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11/10/2010

Nova técnica de medicação quimioterápica pretende aliviar os efeitos colaterais

Os remédios usados em tratamentos quimioterápicos são sempre vistos como uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que combatem o tumor, provocam uma série de efeitos adversos que complicam em muito a saúde e qualidade de vida do paciente. Isso acontece, em parte, pela circulação das drogas pelo sistema sanguíneo, que leva o medicamento a partes do corpo não necessariamente comprometidas pelo câncer. Mas uma nova técnica, desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, pretende amenizar os efeitos de um tratamento que, até então, utilizava um medicamento específico de forma intra-arterial.

A técnica desenvolvida, entre outros, pelo pesquisador, Guilherme Martins Gelfuso, e coordenada pela professora, Renata Fonseca Vianna Lopez, consiste em encapsular o medicamento doxorrubicina em pequenas cápsulas de gordura, denominadas nanopartículas lipídicas sólidas. Essas partículas são aplicadas via cutânea por meio de um processo conhecido como iontoforense, que utiliza uma pequena corrente elétrica para a aplicação do fármaco, permitindo assim que a doxorrubicina atinja diretamente a área do tumor.

“A vantagem de se administrar a doxorrubicina por iontoforese para o tratamento de tumores cutâneos é que desta forma se evita vários efeitos colaterais que um paciente tem com uma quimioterapia sistêmica convencional — isto é, administração intra-arterial do quimioterápico —, como queda de cabelos, enjoos e problemas gástricos, redução das células de defesa do organismo”, explica Guilherme Gelfuso.

O resultado da pesquisa foi animador: a doxorrubicina penetra em camadas da pele seis vezes mais fundo com a iontoforese, em parte também, pela associação do medicamento com a nanopartícula de gordura. Renata Lopez fala dos desafios da pesquisa: “vários estudos foram feitos para padronização do tempo de aplicação da corrente elétrica, da intensidade da corrente, da concentração de doxorrubicina na formulação, presença e quantidade de outras substâncias na formulação. Para isto, foram necessários estudos in vitro com modelo de pele sadia, depois in vivo em animal sadio e estudos in vitro envolvendo cultura de células tumorais”. Agora, o desafio dos pesquisadores é realizar estudos in vitro com animais com tumores.

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