De acordo com uma pesquisa da Universidade de Tel Aviv, em Israel, mulheres com diabetes tipo 2 apresentariam 25% a mais de chances de se desenvolver câncer de cólon e de órgãos genitais. O estudo envolveu mais de 17 mil pacientes diabéticos e constatou-se que apenas as mulheres sofriam com essa relação. Já para os homens foi averiguada uma relação inversa: os pacientes diabéticos teriam menos chances de desenvolver câncer de próstata do que pessoas saudáveis, o que demonstra que a relação entre diabetes e a neoplasia não é verificada para todas as formas da doença.
Entretanto, o estudo por enquanto está em fase inicial e são necessários estudos futuros para se comprovar essa relação com eficácia. É o que diz Ivan Ferraz, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Ele conta que a relação entre diabetes e câncer não foi completamente explicada e que outros estudos estão sendo realizados em paralelo a esse: “recentemente, no Congresso Americano de Diabetes, realizado junho de 2010, em Orlando, nos Estados Unidos, foi apresentada uma conferência sobre o assunto. Destacaram-se os fatores metabólicos, tais como a resistência insulínica, tanto na gênese do diabetes como também podendo ter importante papel no desenvolvimento de células tumorais”. Quanto aos tipos de cânceres relacionados à doença, o médico acredita que os resultados possam variar: “podem sofrer alguma modificação de acordo com as regiões analisadas e estarão relacionados com aspectos étnicos e com hábitos como alimentação, tabagismo e alcoolismo”. De fato, em maio de 2010, outra pesquisa, desenvolvida pelo German Cancer Research Center, na Alemanha, estudou diabéticos hospitalizados na Suécia e constataram um risco aumentado para 24 tipos diferentes da neoplasia.
De acordo com Ivan Ferraz, existem três formas de diabetes: o diabetes gestacional, que ocorre durante a gestação de algumas mulheres, o diabetes tipo 1, que acomete principalmente crianças e adolescentes, e o diabetes tipo 2, relacionado a questões de obesidade e hereditariedade. “O diabetes tipo 2 representa 90% dos casos da doença”, afirma.