Você está em

Central do Conhecimento

11/06/2010

Gene HLA B57 pode ajudar a entender a AIDS

A descoberta das funções de um determinado gene que prevalece em algumas populações pode ajudar a entender e, futuramente, desenvolver uma cura para a Aids. Cientistas norte americanos do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, sigla em inglês) publicaram em maio de 2010 na revista de divulgação científica Nature o funcionamento do gene HLA B57, que favorece a resistência ao HIV. Pertencente ao complexo principal de histocompatibilidade, região do DNA responsável pelo sistema imunológico e o sucesso reprodutivo, entre outras coisas, o gene prevalece principalmente em alguns povos da África do Sul e algumas castas da Índia, segundo o Allele Frequencies, a base de dados de frequência de alelos em todo mundo.

Luis Brigido, pesquisador do laboratório de virologia/retrovírus do Instituto Adolfo Lutz (IAL), explica como o gene atua no organismo. “A classe de moléculas da qual o HLA B57 faz parte atuam no organismo facilitando a comunicação entre células de defesa e as demais células do organismo, funcionando como uma estrutura que apresenta às células do sistema imune as porções de proteínas denominadas peptídeos”. As variantes do gene HLA (sigla em inglês para Antígeno Leucocitário Humano), portanto, reagem a um maior número proteínas peptídicas, que, segundo o pesquisador, favorecem respostas a um maior número de agentes infecciosos.

Essa diversidade de respostas na variação B57, entretanto, pode causar doenças autoimunes, quando os antígenos passam a atacar o próprio organismo ao invés de protegê-lo. “Sua associação com doenças autoimunes e a reação adversa a alguns medicamentos pode ser um preço que o organismo paga para ter uma melhor resposta a alguns patógenos, como é o caso do HIV”, opina Brigido. De fato, a pesquisa apresentada mostrou que o gene, ao invés de reconhecer o retrovírus como um todo, o identifica por meio de um único peptídeo presente em sua cápsula. Por um lado, isso permite que o vírus continue sendo atacado mesmo que altere boa parte de sua estrutura. Por outro, a simplificação do processo pode fazer com que os linfócitos ataquem o organismo inteiro, causando a doença autoimune.

Importância para a ciência

É necessário ressaltar que o HLA B57 é uma variação natural do alelo. O pesquisador afirma que, assim como qualquer gene, ele também sofre pressão seletiva durante a evolução, seja ela positiva ou negativa. “Isto é melhor observado em populações onde o número de membros seja adequado para essas forças atuem, mas em populações fechadas ocorrem por vezes modificações que são mantidas ou eliminadas, não por mecanismos de seleção, mas sim aleatórios”, esclarece. Ainda de acordo com ele, não há meios de interferir nas características do gene, mas conhecê-lo e identificá-lo no genoma é indispensável, pois as pessoas que o possuem tendem a reagir adversamente a alguns medicamentos, além de predispô-la a algumas doenças, entre elas o diabetes tipo 1. A descoberta do funcionamento do gene permite que os pesquisadores avancem na busca da cura contra a Aids. Os cientistas esperam que isso lhes permita tentar uma vacina que siga a mesma estratégia dos anticorpos.

Segundo Luis Brigido, não existem ainda estudos muito detalhados a respeito da ocorrência desse gene no Brasil, embora alguns centros especializados já tenham publicado alguns estudos, que sugerem uma prevalência baixa. O pesquisador estima que o gene esteja presente em cerca de 5% dos brasileiros.

Poste seu comentário também:

Para continuar é preciso informar:



*
*
*
Reload Image CAPTCHA Image

Indique para um amigo

Medicamentos
Por nome
Por especialidades
Por doenças
Por princípio-ativo
Pacientes
Blog Saúde em Foco
Meu Cadastro
Central de Ajuda
Prof. de Saúde
Central do Conhecimento
Meu Cadastro
Central de Ajuda
Laboratórios
Vantagens
Meu Cadastro
Central de Ajuda
MEDICSUPPLY
Notícias
Contato
Pacientes
Profissionais de saúde
Laboratórios
Trabalhe conosco
BlogBlogs.Com.Br