Conselheira da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Denise Steiner foi uma das representantes do Brasil no 21º Congresso Mundial de Dermatologia, que aconteceu entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro de 2007, em Buenos Aires, Argentina. A médica, que integra a Academia Americana de Dermatologia, apresentou três temas e participou de exposições sobre as principais novidades na área. “O evento reuniu especialistas do mundo inteiro. Tudo o que há de novo foi apresentado”, informa a autora do livro Beleza levada a sério (Editora Celebris, 2003). Nesta entrevista, Steiner fala sobre as mais recentes descobertas para proteção e reversão dos efeitos do sol na pele.
Qual a principal novidade para proteção da pele apresentada no Congresso?
Os trabalhos sobre a substância polipodium leucotomas, extraída de samambaia proveniente da Costa Rica, são o que há de mais novo e diferente nesse sentido. As cápsulas à base desse extrato têm alta capacidade protetora. Vários estudos americanos e europeus mostram que essa substância protege a pele em relação à radiação ultravioleta, evitando as reações ao sol. Entre os benefícios destaca-se a menor oxidação pela exposição à radiação solar, resultando em diminuição da vermelhidão e do inchaço.
A substância também contribui em outro aspecto: há diversas provas de que a radiação solar baixa a imunidade da pele, facilitando a ocorrência de agressões, como herpes. Isso porque quando a pessoa se expõe ao sol, as Células de Langerhans diminuem. Com o uso dessas cápsulas, mantém-se a resistência da pele. Essa substância está disponível na Europa e nos Estados Unidos, mas pode ser receitada no Brasil, quando é preciso importá-la. O produto pode ser recomendado em situações que mereçam proteção melhor, como para pessoas sensíveis ao sol ou em casos em que a pele é muito manchada. Essas cápsulas, apesar de terem um apelo de filtro solar, não substituem o tópico.
Alguma outra medida preventiva que esteja em voga?
Outra linha defendida, inclusive durante o Congresso, é o uso de tecidos especiais. Hoje ao abordar a fotoproteção se fala muito na utilização de roupas, chapéus e óculos escuros. Essa linha ainda evoluirá muito. Como dermatologistas, defendemos que é preciso ter atitudes mais equilibradas e bom senso em relação à radiação solar. É necessário um conjunto de medidas para garantir a eficiência da proteção. E isso inclui usar roupas e acessórios e procurar a sombra.
E quais as novidades para tratamento da pele maltratada pelo sol?
O sol agride a pele causando manchas e rugas. Existem muitos tratamentos para reverter o fotoenvelhecimento, como os diversos tipos de peeling e laser. Há uma linha bem nova de peeling químico, que foi apresentada no Congresso. Esse tratamento é feito com um líquido que ajuda a trocar a pele, contribuindo, por exemplo, para clarear as manchas. Essa novidade contém alfahidroxiácidos, como o ácido glicólico ou láctico, em sua fórmula. Esse peeling é menos agressivo e pode ser realizado semanalmente. A pessoa tem os resultados sem esperar muito tempo e sem modificar a sua rotina. Para concluir o tratamento, são necessárias, em média, de quatro a cinco sessões.
Também há um laser novo cuja fonte de energia é emitida por CO2 fracionado. Esse feixe de luz não agride tanto a pele e ajuda a reverter as manchas. A pele submetida ao tratamento com CO2 normal leva 15 dias para cicatrizar. Já com esse novo laser a recuperação ocorre em uma semana e o resultado é muito bom.