Aos médicos faltava um medicamento que reforçasse o sistema imunológico e que prevenisse a rejeição de órgãos transplantados de seus pacientes. Um grupo de cientistas anunciou ter desenvolvido a fórmula. Em um relatório publicado pela revista “Science Translational Medicine”, pesquisadores franceses e americanos afirmaram que a sua aplicação poderia contribuir para a redução dos altos custos dos medicamentos de imunossupressão. Além de caros, eles costumam causar muitos efeitos colaterais e devem ser ingeridos durante toda a vida do receptor para que não haja qualquer rejeição ao órgão transplantado.
Segundo o relatório, o fator crucial que determina a rejeição ou a aceitação do órgão está representado pelas células T. Elas controlam o processo de ativação de anticorpos (CD28) e outro de inibição. O grupo liderado pelo cientista Nicole Poirier, da Universidade de Nantes (França) conseguiu bloquear a ativação com um anticorpo dirigido especificamente, como o CD28, que conseguiu manter intacto o processo de inibição. Esta alteração do funcionamento do sistema imunológico faz com que o corpo aceite o órgão transplantado sem grandes alterações.
Os primeiros testes com o anticorpo foram feitos em transplantes de fígado e coração em macacos. Foram aplicados nos primatas remédios convencionais de imunossupressão com e sem o anticorpo CD28. Depois de três meses da aplicação, os cientistas descobriram que o CD28 tinha impedido que os órgãos fossem rejeitados.
O estudo indicou que os agentes CD28 aumentam a ação dos medicamentos de imunossupressão. Assim, os médicos podem receitar doses menos tóxicas ao organismo dos transplantados, o que torna o tratamento bem menos agressivo. Além disso, segundo o relatório, sua administração manteve um grande número de células T o que reforça a saúde do sistema imunológico.