Um novo medicamento para lúpus eritematoso sistêmico, o Benlysta (belimumab), formalmente conhecido como LymphoStat-B, apresentou dados promissores na fase 3 de triagens clínicas; segundo dados dos laboratórios farmacêuticos Human Genome Sciences e GlaxoSmithKline.
Os pacientes que participaram do estudo tiveram melhorias clínicas significativas em relação ao uso do Benlysta associado ao tratamento padrão, comparados ao uso de placebo associado ao tratamento padrão (57,6% para 10 mg/kg de Belynsta, 51,7% para 1 mg/kg de Belynsta e 43,6% para o placebo).
Durante a pesquisa os dados mostraram queda dos anticorpos típicos do lúpus e dos sinais de atividade da doença, além de boa tolerabilidade ao medicamento. O belimumab é o primeiro de uma nova classe de medicamentos chamada inibidores específicos de BlyS, que estão sendo desenvolvidos especificamente para o lúpus.
O reumatologista, Dr. Andréas Funke, explica qual a importância dessa pesquisa para a medicina e para os pacientes. “Acredito que o belimumab seja um exemplo da nova era da medicina também conhecida como “era dos biológicos”. Enquanto muitos dos tratamentos atuais são constituídos de substâncias sintetizadas em laboratório ou extraídas da natureza (animais e plantas), e têm mecanismo de ação desconhecido ou apenas descoberto depois que já passaram a ser utilizados em larga escala com base em achados empíricos, os medicamentos “biológicos” são “idealizados” com base nos mecanismos conhecidos da doença, tais como o papel dos anticorpos, dos linfócitos T e dos linfócitos B nas doenças autoimunes, e são produzidos por métodos biológicos tais como cultura de células e/ou engenharia molecular dirigindo-se a um alvo específico no organismo doente, seja este alvo uma substância isolada ou células inteiras (por exemplo, as células B)”, explica.
De acordo com o reumatologista, a aprovação de um tratamento desenvolvido especificamente para o lúpus também traz mais segurança para o médico na hora de prescrevê-lo quando comparado a outros tratamentos utilizados sem que tenham estudos ou com aprovação específica no lúpus (uso off-label), e pode permitir maior agilidade no fornecimento do mesmo pelos planos de saúde ou pelo sistema público de saúde. Para os pacientes, a aprovação do belimumab, assim como de outros produtos novos para o tratamento do lúpus, “passa a enriquecer o arsenal de tratamentos disponíveis e quem sabe permitir, com o melhor controle da doença, a diminuição do uso de corticóide e outros medicamentos “tradicionais”, minimizando assim os efeitos adversos dos mesmos em longo prazo”, declara dr. Funke.
O acompanhamento dos pacientes para a pesquisa foi de 52 semanas e a previsão é que o medicamento seja aprovado nos EUA, Europa e outras regiões no primeiro semestre de 2010.