Pesquisadores da USP identificaram que o topiramato, uma droga usada para tratar enxaqueca e epilepsia, ajuda os alcoolistas a fumar e beber menos simultaneamente.
De acordo com o Dr. Danilo Antonio Baltieri, psiquiatra do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a importância desta pesquisa consiste em avaliar diferentes formas de tratamento médico e psicossocial para pacientes portadores de Síndrome de Dependência de Álcool (SDA) com e sem consumo de tabaco. “Sendo a SDA e a nicotina sérios problemas de saúde pública, os esforços científicos para o desenvolvimento de propostas terapêuticas seguras e eficazes são muito bem vindos” alerta o médico responsável pela pesquisa.
Participaram do estudo 155 homens alcoólatras, entre eles 103 fumantes. Eles foram divididos em três subgrupos. Alguns receberam topiramato, outros uma droga chamada naltrexona e o restante placebo.
Os homens que tomaram topiramato passaram a consumir 40% menos cigarros, em média. Já os que tomaram naltrexona e a pílula de amido reduziram em 10% o número de cigarros. Todos os grupos fumaram menos mesmo sem nenhuma orientação sobre como parar de fumar, porque, com o tratamento, beberam menos.
“O topiramato atua aumentando a ação de uma substância conhecida como GABA que, por sua vez, inibe a ação reforçadora da dopamina cerebral. Além disso, devido à ação antagonista do topiramato sobre receptores de Glutamato, os sintomas de abstinência relacionados ao álcool e à nicotina diminuem” esclarece dr. Baltieri.
Álcool e fumo juntos são ainda mais prejudiciais
Os pesquisadores também compararam os resultados do tratamento entre fumantes e não fumantes. Os fumantes bebiam mais e tinham um risco 65% maior de recaída. O resultado confirma pesquisas anteriores que atestam que o consumo de álcool estimula o tabagismo e vice-versa.
Dr. Baltieri explica que álcool e nicotina atuam de forma sinérgica. Desta maneira, quem bebe acaba fumando mais e quem fuma, por sua vez, acaba bebendo mais também. “Além disso, tem sido avaliado que o risco combinado à saúde do consumo de ambas as substâncias (álcool e tabaco) pode ser 50% maior do que a soma dos riscos independentes de cada droga”.
Para o psiquiatra, mais estudos deverão ser necessários para demonstrar a eficácia da medicação em outros centros especializados e em outras culturas.