A cirurgia para a remoção da mama ainda é a maneira mais eficaz de tratamento para esse tipo de câncer. O cuidado deve ser tomado para que não fique nenhum resíduo da doença, que pode causar o retorno do câncer de mama. Um grupo de cirurgiões do Hospital Boa Esperança, em Sutton Coldfield (Reino Unido), estudou mais de 300 mulheres submetidas à cirurgia de mama, entre 2003 e 2008, e constatou que a remoção adicional de 2 mm do tecido em torno da área atacada pelo tumor como margem de segurança é suficiente para minimizar os resíduos da doença em 98% das pacientes.
O estudo, publicado este mês no International Journal of Clinical Practice, acaba com a polêmica levantada em 2007 também no Reino Unido. Naquele ano uma pesquisa de opinião feita com 200 cirurgiões de mama no país revelou uma divergência no que era considerada a margem de segurança adequada: 24% defendiam apenas 1 mm e 65% defendiam 2 mm ou mais.
Stephen Ward, médico responsável pelo novo estudo, avalia que os dados obtidos ao longo de anos de pesquisa demonstram que a remoção adicional de 2 mm produz os mesmos resultados que a cirurgia de conservação de mama aliada à radioterapia.
No Brasil, a margem de segurança é adotada há muito tempo. Vera Lobo, patologista do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e membro do departamento de Patologia da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), afirma que em casos de tumor invasivo (como na pesquisa do Reino Unido) a margem de segurança é a garantia da remoção total do câncer. “Na prática os cirurgiões sempre trabalham com margem de segurança que, dependendo do caso, pode chegar a 1 cm”, afirma. “A questão deve sempre ser avaliada de acordo com o caso”.