O câncer de mama triplo negativo é uma das variações mais graves da doença, resistente aos tratamentos convencionais. É diagnosticada quando o tumor não apresenta três receptores de hormônios: o de estrogênio, o de progesterona e o receptor HER-2, que são usados para determinar o tratamento para outras formas da neoplasia. Agora, porém, pode haver mais esperanças para as pacientes desse tipo de câncer.
Pesquisadores da Ohio State University Comprehensive Cancer Center, nos Estados Unidos, estão preparando ensaios clínicos para testar novos agentes que, combinados com a quimioterapia, podem combater o câncer de mama triplo negativo. Mulheres com a neoplasia estão sendo recrutadas. “Lançamos um grande ensaio clínico-laboratorial e um esforço de investigação para desenvolver novas terapias que sejam eficazes para tratar esta difícil doença”, afirmou Charles Shapiro, diretor de oncologia do centro.
Os cientistas desenvolveram duas linhas de pesquisa, com dois agentes distintos, para avaliar a melhor maneira de tratar o câncer triplo negativo. O primeiro é um agente inibidor da poli (ADP-ribose) polimerase (PARP), enzima que toma parte no processo de reparação de danos nos DNAs. As PARPs reparam o DNA das células tumerosas, impedindo que a quimioterapia derrote o câncer. Os inibidores da enzima, acreditam os cientistas, deixariam os tumores mais vulneráveis ao tratamento quimioterápico.
O segundo agente estudado é um inibidor de gamma secretase, um complexo protéico que bloqueia a proteína Notch, responsável por guiar a formação do tecido mamário e controlar o número e o desenvolvimento das células tronco no tecido. Uma grande ativação de Notch auxilia a proliferação dos tumores, e por isso, a inibição dessa proteína reduziria seus efeitos sobre a neoplasia.
Dados da American Cancer Society apontam que, em 2010, quase 195 mil mulheres americanas serão diagnosticadas com câncer de mama, das quais pouco mais de 40 mil serão vitimadas pela doença. O câncer triplo negativo representa cerca de 15% dos casos, sendo as mulheres jovens e afro-descendentes as mais propensas a desenvolver esse tipo de tumor.