Cânceres muito difíceis de serem detectados podem passar a ser identificados rapidamente. As universidades de Keio, no Japão, e da Califórnia, nos Estados Unidos, desenvolveram juntas uma técnica que possibilita reconhecer a probabilidade de alguns tipos de câncer — principalmente os de boca, pâncreas e mama — por meio de um teste de saliva.
Segundo dados divulgados pela agência France Presse no final de junho de 2010, os pesquisadores analisaram amostras de saliva de 215 voluntários, entre os quais estavam pacientes com câncer. Com essas amostras, conseguiram identificar 54 substâncias diferentes cuja presença pode indicar a neoplasia. Com uma avaliação que demoraria, em média, meio dia, os resultados superaram a expectativa da comunidade médica: 99% dos casos de câncer de pâncreas, 95% dos de mama e 80% dos de boca foram passíveis de ser detectados pelo exame.
Assim como o sangue, a saliva também sofre diversas alterações de acordo com o estado do organismo e, por isso, pode indicar diferentes condições fisiológicas, inclusive doenças. Rica em proteínas — a literatura específica aponta um número próximo de mil — e moléculas de RNA, responsáveis por fazer a ponte entre o gene e a proteína codificada. A estas qualidades, os pesquisadores responsáveis pelo estudo acrescentam a facilidade de se extrair uma amostra de saliva, além da facilidade de manuseio, pelo fato de não coagular e não expor os analistas às doenças transmitidas pelo sangue.
Na França, os testes com saliva se tornaram mais populares em 2008, para detectar a presença de drogas no organismo de condutores de veículos pesados, junto com o teste do bafômetro. Em 2004, a Food and Drug Administration (FDA), órgão norteamericano que regula medicamentos e substâncias, aprovou o uso de um exame de saliva para detectar o vírus do HIV.
Tomoshi Soga, professor da universidade de Keio, afirmou que, com este exame — que permite detectar mais de 500 substâncias diferentes na saliva — será possível identificar com muito mais facilidade os cânceres de boca e de pâncreas. Ele lembrou que a taxa de mortalidade dessas neoplasias são grandes, justamente, porque os sintomas demoram a surgir, dificultando o diagnóstico precoce. O chefe das pesquisas da universidade, Masaru Tomita, completou dizendo que gostaria de usar essa tecnologia para fazer o diagnóstico de outras enfermidades.
