45 anos. Para pacientes com histórico familiar de câncer de próstata, o acompanhamento deve começar mais cedo, aos 40. “A partir de uma consulta individualizada, elaborar estratégias de prevenção e acompanhamento”, completa o médico.