A partir da observação dos efeitos colaterais da flunarizina, indicada para o tratamento de vertigem e enxaqueca, pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e da Universidade Federal de São Paulo decidiram testar o medicamento em pacientes com esquizofrenia.
A intenção dos pesquisadores era identificar as possíveis semelhanças entre o mecanismo de ação da flunarizina e dos medicamentos comumente recomendados para o tratamento da esquizofrenia. “A ideia surgiu porque são muito frequentes os efeitos colaterais extrapiramidais com a flunarizina – efeitos colaterais comuns aos antipsicóticos” explica Luísa Weber Bisol, uma das responsáveis pela pesquisa.
Para isso foi realizado um ensaio clínico com 70 pacientes com diagnóstico de esquizofrenia. Uma parte deles recebeu doses diárias de 20 miligramas de flunarizina, enquanto os demais foram tratados com um medicamento disponível no mercado. Após 12 semanas de uso, a substância foi capaz de minimizar as alucinações, os delírios e os surtos associados à doença. “O mais interessante disso é que esse fármaco nunca havia sido testado anteriormente para essa finalidade” diz Luísa. De acordo com a pesquisadora, a flunarizina foi tão eficaz quanto o haloperidol, medicamento considerado padrão-ouro para o tratamento de distúrbios psicóticos agudos e crônicos, entre eles a esquizofrenia.
Os efeitos do medicamento no corpo duravam entre 7 e 14 dias. Isso significa que, se futuramente adotado contra a esquizofrenia, ele não precisará ser utilizado todos os dias. “O próximo passo é avaliar se a medicação pode ser usada uma vez por semana já que tem uma meia-vida de 14 dias” ressalta a pesquisadora. Além disso, seu preço equivale a 10% de alguns antipsicóticos à venda.
O trabalho é finalista do IV Prêmio SAÚDE! promovido pela revista SAÚDE!.
Site lança estudo científico sobre temperamento
A pesquisadora Luísa Weber Bisol informa que, paralelamente, está sendo desenvolvida uma outra linha de pesquisa sobre temperamento. “Criamos um site inovador para a coleta de dados sobre o tema”, diz. Trata-se de um estudo científico via internet sobre a relação do temperamento com a história pessoal, traços psicológicos e transtornos psiquiátricos.
Para mais informações acesse: www.temperamento.com.br