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21/12/2009

Novas definições para a Síndrome Metabólica

Identificar critérios específicos e tornar global a definição para o diagnóstico clínico de Síndrome Metabólica (SM). Esse é o objetivo da nova normatização proposta por um grupo formado por diversas organizações como a International Diabetes Federation (IDF); National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI); World Heart Federation; International Atherosclerosis Society; e American Heart Association (AHA).

De acordo com o artigo, publicado na Circulation, pacientes com três, dos cinco critérios listados abaixo, são considerados portadores da síndrome:

•    Circunferência abdominal aumentada;
•    Triglicerídeos elevados;
•    Níveis reduzidos de colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL);
•    Pressão arterial sistêmica aumentada;
•    Elevada concentração de glicose.

Entre outras coisas, essa normatização pretende eliminar as diferenças que existiam entre as definições anteriores da IDF e do ATP III em relação à circunferência abdominal. De acordo com Dr. Robert Eckel, endocrinologista da Universidade do Colorado e um dos colaboradores do artigo, a nova definição apoiou-se em diferentes regiões geográficas para expandir seu próprio banco de dados em termos de correlacionar a circunferência abdominal ao risco.

Para o Dr. Luiz Aparecido Bortolotto, médico assistente da Unidade de Hipertensão do InCor e Membro do Conselho Científico da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), a definição de Síndrome Metabólica sempre foi motivo de muito debate e muita discussão no meio. Ele explica que na elaboração das Diretrizes Brasileiras de Síndrome Metabólica, na qual participaram vários membros da Sociedade Brasileira de Hipertensão, além das Sociedades de Endocrinologia, Diabetes e Cardiologia, foi utilizada a classificação do NCEP ATP III para a definição de Síndrome Metabólica. “Quando saiu a calssificação da IDF, que destacou como obrigatória a presença de obesidade abdominal para o diagnóstico, e estabeleceu diferentes limites da circunferência abdominal de acordo com as populações, houve muito debate no Brasil, pois a população da América do Sul estava classificada junto com os asiáticos, e nitidamente há diferenças na constituição corpórea entre os grupos. Assim, considerando os critérios da IDF, o número de brasileiros e brasileiras que apresentariam obesidade visceral seria exageradamente grande”.

De qualquer maneira, Dr. Bortolotto acredita que esta nova normatização poderá ser adotada no Brasil sem muita restrição. “Mas como foi recentemente publicada, ainda não há opinião oficial das diferentes sociedades médicas relacionadas ao tema” ressalta.

“Em minha opinião pessoal, como cardiologista e membro do conselho Científico da SBH, acredito que devemos considerar o paciente não como uma Síndrome especial”. Para Dr. Bortolotto, o ideal é avaliar a agregação dos principais fatores de risco para doença coronária em um mesmo paciente (obesidade visceral, glicemia elevada, diminuição do colesterol bom HDL, aumento do mau colesterol LDL e aumento de triglicérides),  e assim ser mais agressivo no controle dos mesmos.

“A ênfase para a nomenclatura Síndrome Metabólica deve apenas servir como alerta para identificarmos o mais precocemente possível os fatores de risco, sem que se considere uma doença diferente de outras, incentivando mudanças no estilo de vida, incluindo dieta saudável e exercício, além do uso de medicamentos adequados quando indicados” conclui.

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