A infecção hospitalar é hoje uma das principais preocupações dentro de um hospital. Surgem geralmente em pacientes que passaram por algum processo cirúrgico ou foram expostos de alguma forma a bactérias e outros micro-organismos presentes no hospital. Resistentes por se desenvolverem em presença constante de antibióticos, os agentes causadores da infecção hospitalar geralmente não são exterminados com os tratamentos convencionais.
Segundo as enfermeiras Janice Veiga e Maria Clara Padoveze, autoras do documento Infecção Hospitalar: Informações ao público em geral, do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”), de São Paulo, ao mesmo tempo em que a medicina evoluiu, as práticas médicas se tornaram mais invasivas, o que aumenta o risco de infecções: “A primeira barreira de proteção do corpo é a pele, e, entretanto, é a que mais frequentemente é rompida por procedimentos hospitalares. Por exemplo, a punção de veia para instalação de soro ou coleta de sangue”.
Comissão de controle de infecção hospitalar
As enfermeiras explicam também que as infecções hospitalares podem se manifestar dias após o paciente deixar o hospital e somente médicos ou enfermeiros especializados podem relacionar os sintomas do paciente com os procedimentos realizados e dar o diagnóstico de infecção. Por essas e outras razões, a portaria do Ministério da Saúde nº 2.616, de 1998, determina que todo hospital deve possuir uma CCIH (Comissão de Controle de Infecções Hospitalares) que deve ser responsável pela criação de um programa de prevenção e controle da doença.
Formada por pelo menos um médico e um enfermeiro, a CCIH deve, entre outras coisas, realizar o treinamento de prevenção junto à equipe médica e determinar normas de assepsia nos procedimentos, além do isolamento de pacientes com doenças transmissíveis. A infectologista Ciane Mackert, coordenadora do Serviço de Infecção Hospitalar da Prefeitura de São José dos Pinhais, acrescenta outro importante dever da CCIH: racionar o uso de antimicrobianos, para tentar impedir que os micro-organismos presentes no hospital não criem excessiva resistência aos remédios.
Ações preventivas
Janice Veiga e Maria Clara Padoveze afirmam que não é possível determinar os riscos de infecção hospitalar em cada procedimento médico realizado. Por isso, é improvável que haja algum hospital com índice zero de infecções. Porém, a Dra. Ciane explica que algumas ações preventivas são fundamentais. A lavagem das mãos por parte dos médicos e dos pacientes, por exemplo, ajuda a diminuir o risco de infecção hospitalar em 80%. “Todo paciente deve ser orientado a lavar as mãos antes das refeições e a cada uso do banheiro”, diz Ciane, e completa com algumas outras ações preventivas: “Os médicos, além das precauções padrão, deve lavar as mãos antes da manipulação de cada paciente, e limpar com álcool seu material de uso coletivo, como o estetoscópio, por exemplo”. Todas essas medidas, segundo a Dra., devem ser incentivadas pela CCIH e fiscalizadas pelas órgãos de vigilância hospitalares.