Uma pesquisa desenvolvida pela bióloga Rebeka Tomasin, do Laboratório de Nutrição e Câncer da Unicamp, pode resultar em novas possibilidades para o tratamento do câncer. A tese de mestrado de Rebeka foi em cima de uma pesquisa com cobaias portadoras de tumor tratadas com um homogeneizado de mel e aloe vera (babosa).
Rebeka conta que a ideia inicial surgiu na sua graduação. “Eu sabia que a medicina popular utilizava mel e aloe vera como remédios anticâncer, então resolvi pesquisar esse composto a fundo para descobrir se teria ou não bons resultados”, conta. Até agora a bióloga realizou apenas testes em cobaias, que comprovaram a ação antitumoral do homogeneizado. “Nós sempre comparamos um grupo de animais com tratamento e outro sem. No grupo não tratado, por exemplo, o tumor correspondia a 12% do peso corporal – já nos animais tratados com o homogeneizado, esse número era de 6%”.
No grupo submetido ao tratamento o tumor era menor, o animal tinha menor degradação das reservas e maior sobrevida. “Identificamos agressões ao tumor e não observamos nenhum efeito colateral nos animais”, comemora Rebeka. Ela conta que o próximo passo será isolar as substâncias responsáveis por essa diminuição do tumor. “Isso vai continuar no meu doutorado: vamos descobrir o que tem o efeito antitumor e como isso acontece”, relata a bióloga.
“Cerca de 70% dos quimioterápicos tem sua origem em plantas – mas quem sabe? Vai que eu isolo uma substância totalmente nova, que afete o tumor de uma forma diferente e não cause tantos danos ao paciente?”, explica Rebeka. “Se isso acontecer pode significar um novo tratamento contra o câncer, já que o maior problema da quimioterapia é que ela é extremamente agressiva”, explica.