As vacinas contra a gripe são analisadas todos os anos e mesmo assim ainda não oferecem proteção total contra a doença, pois o vírus gripe se modifica muito rápido. Para tentar solucionar esse problema cientistas da Food and Drug Administration (FDA, agência americana que fiscaliza e regulamenta remédios e alimentos) e fabricantes de vacina buscam uma “Vacina Universal” que seja eficaz contra todos os tipos de gripe. Entretanto, o principal objetivo da vacina universal da gripe é proporcionar proteção por anos e talvez até pela vida inteira. A especialista em vacinas da Universidade de Oxford, Sarah C. Gilbert, acredita que quanto mais cedo descobrirem a vacina universal menos iremos nos preocupar com uma nova pandemia da doença.
A vacina universal da gripe está sendo testada em pequenos ensaios clínicos, mas para que sua eficácia seja comprovada ela deve passar por muitos outros testes, podendo demorar anos. As vacinas universais desenvolvidas até hoje não previnem totalmente a infecção, como fazem as vacinas contra linhagens específicas, elas apenas limitam a gravidade e disseminação da doença.
O médico infectologista do Hospital das Clínicas de Campinas em São Paulo, Rodrigo Nogueria Angerami, destaca que a possibilidade de viabilizar essas vacinas está cada vez mais próxima. “Particularmente, acreditamos que novas tecnologias, como a identificação de novos antígenos virais – considerados “alvos” potenciais – e a utilização de ferramentas de biologia molecular no desenvolvimento de novas plataformas para o desenvolvimento de vacinas, tornam a perspectiva de uma eventual vacina universal mais plausível”, comenta.
João Adriano de Barros, pneumologista do Hospital Nossa Senhora das Graças e professor de Pneumologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), comenta que a preocupação dos pesquisadores é criar uma vacina universal da gripe que reduza complicações e mortalidade provocada pela doença para reduzir as complicações e a mortalidade provocadas pela gripe. Barros diz que a “Vacina Universal” deve ter o material antigênico dos vírus da gripe mais perigosos já identificados da influenza A e B.
Segundo o pneumologista, a vacina atual ainda é a melhor atitude preventiva de gripe no momento, por isso todos deveriam tomar independente de idade e estado de saúde. Ele acredita enquanto isso não for feito as epidemias deverão continuar.
Barros acredita ainda que mesmo que seja descoberta a “Vacina Universal”, a vacina anual (com os vírus da gripe mais prevalentes do mundo naquele ano) continuaria sendo usada.. Além disso, surtos de influenza devem continuar, pois a vacina não tem função de erradicar a doença e sim reduzir o risco de complicações e mortalidade.
Vacina no organismo
A “Vacina Universal” deve incitar um ataque do sistema imunológico a uma parte do vírus influenza que não varie de linhagem em linhagem. Um dos problemas da elaboração dessa vacina é que a maioria das proteínas do vírus da gripe que não variam está no interior do vírus, ou seja, fora do alcance dos anticorpos. Mas, há uma proteína interna, denominada M2, que se projeta um pouco para fora, tornando-se o foco principal da pesquisa.
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