1- Você acredita que é viável a elaboração dessa vacina universal? Expresse sua opinião?
Sim, a sua elaboração é viável. A discussão é a sua eficácia em longo prazo. A princípio, os pesquisadores sugerem que a vacina anual deve ser mantida e esta vacina denominada universal teria uma preocupação primordial em reduzir as complicações e a mortalidade. Ela teria o material antigênico dos vírus mais perigosos já identificados tanto da influenza A e B. Acredito que isto pode ser facilmente conseguido, no entanto só o futuro determinaria se a sua efetividade corresponderia a um investimento tão alto em profilaxia.
2- Você acredita que se ela for realmente descoberta os pacientes não irão precisar usar outro tipo de medicamento?
Infelizmente não, para começar a vacina anual (com os vírus mais prevalentes no mundo naquele ano) continuaria a ser utilizada. Outra grande confusão é a diferenciação entre resfriado e gripe, que é difícil para os leigos. Apesar de sua menor potencialidade de complicações, os resfriados, causados por inúmeros vírus, geram inúmeros sintomas e sinais semelhantes a gripe e teriam que ser tratados com os medicamentos tradicionais. Aliado a isto, os surtos de influenza continuarão, pois a vacina não tem intenção de erradicar a doença e sim reduzir o risco de complicações e a sua mortalidade.
3- Em relação à pesquisa, você acredita que ela deve evoluir?
Sim, deve evoluir e muito. É apenas uma idéia e está no início do processo de pesquisa clínica de medicamentos. Com todo o processo habitual para a liberação de um tratamento, esperamos que um tratamento como este possa estar disponível num período estimado de 5 anos.
4- Entre tantas discussões em relação à eficácia da vacina qual é seu posicionamento?
A vacina é a melhor atitude preventiva que pode ser tomada em relação a gripe no momento. A sua eficácia está bem documentada na literatura médica. O que é interessante é que todos deviam tomar independente de idade e estado de saúde. Quando isto não for feito as epidemias continuarão. O governo preocupa-se com a população que tem mais riscos quando contrai uma gripe, que são as pessoas com mais de 60 anos de idade.
O restante da população deveria tomá-la de forma pessoal. Sabe-se que em pessoas jovens o resultado é melhor do que em idosos. Novamente aqui ressalto a confusão entre resfriados e gripe, as pessoas habitualmente têm resfriados e criticam a vacina de forma equivocada, pois acreditam que este também deveria ser evitado, fato que não ocorre.
5- Como funcionam no organismo as vacinas antigripais? O que você acha que poderia mudar nessas vacinas? Essas vacinas são eficientes?
Funcionam como qualquer vacina. A vacina é constituída por antígenos virais (pedaços de sua estrutura) e estes não conseguem provocar doença, porém estimulam a produção de anticorpos pelo organismo contra todos os vírus que tem estes antígenos na sua formação. Como o vírus muda muito estes antígenos, a vacina tem que ser repetida anualmente sempre com os novos antígenos dos vírus mais atuais. Vacinas permanentes são aqueles que contêm antígenos de vírus ou bactérias que tem características imutáveis em sua constituição e assim, o organismo sempre responderá contra eles. Há também os reforços para vacinas permanentes que tem como objetivo relembrar o organismo daquele vírus ou bactéria que ele acabou se expondo numa vacinação prévia há 10 anos, por exemplo. A eficácia é documentada como já comentada na resposta anterior.