A influência que o acesso fácil a informações científicas, especialmente pela internet, exerce sobre a relação entre médico e paciente é um consenso entre profissionais de saúde e pesquisadores. Esse advento tecnológico muda o comportamento da população e estabelece novas condutas para os especialistas. Diante de tantos dados ao alcance das pessoas, é fundamental que os médicos saibam como lidar com o paciente que chega ao consultório mais informado que outrora.
Segundo o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), André Pereira Neto, a participação da internet nessa interação é um fato incontestável. Ele trata a rede mundial de computadores como um terceiro elemento na relação entre médico e paciente. "Antes o profissional detinha a informação e o conhecimento, enquanto o paciente era como o nome sugere, ou seja, passivo. Ele apenas recebia e se submetia ao diagnóstico. A internet está provocando um desequilíbrio e estabelecendo uma nova relação. Hoje, muitos chegam ao consultório com informação", analisa.
Para o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Jorge Curi, o especialista deve se submeter a um processo de atualização permanente para lidar com esse novo atendimento. "O profissional deve atender qualquer demanda. Afinal, muitos se interam através da mídia e da internet. A informação está muito mais próxima e é cada vez mais volumosa. Por isso, os médicos precisam se atualizar", considera.
A palavra final é do médico
Essa distância menor entre a população e as novas descobertas científicas não é tida como um problema. Curi, professor assistente da disciplina de cirurgia do trauma da Universidade de Campinas (Unicamp), defende o advento, mas faz uma ressalva. "A internet é um bom meio de informação, porém a pessoa não pode perder a referência do médico. O paciente deve ser capaz de entender a relatividade do que está procurando e encontrando. Não dá para acessar a internet e fazer o próprio diagnóstico", defende, acrescentando que o profissional deve ser sensível para apoiar e estimular a prudência do paciente diante do que é difundido.
Integrante da equipe que conduz o estudo O impacto da internet na saúde: a percepção da população de baixa renda do Estado do Rio de Janeiro, na Fiocruz, Neto é taxativo. O pesquisador defende que o paciente não tem discernimento para entender a informação. "O principal aspecto negativo da internet é a qualidade da informação. A busca terá infinitas respostas e muitas não serão boas", pondera. Neto faz previsões. "O médico do futuro deverá orientar o seu paciente sobre como buscar informação na internet. Ao prescrever medicamentos, alimentação, demais condutas necessárias, deve propor sites confiáveis", opina.