1- Você acredita que é viável a elaboração dessa vacina universal?
A possibilidade de viabilizar vacinas cada vez mais eficazes, efetivas e que induzam resposta duradoura em relação à influenza vem sendo um importante objetivo a ser alcançado por diversos grupos de pesquisa, tanto no âmbito acadêmico quanto nas indústrias. Nesse contexto, se inserem as chamadas vacinas universais, potencialmente capazes de induzir repostas efetivas, e também potencialmente mais duradouras e contra um grande número de cepas capazes de causar infecção.
Particularmente, acreditamos que novas tecnologias, como a identificação de novos antígenos virais – considerados "alvos" potenciais – e a utilização de ferramentas de biologia molecular no desenvolvimento de novas plataformas para o desenvolvimento de vacinas, tornam a perspectiva de uma eventual vacina universal mais plausível. A grande questão que fica é: uma vez possível, em quanto tempo estaria disponível para o uso em escala global? Cremos que apenas os extremamente otimistas apostariam no curto e médio prazo.
2- Em relação às pesquisas, você acredita que elas devem evoluir?
Sim. Por vários motivos. Primeiro, a influenza sazonal continua a figurar como um significativo problema de saúde pública em todo o mundo, estando relacionada a milhões de casos infectados e a centenas de milhares de óbitos associados a doença anualmente. Some-se a isso a iminente pandemia pelo vírus A/H1N1 e o temor permanente em relação ao H5N1. Tais elementos, certamente, atuam como potentes "catalizadores" das iniciativas que vêm resultando nas inúmeras linhas de pesquisa e no financiamento para o aprimoramento das vacinas contra influenza.
Diversas linhas de pesquisa atualmente vêm se mostrando bastante promissoras: a identificação e utilização de novos antígenos virais, o desenvolvimento de novas plataformas, a utilização de adjuvantes, novas vias de administração.
3- Essas vacinas são eficientes? Qual é a necessidade principal de melhorar
essas vacinas?
Definitivamente, a vacinação contra a influenza mantêm-se como a principal estratégia de prevenção contra a doença.
Inúmeros são os esforços no sentido de ampliar ainda mais a efetividade da vacina, de incrementar sua capacidade de produção, de minimizar as disparidades entre as cepas circulantes e aquelas que constituem a vacina sazonal, de desenvolver vacinas capazes de proteger contra cepas pandêmicas.
Entretanto, as ações de vigilância da circulação viral, o monitoramento de cepas resistentes aos antivirais disponíveis e, sobretudo, a ampliação da cobertura vacinal anual, principalmente em grupos mais vulneráveis, devem ser consideradas estratégias prioritárias, até que tenhamos disponíveis as "vacinas ideais", incluindo-se as vacinas universais. Deve-se lembrar de que há necessidade de barateamento de custos das doses vacinais, para o público em geral, das vacinas contra a influenza sazonal, de vez que uma parcela ínfima da população mundial se beneficia delas. Portanto, não é curto o caminho a se percorrer.