Pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, descobriram recentemente que o consumo de carne em excesso, em especial da carne bem passada, pode dobrar o risco de desenvolver câncer de bexiga. O estudo, apresentado na 101ª edição da American Association for Cancer Research, comprovou que as aminas heterocíclicas (HCA), substâncias geradas quando a carne é exposta a altas temperaturas, causam câncer de bexiga. Esse risco, no entanto, é muito maior quando a carne é bem passada e especialmente maléfico no consumo de carne bovina e suína.
A carne bem passada, até então considerada a forma mais saudável do consumo do alimento se mostrou igualmente danosa ao organismo. Para o urologista Marcos Dall’Oglio, o estudo é um alerta à nossa alimentação: “Somente com uma dieta equilibrada poderemos nos proteger dos riscos presentes em determinados alimentos quando ingeridos excessivamente e por tempo prolongado”. Segundo ele, o câncer de bexiga tem maior incidência em homens do que em mulheres: para cada três pacientes do sexo masculino com a doença, há uma mulher com tumores na bexiga.
O estudo dos pesquisadores norteamericanos também relacionou a doença com algumas alterações genéticas desfavoráveis. Analisado o DNA de cada um dos participantes da pesquisa, eles verificaram que alguns genótipos desfavoráveis ao metabolismo do HCA contribuíam para o aparecimento da doença. Segundo um dos cientistas, os resultados são um grande passo na prevenção da doença levando em consideração fatores nutritivos, ambientais e genéticos.
Causas e prevenção
O Dr. Marcos Dall’Oglio estima que no ano passado foram descobertos aproximadamente 46 mil casos de câncer de bexiga no Brasil, dos quais pouco mais de nove mil resultaram em morte. O principal causador da doença é o tabagismo. Segundo o médico, 65% dos pacientes com a doença tiveram no cigarro o principal fator cancerígeno. “Outros agentes relacionados pelos estudos epidemiológicos compreendem a ingestão de café e adoçantes artificiais, todavia estes agentes confundem-se devido associação comum com o tabagismo.”, explica Dall’Oglio. Ele acrescenta alguns outros fatores, como a ingestão de soja, chá mate e gorduras saturadas, infecções crônicas na bexiga, uso de cateteres por um tempo prolongado e radioterapia pélvica para tratamento do adenocarcinoma na próstata.
Para prevenir a formação desse tipo de tumor, o urologista recomenda a ingestão de alguns alimentos ricos em isocianatos, um componente molecular que tem ação antitumoral por meio de enzimas protetoras de células: cenoura e vegetais crucíferos (como brócolis, repolho, couve, palmito). Além disso, a ingestão de selênio (encontrado principalmente na castanha do Pará) e o consumo de frutas cítricas e maçãs também podem auxiliar a impedir a formação da doença.